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Crédito rural para mulheres destina R$ 6,6 milhões a produtoras de leite em SP

FEAP Mulher atende 240 produtoras em 20 municípios paulistas; ampliação do limite para R$ 50 mil abre espaço para investimentos em energia renovável, equipamentos e infraestrutura produtiva

Por redação nutriNews Brasil

O acesso ao crédito rural pode ampliar as possibilidades de investimento em tecnologia, infraestrutura e eficiência na pecuária leiteira. Em São Paulo, o programa FEAP Mulher destinou R$ 6,63 milhões a 240 produtoras de leite distribuídas por 20 municípios, segundo dados fornecidos pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.

A iniciativa integra o Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) e tem como objetivo apoiar empreendimentos rurais liderados por mulheres. Em 2026, o limite de financiamento por operação passou de R$ 25 mil, valor inicial estabelecido em 2024, para R$ 50 mil.

A ampliação permite estruturar projetos de investimento de maior valor, incluindo a aquisição de máquinas e equipamentos e melhorias na infraestrutura das propriedades. Entretanto, o aumento do limite representa uma possibilidade de financiamento, e não comprova, por si só, que os recursos adicionais já tenham resultado em ganhos de produtividade ou redução de custos.

Energia renovável entre os investimentos

Entre as finalidades contempladas pelo FEAP Mulher estão projetos de energia renovável, infraestrutura produtiva, irrigação, recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária e cultivo em ambiente protegido.

De acordo com a Secretaria, os investimentos em energia renovável estão entre os destaques do programa. Nas propriedades leiteiras, esse tipo de solução pode contribuir para a gestão dos custos associados às operações que demandam eletricidade, como ordenha, resfriamento e beneficiamento do leite.

O órgão informou que foram destinados aproximadamente R$ 861 mil a projetos de energia renovável entre as produtoras de leite. A participação percentual dessa categoria no volume total de crédito, entretanto, ainda precisa ser esclarecida pela Secretaria.

A adoção dessas soluções pode representar uma alternativa para propriedades que buscam maior controle sobre as despesas operacionais. O resultado econômico depende de fatores como o consumo de energia, o dimensionamento do sistema instalado, o investimento inicial e as condições de financiamento.

Além disso, a Secretaria informou que os registros do programa não detalham individualmente os equipamentos adquiridos pelas beneficiárias. Por esse motivo, não é possível quantificar quantas produtoras investiram especificamente em sistemas de ordenha mecanizada, tanques de resfriamento ou automação.

Ordenha mecânica reduz tempo de trabalho na propriedade

O relato da produtora rural Fernanda Torres da Silva, de Cerqueira César (SP), exemplifica como o crédito pode viabilizar mudanças na rotina da pecuária leiteira.

Há cerca de dez anos na atividade, Fernanda conduz a produção no Sítio São Pedro, propriedade de 18 hectares onde trabalha com a família. Em 2024, ela acessou o FEAP Mulher Agro SP e contratou R$ 25 mil para investir na modernização da ordenha.

Com o recurso, adquiriu uma ordenha mecânica, substituindo um equipamento de menor capacidade que permitia retirar o leite de apenas uma vaca por vez. A mudança reduziu significativamente o tempo dedicado à atividade.

Foto: Fernanda Torres em sua propriedade. (Crédito: agricultura.sp.gov.br)

“Quando dei entrada na documentação para o crédito do FEAP Mulher e deu certo, me ajudou muito. Me ajudou bastante. Antes de adquirir essa ordenha, eu tinha um transferidor pequeno que era uma vaca por vez. Eu gastava quase três horas para tirar o leite de 20 vacas. Agora, com esse modelo de ordenha, a gente não gasta uma hora. Tem mais tempo para fazer outras coisas na propriedade”, relata Fernanda.

O caso mostra um resultado operacional concreto do investimento: a redução do tempo necessário para a ordenha de 20 vacas, de quase três horas para menos de uma hora, segundo a produtora. A disponibilidade de mais tempo permite reorganizar as tarefas da propriedade, embora não haja dados informados sobre eventuais mudanças na produção de leite, na renda ou nos custos totais após a aquisição do equipamento.

