A próxima margem da nutrição animal está além da fórmula
A integração entre nutrição, compra de insumos, processo fabril, tecnologia e gestão abre uma nova fronteira de eficiência para a produção animal. É nesse território que o nutriFÓRUM Brasil 2027 concentrará suas principais discussões.
Por Priscila Beck
Uma formulação tecnicamente impecável não garante, sozinha, o melhor resultado econômico. Parte do desempenho pode se perder antes mesmo de a dieta chegar ao animal, ou seja, na compra de matérias-primas, na variabilidade dos ingredientes, na moagem, na mistura, na peletização ou no controle de qualidade. Outra parte pode desaparecer depois, quando os dados gerados na fábrica e no campo não retornam a quem formula, compra ou decide onde investir.
Esse é um dos paradoxos da nutrição animal contemporânea. Nunca houve tanto conhecimento disponível sobre exigências nutricionais, aditivos, ingredientes e estratégias de alimentação. Ao mesmo tempo, transformar conhecimento em margem tornou-se mais complexo. Custos voláteis, exigências sanitárias, pressão por eficiência, redução do uso de antimicrobianos, automação e inteligência artificial impõem decisões que já não cabem dentro de uma única área.
O próximo salto de eficiência não virá apenas de formular, comprar ou produzir melhor. Virá da capacidade de conectar essas decisões.
É dessa leitura que nasce o desenho do nutriFÓRUM Brasil 2027, marcado para 30 e 31 de março, no Grand House, em Campinas (SP). Mais do que reunir conteúdos sobre nutrição animal, o encontro pretende aproximar as pessoas e as decisões que transformam conhecimento nutricional em resultado econômico.
A margem escondida entre as decisões
Em muitas empresas, o setor de compras é pressionado a reduzir o custo imediato dos insumos; nutrição busca preservar especificações e desempenho; a fábrica mede produtividade e estabilidade do processo; o campo acompanha respostas zootécnicas; e a direção avalia investimentos, riscos e retorno. Cada área pode estar fazendo bem o seu trabalho e, ainda assim, o resultado global ficar abaixo do potencial.
Uma matéria-prima mais barata pode ampliar a variabilidade da dieta. Uma granulometria inadequada pode comprometer o aproveitamento dos nutrientes. Uma mudança na peletização pode elevar a eficiência industrial e, ao mesmo tempo, alterar a resposta animal. Um aditivo tecnicamente promissor pode não se sustentar quando o retorno é calculado no sistema real de produção. A pergunta deixou de ser apenas “qual é a melhor fórmula?” e passou a incluir “como essa decisão percorre toda a operação e quanto valor ela efetivamente entrega?”.
Por isso, a programação de 2027 foi concebida para acompanhar o caminho da decisão nutricional: da leitura do mercado e da escolha dos ingredientes à formulação; da formulação ao processamento; do processamento ao desempenho no campo; e do desempenho às decisões gerenciais que orientam o futuro das empresas.
Da fórmula à fábrica
Um dos eixos centrais do encontro será “Da Fórmula à Fábrica”. O conceito não funciona apenas como uma trilha temática: ele traduz uma mudança de perspectiva. A precisão nutricional só se converte em resultado quando matéria-prima, formulação, moagem, mistura, peletização, qualidade física e controle de processo trabalham de forma coerente.
A agenda pretende discutir automação, uso de NIR, inteligência artificial, granulometria, peletização, controle de qualidade e integração dos dados da fábrica com as respostas observadas na produção. O objetivo é colocar nutricionistas, responsáveis por fábricas, fornecedores de equipamentos e tecnologias, profissionais de qualidade e gestores diante do mesmo problema: onde o sistema ainda perde eficiência e quais investimentos têm capacidade real de recuperá-la?
Essa conexão também amplia a relevância do encontro para empresas. Ingredientes, aditivos, equipamentos, softwares, sistemas de análise e tecnologias de processo não aparecem como soluções isoladas, mas como partes de uma decisão que precisa ser tecnicamente defensável e economicamente mensurável.
Profundidade por segmento, visão sobre o conjunto
O nutriFÓRUM reunirá conteúdos voltados a monogástricos, ruminantes e pet food, além de discussões transversais sobre fábrica, mercado, tecnologia e gestão. A abrangência, porém, não significa tratar todas as cadeias de maneira genérica. Dois palcos simultâneos permitirão aprofundar questões específicas, enquanto os temas comuns atravessarão diferentes sistemas produtivos.
