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Extrato de <i>Macleaya cordata</i>: impacto na eficiência alimentar de frangos

O extrato de Macleaya cordata (Sangrovit®) é um fitogênico padronizado, rico em alcaloides benzofenantridínicos e isoquinolínicos, especialmente sanguinarina e queleritrina.

O extrato de Macleaya cordata (Sangrovit®) é um fitogênico padronizado, rico em alcaloides benzofenantridínicos e isoquinolínicos, especialmente sanguinarina e queleritrina.

META-ANÁLISE: REDUÇÃO DA CONVERSÃO ALIMENTAR E MORTALIDADE EM FRANGOS DE CORTE POR MEIO DO EXTRATO DE MACLEAYA CORDATA

José Otávio B. Sorbara, PhD – University of Georgia, USA Department of Poultry Science PHYTOBIOTICS

Macleaya cordata é uma planta medicinal da família Papaveraceae, conhecida pelo seu elevado teor de alcaloides isoquinolínicos, especialmente sanguinarina, queleritrina, protopina, alocriptopina. Esses compostos possuem propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias e moduladoras da resposta imune. Em ensaios conduzidos em diferentes países, o extrato de Macleaya cordata (Sangrovit®) promoveu melhora na conversão alimentar (-0,041 na CA) e reduziu a mortalidade acumulada nas granjas em cerca de 25% em termos relativos, sem comprometer a taxa de crescimento dos animais.

De acordo com o National Chicken Council, a mortalidade de frangos de corte nos Estados Unidos tem aumentado nos últimos anos (Figura 1), pressionando as margens e tornando mais desafiador o atendimento aos indicadores de bem-estar animal.

Figura 1. Taxa de mortalidade (%) de frangos de corte por ano, segundo
o NCC (National Chicken Council).

Nesse contexto, integradoras e produtores têm buscado alternativas, questionando se soluções de origem vegetal podem melhorar o desempenho produtivo e reduzir a mortalidade, especialmente em aves mais pesadas e sob estresse no final do ciclo produtivo. Uma recente meta-análise com extrato de Macleaya cordata (MCE) traz uma resposta consistente e fundamentada em dados para essa questão. A análise compreendeu 36 testes experimentais, totalizando 72 comparações diretas entre tratamento Controle e tratamento suplementado com MCE, conduzidas em diversos países, anos e condições de produção.

Essa amplitude experimental confere maior robustez aos resultados, uma vez que contempla distintos contextos sanitários, ambientais e de manejo. Aproximadamente 50% dos estudos incluíram modelos de desafio sanitário explícito, tais como: Infecção por coccídios, Clostridium perfringens, Estresse térmico, Alta densidade de alojamento e Exposição a micotoxinas.

Dessa forma, a meta-análise avaliou não apenas condições produtivas padrão, mas também cenários de maior pressão fisiológica e sanitária, permitindo compreender a eficácia do MCE em diferentes cenários. O período de produção avaliado nos estudos estendeu-se por até 56 dias, abrangendo todo o ciclo produtivo de frangos de corte, incluindo fases críticas como o crescimento acelerado e o período final.

MODO DE AÇÃO DA MACLEAYA CORDATA

O extrato de Macleaya cordata (Sangrovit®) é um fitogênico padronizado, rico em alcaloides benzofenantridínicos e isoquinolínicos, especialmente sanguinarina e queleritrina. Esses compostos bioativos apresentam reconhecida atividade biológica no trato gastrointestinal, atuando principalmente na modulação de respostas inflamatórias e na manutenção da integridade intestinal. Seu mecanismo de ação pode ser compreendido a partir de dois pilares principais:

  1. O primeiro envolve a modulação de vias inflamatórias, com redução da ativação de sinalizações associadas ao NF-κB e aos receptores do tipo Toll (TLR) na mucosa intestinal, bem como da produção de mediadores pró-inflamatórios, como TNF-α, IL-1β e IL-6. Ao atenuar processos inflamatórios subclínicos, o MCE contribui para diminuir o custo energético associado à resposta imune, redirecionando energia para o crescimento e desempenho produtivo, o que é consistente com as melhorias observadas na conversão alimentar.

  2. O segundo pilar refere-se ao suporte à integridade da barreira intestinal. O MCE favorece a manutenção de proteínas de junção estreita, como ZO-1, ocludina e claudinas, além de contribuir para a preservação das vilosidades intestinais. A redução da permeabilidade intestinal está associada a menor translocação de patógenos e toxinas, bem como à diminuição de distúrbios entéricos.

RESULTADOS OBTIDOS

Os principais resultados obtidos com a meta-análise evidenciam impacto consistente da suplementação com o MCE sobre indicadores produtivos e sanitários. A conversão alimentar foi significativamente melhorada, passando de 1,66 no grupo controle para 1,619 nos animais suplementados com MCE (Δ -0,041; p < 0,001), conforme ilustrado na Figura 2. Essa redução, embora numericamente discreta, representa ganho relevante em eficiência alimentar quando considerada em escala comercial.

Figura 2. Conversão alimentar (CA) por tratamento, com base em 72 comparações diretas (head-to-head).

No que se refere à mortalidade em nível de granja, observou-se redução de 6,1% no tratamento controle para 4,6% no tratamento MCE, correspondendo a uma diminuição de 1,5 ponto percentual, aproximadamente 25% em termos relativos (p < 0,001), conforme apresentado nas Figuras 3 e 4.