A experiência também ilustra a importância de adequar o financiamento às necessidades de cada empreendimento. No caso de Fernanda, o crédito foi direcionado a um equipamento que alterou diretamente uma das principais rotinas da atividade leiteira.

Crédito também aproxima produtoras da assistência técnica

Além de financiar investimentos, o FEAP Mulher pode funcionar como uma porta de entrada para o acompanhamento técnico das propriedades. Segundo o secretário executivo do FEAP, Felipe Alves, em reportagem do site da secretaria, em comemoração ao dia internacional da mulher, a elaboração dos projetos e o monitoramento da aplicação dos recursos favorecem uma relação mais próxima entre as produtoras e os profissionais que as orientam.

“O crédito muitas vezes representa o primeiro contato mais estruturado entre o produtor e a assistência técnica. A partir da elaboração do projeto e do acompanhamento da aplicação dos recursos, os técnicos passam a atuar de forma mais próxima nas propriedades, orientando melhorias na produção, na gestão e na adoção de boas práticas. Isso gera mais produtividade, mais renda e contribui para o desenvolvimento regional”, afirma.

A atuação técnica é relevante para que o investimento seja compatível com as necessidades produtivas e com a capacidade financeira da propriedade. A escolha de equipamentos, por exemplo, deve considerar o volume de produção, a rotina de trabalho, a infraestrutura disponível e os custos de operação e manutenção.

No caso da pecuária leiteira, a modernização pode envolver desde a mecanização da ordenha até melhorias no resfriamento do leite, no abastecimento de água e na produção de alimentos para o rebanho. Os resultados, porém, variam conforme as condições de cada sistema produtivo e precisam ser avaliados a partir de indicadores concretos.

Limite maior amplia possibilidades de investimento

Com o teto de R$ 50 mil por operação, o FEAP Mulher passa a permitir o planejamento de projetos mais amplos, conforme a avaliação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Entre as possibilidades estão a modernização de ordenhadeiras, a aquisição de tanques de resfriamento e pasteurizadores e a implantação de soluções de automação. Também podem ser contempladas melhorias no manejo, no abastecimento de água e na produção de alimentos para o rebanho, de acordo com as regras de financiamento.

Esses investimentos podem contribuir para melhorar processos operacionais e organizar a rotina das propriedades. A mecanização, por exemplo, pode reduzir o tempo dedicado a determinadas tarefas, enquanto o resfriamento adequado é uma etapa importante para a conservação da qualidade do leite.

A efetividade dessas melhorias depende, contudo, das condições de cada propriedade, da adequação dos equipamentos às necessidades produtivas e do planejamento financeiro do investimento. A ampliação do limite aumenta a capacidade de financiamento disponível, mas não significa que todas as beneficiárias tenham contratado o novo valor ou realizado investimentos dessa magnitude.

Segundo a Secretaria, o FEAP Mulher oferece financiamento com juros de 3% ao ano, prazo de pagamento de até 84 meses e carência de até 12 meses. O programa também conta com suporte técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP) para o planejamento e a adequação financeira dos projetos.

A avaliação dos resultados considera o número de beneficiárias, os municípios atendidos, o montante liberado, os investimentos implantados e seus impactos sobre a produção e a renda. A Secretaria informa ainda que a linha apresenta a menor taxa de inadimplência entre as opções do FEAP.

O acompanhamento desses indicadores será importante para dimensionar os resultados do programa para além do volume de crédito contratado, especialmente em relação à modernização das propriedades, à redução de custos e à sustentabilidade econômica dos empreendimentos rurais liderados por mulheres.

Ao ampliar o limite por operação e associar o financiamento ao acompanhamento técnico, o FEAP Mulher aumenta as possibilidades de investimento das produtoras paulistas. A experiência de Fernanda mostra como o recurso pode transformar uma etapa da rotina produtiva; a dimensão dos efeitos sobre a produtividade, os custos e a renda, por sua vez, depende de resultados que ainda precisam ser mensurados em maior escala.

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