Para aves e suínos, estarão no centro do debate precisão nutricional, saúde intestinal, imunidade, ingredientes, eficiência e estratégias diante da redução dos antimicrobianos. Em ruminantes, a agenda avançará sobre nutrição de precisão, pastagens, silagens e retorno dos investimentos nutricionais. O pet food será contemplado em temas como ingredientes funcionais, palatabilidade, longevidade e novas demandas do consumidor.
Ao redor desses conteúdos, mercado de insumos, qualidade industrial, automação, dados, liderança e tomada de decisão formarão a camada que conecta o conhecimento técnico ao desempenho empresarial. Essa combinação interessa a quem formula e pesquisa, mas também a quem compra, produz, recomenda, comercializa tecnologia e aprova investimentos.
Do conhecimento à aplicação
A participação de entidades representativas reforça essa construção. Sindirações, ABIMAQ, Instituto de Zootecnia (IZ), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Embrapa Suínos e Aves, Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) e Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ) integram a rede de apoio institucional confirmada para a edição.
A diversidade dessas organizações não é apenas uma chancela. Ela traduz as diferentes dimensões que precisam entrar na mesma conversa: ciência, produção de proteína animal, alimentação animal, processos industriais, equipamentos, formação profissional, sustentabilidade, aproveitamento de coprodutos e competitividade.
Ingredientes que retornam valor à cadeia
O debate sobre ingredientes também ultrapassa a composição da dieta. Disponibilidade, custo, qualidade, segurança, sustentabilidade e destinação eficiente de recursos entram na mesma equação. As farinhas e gorduras de origem animal, por exemplo, conectam nutrição, economia circular, redução de desperdícios e competitividade.
Quem influencia, recomenda, compra e decide
Ao longo de dois dias, o evento pretende reunir nutricionistas, formuladores, pesquisadores, gestores de fábricas, profissionais de compras e suprimentos, representantes de agroindústrias, consultores, produtores, empresas de ingredientes, aditivos, equipamentos e tecnologia, além de lideranças envolvidas nas decisões estratégicas das organizações.
Esse desenho importa porque decisões de compra raramente pertencem a uma única pessoa. Uma tecnologia pode ser identificada pelo nutricionista, avaliada pela qualidade, testada pela produção, negociada por suprimentos e aprovada pela direção. Ao aproximar esses perfis, o nutriFÓRUM cria condições para conversas que dificilmente cabem em uma apresentação isolada.
A própria configuração do espaço reforçará essa proposta. Os palcos dedicados a monogástricos e ruminantes, a área de exposição integrada, os cafés, lounges e momentos de convivência foram planejados para preservar a profundidade do conteúdo e, ao mesmo tempo, favorecer circulação, relacionamento e continuidade das discussões.
Quando a discussão chega à mesa de decisão
No encerramento, um painel gerencial levará a discussão técnica ao nível da estratégia empresarial. Lideranças das cadeias de aves, suínos e nutrição animal serão provocadas a analisar custos, inovação, risco, competitividade e as escolhas que deverão separar empresas reativas de organizações preparadas para liderar os próximos movimentos do mercado.
A proposta é fugir de apresentações institucionais extensas. As perguntas deverão confrontar visões: quais investimentos já não podem ser adiados? Onde a tecnologia entrega valor mensurável? Que riscos o setor ainda subestima? Como alinhar eficiência, sustentabilidade e retorno? E o que será necessário para preservar a competitividade brasileira em um ambiente de maior incerteza?
O nutriFÓRUM não reúne apenas conteúdos sobre nutrição animal. Reúne as pessoas e as decisões que transformam conhecimento nutricional em resultado econômico.
Em um cenário no qual pequenas perdas se multiplicam ao longo da cadeia, participar das discussões certas, com as pessoas certas, deixou de ser apenas atualização profissional. Tornou-se parte da estratégia de competitividade.
Programação e nomes confirmados
Além de conectar conteúdos específicos para monogástricos, ruminantes e pet food a temas transversais de fábrica, mercado, tecnologia e gestão, o nutriFÓRUM Brasil 2027 já reúne especialistas confirmados em pontos centrais da programação.
