No estúdio da agriNews Brasil durante o SIAVS 2026, Cleber Bertuol Tizato, diretor e administrador da ITPSA do Brasil, explicou a expansão da empresa em pet food, os avanços em antioxidantes naturais e como a padronização de extratos vegetais pode determinar a eficácia dos fitoterápicos.
O estúdio da agriNews Brasil esteve presente no SIAVS 2026 com uma estrutura dedicada à produção de conteúdo técnico e à aproximação entre empresas, especialistas e profissionais da cadeia de proteína animal. Entre os convidados, Cleber Bertuol Tizato, diretor e administrador da ITPSA do Brasil, apresentou a trajetória da empresa espanhola e detalhou os movimentos mais recentes da companhia no mercado brasileiro.
Com quase seis décadas de atuação, a ITPSA construiu sua história a partir da pesquisa e do desenvolvimento de aditivos para alimentação animal. Atualmente, amplia sua atuação com um portfólio específico para pet food, além de soluções naturais e fitoterápicas destinadas a diferentes espécies.
Mas, diante de um mercado cada vez mais interessado em ingredientes naturais, surge uma questão fundamental: ser natural é suficiente para garantir eficiência?
Da pesquisa científica à expansão no mercado pet
Fundada em Barcelona, na Espanha, em 1968, a ITPSA surgiu a partir da experiência científica de seu fundador, Francisco Puiggal, que trabalhou durante anos na área técnica da Monsanto. O primeiro produto da empresa foi um pigmento natural à base de páprica. Na década de 1970, a companhia passou a atuar também com moléculas antioxidantes e, posteriormente, ampliou seu portfólio para antifúngicos, palatabilizantes e outras soluções destinadas à alimentação animal.
Segundo Cleber, a empresa passou durante anos fabricando produtos para terceiros dentro do segmento pet food. Essa experiência acabou levando a companhia a identificar uma oportunidade para desenvolver uma linha própria.
“A gente já tinha todo um corpo técnico que desenvolvia fórmulas para pet, desenvolvendo produtos. Só faltava criar uma linha de produtos, uma marca, registros. Só faltava a parte burocrática”, explicou.
Atualmente, a linha contempla antioxidantes sintéticos e naturais, incluindo diferentes formulações à base de tocoferóis, além de antifúngicos direcionados ao mercado de alimentos para cães e gatos.
Natural não significa que todos os antioxidantes sejam iguais
A busca por alternativas naturais é uma tendência que ganha força no mercado pet, especialmente entre consumidores preocupados com bem-estar animal e composição dos alimentos. A ITPSA trabalha com antioxidantes sintéticos, reconhecidos pela elevada eficiência, e naturais, como os tocoferóis. A diferença, porém, não está apenas na origem do ingrediente.
Cleber chamou atenção para um detalhe técnico que pode passar despercebido: os diferentes tipos de tocoferóis apresentam funções distintas. O alfa-tocoferol, por exemplo, está relacionado à vitamina E e possui importante atuação no organismo. Já para a proteção de substratos e rações, outros tipos, como o delta-tocoferol, podem apresentar maior eficiência.
“Nem todos os tocoferóis são iguais. (…) Para proteger um substrato, seria o delta. Então, existe tipo de tocoferol que é para uso interno e outro que é mais específico para proteger a ração”, destacou.
Essa diferenciação é importante porque evita que produtos classificados genericamente como “naturais” sejam considerados equivalentes sem uma avaliação mais aprofundada de sua composição.
O desafio de transformar plantas em produtos padronizados
A ITPSA também está ampliando sua presença no mercado brasileiro com uma linha de fitoterápicos à base de extratos vegetais. São produtos desenvolvidos para finalidades específicas e que podem combinar um único extrato ou diferentes extratos de plantas. Entre as aplicações citadas estão soluções para estresse, modulação hepática e suporte ao estado inflamatório.
Mas existe um desafio técnico importante: a variabilidade natural das plantas. Diferentes lotes de uma mesma espécie vegetal podem apresentar concentrações distintas de princípios ativos dependendo da origem, fornecedor ou região de cultivo. Para transformar essa matéria-prima em uma solução consistente, é necessário identificar e padronizar os compostos presentes.
Por isso, a empresa utiliza análises laboratoriais, incluindo HPLC, para determinar a concentração dos princípios ativos antes da formulação.
“Não adianta você pegar simplesmente 500 gramas de um extrato, outro extrato, misturar. Você tem que passar no HPLC, analisar, tem que passar no laboratório. Esse é o primeiro ponto”, ressaltou Cleber.
Como medir o resultado de um fitoterápico?
A avaliação da eficiência também depende da finalidade de cada produto. Em nutrição animal, isoladamente, é difícil atribuir determinado resultado a uma única solução, já que fatores como ambiente, sanidade, manejo e biosseguridade interferem simultaneamente no desempenho.
Por isso, segundo Cleber, cada produto precisa ter parâmetros específicos de avaliação. No caso de um hepatomodulador, por exemplo, a análise pode acompanhar indicadores relacionados ao fígado antes e depois da utilização do produto, com avaliações em diferentes períodos.
A linha também inclui soluções que podem ser utilizadas preventivamente, em dosagens menores, ou em determinadas situações como parte de uma estratégia terapêutica, com ajustes de dose e formas de administração.
Entre os exemplos apresentados está o produto Enarelax, voltado à redução do estresse em situações como o transporte de animais para frigoríficos.
Conhecimento como parte da entrega
A expansão da ITPSA no Brasil não se resume à comercialização de produtos. A empresa mantém estrutura de pesquisa e desenvolvimento na Espanha, laboratório, área experimental própria e equipes voltadas à criação de novas soluções.
Essa característica está diretamente relacionada à origem da companhia: uma empresa que, segundo Cleber, nasceu dentro de laboratórios científicos. Ao falar sobre a estratégia da ITPSA, o executivo resumiu a proposta que pretende levar aos clientes brasileiros: não apenas fornecer uma solução, mas explicar sua aplicação e fundamento técnico.
“O nosso trabalho não é simplesmente só levar o produto no cliente. Tem que explicar também o porquê, levar conhecimento também para o cliente”, afirmou.
Durante o SIAVS 2026, essa combinação entre ciência, padronização e novas demandas do mercado mostrou como o desenvolvimento de soluções naturais para alimentação animal passa por uma etapa que vai muito além da substituição de um ingrediente sintético por um vegetal: é preciso conhecer o ativo, controlar sua concentração e entender exatamente qual resultado se pretende alcançar.
