Os preços de milho e soja recuaram no mercado brasileiro nos últimos dias, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar de ambos os mercados sofrerem influência das condições externas, os fundamentos do movimento de baixa são diferentes.
No milho, a pressão vem principalmente do baixo interesse dos compradores. Segundo o Cepea, parte dos agentes está afastada de novas aquisições por indicar que possui estoques suficientes para o consumo imediato. Ao mesmo tempo, produtores demonstram maior flexibilidade nas negociações, tanto em relação aos preços quanto às condições de entrega e aos prazos de pagamento.
O cenário também é influenciado pelo ritmo das exportações. De acordo com o Cepea, os embarques brasileiros seguem abaixo dos registrados no ano passado, o que aumenta entre os compradores a percepção de que a oferta poderá crescer. A expectativa de produção recorde reforça esse cenário: segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/26 deve alcançar 144 milhões de toneladas, mesmo com redução da produtividade.
Na soja, a queda ocorre após as fortes altas registradas em setembro. No mercado internacional, o avanço da colheita da safra 2026/27 no Hemisfério Norte aumentou a pressão sobre as cotações.
No Brasil, a liquidez também diminuiu no mercado spot diante da forte desvalorização externa. Segundo o Cepea, o movimento ocorreu após as tarifas sobre a soja ficarem fora das negociações entre Estados Unidos e China. A alta dos prêmios de exportação brasileiros, contudo, limitou o repasse da queda internacional aos preços domésticos.
Assim, enquanto o milho enfrenta principalmente demanda mais fraca e expectativa de maior disponibilidade, a soja sente com maior intensidade os efeitos do avanço da colheita norte-americana e da movimentação dos preços internacionais.
