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Antibióticos não serão mais a única resposta para os desafios da avicultura

O estúdio da agriNews Brasil, presente no SIAVS 2026, recebeu lideranças e especialistas para discutir as transformações que já impactam a produção de proteína animal. Entre os convidados esteve Guilherme Minozzo, Business Leader Latam da Arm & Hammer, que analisou o avanço das restrições ao uso de antimicrobianos e as tecnologias que chegam para ocupar esse espaço na nutrição animal.

Durante a entrevista, Guilherme também avaliou a dimensão do SIAVS, os desafios sanitários da avicultura e a expansão da Arm & Hammer no mercado de alimentação animal na América Latina.

O Brasil precisava de um evento desse tamanho

Na avaliação de Guilherme, o SIAVS alcançou uma dimensão compatível com o peso do Brasil no mercado mundial de proteína animal. O executivo destacou o volume de participantes, a presença de empresas internacionais e a oportunidade de reunir diferentes elos da cadeia em um único espaço. Para ele, a realização do evento em ciclos de dois anos também favorece a renovação de conteúdo e tecnologia.

A percepção foi reforçada pelas discussões realizadas durante o evento, especialmente sobre o futuro da proteína animal no cenário global e a capacidade brasileira de ampliar sua participação. Segundo Guilherme, o Brasil reúne condições naturais, disponibilidade de recursos e mão de obra qualificada para atender a uma eventual expansão da demanda mundial por proteína.

O desafio sanitário continua no centro da produção

Entre os principais pontos de atenção levantados durante a entrevista está a sanidade. Guilherme citou a influenza aviária como um teste importante para a capacidade brasileira de resposta. Na avaliação do executivo, a atuação conjunta do Ministério da Agricultura, das equipes técnicas das empresas e das entidades do setor permitiu isolar rapidamente o caso e trabalhar para preservar o acesso aos mercados.

O episódio mostrou, na visão da empresa, que a capacidade de reação sanitária é determinante em um país cuja produção está profundamente conectada ao comércio internacional. Mas a discussão não termina na resposta aos surtos. A prevenção continua sendo um dos principais pilares para garantir a competitividade da cadeia.

O fim dos promotores de crescimento acelera outra corrida tecnológica

A entrevista também abordou a ampliação das restrições ao uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. Para Guilherme, a tendência de retirada dessas moléculas é clara e cria uma necessidade crescente de alternativas nutricionais capazes de manter o desempenho produtivo.

A Arm & Hammer trabalha nesse espaço com uma tecnologia que a empresa denomina carboidratos refinados funcionais, desenvolvida para atuar em um mercado que precisa reduzir a dependência dos antibióticos sem abandonar eficiência.

“A tendência é o banimento dos antibióticos como um todo”, afirmou Guilherme, ao destacar que a empresa já trabalha há algum tempo com mercados mais exigentes nesse aspecto.

Carboidratos refinados funcionais chegam com maior concentração

Entre as soluções citadas está o Celmanax, apresentado por Guilherme como um dos principais produtos da empresa no mercado brasileiro e nas Américas. Segundo o executivo, a tecnologia utiliza micro moléculas de carboidratos refinados funcionais e apresenta uma concentração que permite trabalhar com inclusão menor na ração quando comparada a produtos convencionais à base de leveduras.

Enquanto algumas soluções podem ser utilizadas em quantidades próximas de 500 gramas a 1 quilo por tonelada, o produto citado trabalha, segundo Guilherme, na faixa de 50 a 100 gramas por tonelada, dependendo da espécie e do desafio.

O principal foco atualmente está relacionado aos desafios entéricos da avicultura, especialmente a Salmonella, considerada pelo executivo uma das principais preocupações da produção brasileira de frangos.

A próxima fronteira pode estar no banco de 82 mil cepas

Se os carboidratos refinados funcionais representam uma frente atual, a empresa já trabalha em outra tecnologia que pode ampliar ainda mais o leque de soluções. Guilherme revelou que a Arm & Hammer possui nos Estados Unidos um banco com aproximadamente 82 mil cepas de bactérias, que podem ser estudadas e combinadas de acordo com diferentes desafios, espécies e formas de aplicação.

A ideia envolve possibilidades para utilização em ração, água ou até mesmo em aplicações ambientais, dependendo da finalidade. Um dos exemplos apresentados é o uso de culturas de lactobacilos no combate à enterococose em aves nos Estados Unidos, onde a empresa já possui participação relevante nesse segmento.

Para a América Latina, a combinação entre carboidratos refinados funcionais e culturas bacterianas representa uma frente de desenvolvimento que pode ganhar espaço nos próximos anos.

Tecnologia precisa vir acompanhada de suporte técnico

Outro ponto abordado durante a entrevista foi o modelo de atuação da empresa fora dos Estados Unidos. A Arm & Hammer trabalha principalmente com distribuidores e parceiros locais, que ajudam a levar as soluções aos produtores e interpretar os desafios específicos de cada região e espécie.

No Brasil, segundo Guilherme, a companhia mantém equipe técnica própria, com profissionais dedicados às diferentes áreas de produção. A estrutura também se repete em outros mercados estratégicos da América Latina, como o México.

A estratégia combina, portanto, desenvolvimento tecnológico, distribuição e suporte próximo aos mercados para adaptar o portfólio às necessidades locais.

Uma marca conhecida pelo consumidor agora quer ganhar espaço no agro

A entrevista também revelou um movimento importante de posicionamento da Arm & Hammer. A marca já possui forte reconhecimento entre consumidores nos Estados Unidos, especialmente na área de produtos de consumo humano. Agora, o desafio é transferir essa credibilidade para o mercado de produção e alimentação animal.

“Estamos construindo a marca Arm & Hammer no mercado brasileiro”, afirmou Guilherme ao explicar que essa expansão ainda está em uma fase de construção dentro do setor de alimentação animal.

Para a empresa, a participação em eventos como o SIAVS faz parte justamente desse processo de aproximação com produtores, empresas e profissionais da cadeia. A mensagem deixada no estúdio da agriNews Brasil aponta para uma transformação que já está em andamento, a substituição dos promotores de crescimento por alternativas nutricionais não representa apenas uma mudança regulatória, mas uma nova corrida por tecnologias capazes de preservar eficiência, saúde intestinal e desempenho produtivo.

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