Figura 3 — Diferença absoluta de mortalidade (MCE − Controle, em pontos percentuais, pp) para cada comparação, agrupada por país e colorida por classe de desafio. Valores negativos indicam menor mortalidade com MCE. A distribuição apresenta um padrão predominantemente negativo em diferentes regiões e modelos de desafio (coccidiose, C. perfringens, coccidiose + C. perfringens, estresse térmico, densidade de alojamento, micotoxinas ou ausência de desafio), evidenciando a consistência da resposta, uma vez que 57 das 72 comparações demonstraram redução na mortalidade.

Figura 4 — Mortalidade com MCE versus controle em 72 comparações. As faixas sombreadas em azul representam os intervalos de confiança/ predição de 95%. A mortalidade no grupo MCE aumenta de forma mais lenta do que no controle à medida que o risco se eleva (inclinação ≈ 0,60). Para cada aumento de +1% no risco basal, observa-se aproximadamente 0,40 ponto percentual adicional de redução com MCE, indicando que o benefício é mais expressivo em aviários com maior nível de risco.

Trata-se de um efeito não apenas estatisticamente significativo, mas também operacionalmente expressivo, com implicações diretas sobre rentabilidade e indicadores de bem-estar animal.

Quanto ao ganho médio diário, os valores foram de 0,062 kg/dia no tratamento controle e 0,063 kg/dia no tratamento MCE, sem diferença estatisticamente significativa. Esse resultado demonstra que a melhora na conversão alimentar e a redução da mortalidade ocorreram sem prejuízo da taxa de crescimento, reforçando a consistência biológica e produtiva da estratégia.

INTEGRAÇÃO DO EXTRATO DE MACLEAYA CORDATA AOS PROGRAMAS DE CONTROLE DE COCCIDIOSE E ENTERITE NECRÓTICA

A integração do extrato de Macleaya cordata (MCE) aos programas de controle de coccidiose e enterite necrótica pode ser realizada de forma estratégica e complementar às ferramentas já consolidadas na produção comercial. O MCE é compatível com diferentes abordagens de controle de coccidiose, incluindo vacinas, ionóforos, anticoccidianos químicos e programas de rotação, permitindo sua inclusão sem interferir nos protocolos sanitários estabelecidos.

No contexto de programas integrados de saúde intestinal, o MCE pode ser associado a probióticos (como Bacillus spp.), ácidos orgânicos e blends de óleos essenciais, compondo uma estratégia multifatorial sem prejuízo ao desempenho zootécnico. Essa característica é particularmente relevante em sistemas que buscam a substituição de antibióticos promotores de crescimento (AGPs), nos quais a eficiência alimentar e a redução de mortalidade precisam ser sustentadas por soluções não antibióticas. Nesse cenário, os ganhos em conversão alimentar e a diminuição da mortalidade observados com o MCE tendem a ser complementares às melhorias obtidas com ajustes de ventilação, manejo de cama, densidade de alojamento e qualidade da água.

Do ponto de vista operacional, recomenda-se priorizar sua utilização em granjas ou complexos com perdas acumuladas iguais ou superiores a 5-7%, em lotes de aves mais pesadas ou mais velhas, ou ainda em sistemas com histórico conhecido de pressão por enterite necrótica.

Considerando que a mortalidade em campo geralmente se intensifica após aproximadamente o 40º dia de criação, a estratégia pode incluir a introdução ou intensificação do uso de MCE a partir do 35º dia até o abate, especialmente em programas voltados à produção de aves com peso vivo entre 3,6 e 4,5 kg. Essa abordagem concentra a intervenção no período de maior risco e maior impacto econômico.

Para assegurar a efetividade e o correto posicionamento da ferramenta, recomenda-se monitorar as perdas por semana (distinguindo mortalidade inicial da tardia), manter a separação entre descartes, condenações e mortalidade em granja, e preservar a rotina diagnóstica de coccidiose (escores de lesão e contagem de oocistos). Esse acompanhamento permite validar a complementaridade do MCE dentro do programa sanitário e otimizar o momento de sua aplicação ao longo do ciclo produtivo.

CONCLUSÃO

De forma geral, os dados demonstram que, em diferentes países e sob variados desafios sanitários, o extrato de Macleaya cordata promoveu melhora consistente na conversão alimentar e redução da mortalidade, sem comprometer a taxa de crescimento das aves. Esses resultados reforçam o potencial do MCE em diferentes contextos produtivos.

Adicionalmente, o MCE apresenta elevada compatibilidade com os principais programas de controle sanitário, incluindo vacinas contra coccidiose, ionóforos e anticoccidianos, e associado com outros aditivos como probióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais. Essa característica favorece sua inserção em programas multifatoriais de saúde intestinal e em sistemas voltados à redução do uso de antibióticos.

A aplicação do extrato de Macleaya cordata mostra-se particularmente estratégica a partir dos 35 dias de idade, especialmente em produção de aves com peso final entre 3,6 e 4,5 kg. Assim, o MCE se mostra como uma ferramenta relevante para mitigar perdas no final do ciclo produtivo, ao mesmo tempo em que sustenta a eficiência alimentar.

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