Congelamento para segurança alimentar de dietas comerciais fabricadas à base de ingredientes de uso humano para cães e gatos
Os animais de estimação estão mais “humanizados” e, no que diz respeito à alimentação animal, há uma replicação de tendências da alimentação humana (Viana et al., 2020).
Assim como na alimentação humana, os alimentos destinados aos animais também estão propensos à contaminação microbiológica, principalmente quando alimentados com dietas cruas, como a infecção por Salmonella spp. e Campylobacter spp. (Joffe e Schlesinger, 2002; Bojanić et al., 2017), além de outros gêneros de bactérias (Weese et al., 2005) e parasitos (Ahmed et al., 2021). |
Pesquisas realizadas com dietas cruas demonstraram que apesar da maioria dos animais não apresentarem sinais clínicos, a disseminação de Salmonella spp. persiste por até uma semana no ambiente (Finley et al., 2007).
Essa contaminação pode levar a uma variedade de doenças, tornando-a uma questão de saúde única (LeJeune e Hancock, 2001).
O uso de temperaturas de resfriamento e congelamento são os métodos convencionais mais utilizados para evitar a proliferação de microrganismos sem recorrer a aditivos conservantes sintéticos.
Porém, a eficácia dessas abordagens varia de acordo com as espécies dos patógenos, seu estágio de desenvolvimento e as condições de temperatura e tempo envolvidas (Freeman et al., 2013; Franssen et al., 2019).
CONGELAMENTO vs. RESFRIAMENTO DOS ALIMENTOS IN NATURA
O uso das baixas temperaturas, aliado às BPF, pode retardar a multiplicação dos microrganismos e as reações químicas e enzimáticas (Lopes, 2007), prolongando o tempo de preservação dos alimentos.
Dentre os métodos de conservação de alimentos estão o congelamento e resfriamento. Porém, é importante ressaltar que estes são processos distintos, e portanto os prazos de conservação também diferem.
- Sob essas condições, os alimentos podem ser armazenados por até 6 meses (Couto e Corte Real, 2019), desde que sejam seguidas as recomendações específicas de congelamento e descongelamento para cada tipo de alimento.
- Isso é essencial para evitar a formação de cristais de gelo, que têm o potencial de alterar algumas características dos alimentos (Kawai e Hagiwara, 2018).
Aliado a esses métodos citados, novas técnicas têm sido aplicadas com o intuito de potencializar a conservação por temperaturas frias, como a aplicação de embalagem à vácuo (Zhu, Li e Sun, 2021).
TEMPO DE PRATELEIRA E GARANTIA DA QUALIDADE DOS ALIMENTOS CONGELADOS
O congelamento de alimentos é comumente utilizado na preservação dos mesmos, visando o aumento do tempo de prateleira. De acordo com Fellows (2006), a preservação dos alimentos é uma combinação da temperatura, redução da atividade de água e branqueamento em alguns alimentos. No entanto, aspectos como a forma de estocagem, embalagens, transporte e manipulação devem ser levados em consideração.
Tabela 1. Vida de prateleira de carnes (determinada por PSL- vida de prateleira prática).
Fonte: Adaptado de Fellows, P.J.
No caso de alimentos de origem vegetal, como frutas, hortaliças e vegetais, a recomendação é que sejam consumidos em um curto período de tempo. Quando congelados, o crescimento microbiológico é retardado, porém é importante considerar a utilização de métodos que retardem o escurecimento desses alimentos, já que esse aspecto visual pode desagradar os tutores.
Primo et al. (2018) avaliaram o efeito do branqueamento e imersão em ácido cítrico no congelamento de frutas e hortaliças, dentre elas maçãs, bananas, peras, brócolis e batatas, e foi demonstrado que o uso do ácido auxiliou a retardar o escurecimento.
Contudo, além da temperatura, também deve-se considerar outros fatores (obstáculos) para evitar o crescimento de microrganismos indesejáveis e aumentar a segurança e a durabilidade dos alimentos.
Esses “obstáculos” podem incluir fatores como:
De forma geral, baixas temperaturas diminuem ou até mesmo cessam o crescimento microbiano. Porém, é importante compreender a faixa de crescimento dos microrganismos em cada alimento individualmente.
Os microrganismos bacterianos classificados como psicrotróficos são os mais preocupantes, pois apresentam crescimento mesmo em refrigeração a 7°C.
Assim, estudos ressaltam a importância da seleção da temperatura ao armazenar um alimento e seu impacto sobre a sua qualidade (Jay, 2005).
É fundamental respeitar o ponto de congelamento de cada tipo de alimento.
Além disso, deve-se levar em consideração a umidade relativa do ambiente, uma vez que os alimentos podem absorver água do meio, especialmente quando a atividade de água é igual a 0,6 (Jay, 2005).
EFEITO DA ATIVIDADE DA ÁGUA SOBRE OS ALIMENTOS
Entre os diversos fatores relacionados ao crescimento de microrganismos nos alimentos, a atividade de água destaca-se como o mais significativo. A atividade de água é a água livre disponível para o crescimento de microrganismos patogênicos.
A Figura 1 (Fennema, 2000) representa a taxa relativa de deterioração em relação à atividade de água, destacando que o crescimento de bactérias começa em torno de 0,9. No entanto, já ocorre crescimento de mofo e atividade enzimática antes desse ponto.
Portanto, a faixa de atividade de água prioritária nos alimentos é geralmente de 0,4 a 0,6, já que abaixo de 0,3 já se observa a presença de compostos resultantes de oxidação lipídica nos alimentos.
Figura 1. Adaptado de Fennema, 2000
É importante notar que a umidade está relacionada ao teor de água ligada, ou seja, a água que não está disponível para o crescimento de microrganismos, somada à água livre. Como tal, umidade e atividade de água são conceitos distintos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Referências bibliográficas sob consulta. [/cadastrar]