nutriFÓRUM 2027 debate eficiência e inovação na nutrição animal
Custos, eficiência, saúde, sustentabilidade, tecnologia e mercado devem tornar as decisões nutricionais cada vez mais estratégicas para a produção animal
Por redação nutriNews Brasil.
O ano de 2027 marca uma reformulação de gestão no Brasil, além das incertezas globais que se arrastam nas páginas da história. A pressão por eficiência econômica, a busca por maior previsibilidade dos resultados, os desafios relacionados à saúde intestinal, a redução do uso de antimicrobianos, as demandas ambientais e a incorporação de novas tecnologias estão tornando a tomada de decisão nutricional mais complexa.
O nutriFÓRUM Brasil, em sua edição de 2027, propõe uma discussão voltada não apenas aos desafios já conhecidos da produção animal, mas também às transformações que começam a alterar a forma como o setor toma decisões. A proposta é colocar em debate o que está mudando, quais conhecimentos serão necessários diante dessas mudanças e como ciência, tecnologia e experiência de campo podem contribuir para respostas mais eficientes.
Para o professor titular de Nutrição de Animais Monogástricos da Universidade Federal de Goiás (UFG), José Henrique Stringhini, esse movimento exige uma visão cada vez mais integrada da produção. E a mudança começa por uma questão que continua central para o setor: como produzir mais e melhor sem aumentar proporcionalmente os custos?
Eficiência não é apenas reduzir o custo da ração
Na produção de aves, a alimentação representa uma parcela importante dos custos. Isso faz com que qualquer ganho de eficiência na formulação, no aproveitamento dos nutrientes ou na conversão alimentar tenha impacto direto sobre a rentabilidade. Mas, segundo Stringhini, olhar apenas para o preço da dieta pode levar a decisões incompletas.
José Henrique Stringhini
“A nutrição de precisão é um dos grandes objetivos dos nutricionistas modernos.”
Na prática, isso envolve uma cadeia de decisões que começa na qualidade e na caracterização dos ingredientes. Tecnologias como a espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS), utilizada tanto em análises de bancada quanto em sistemas inline, podem ampliar a capacidade de avaliar matérias-primas e ajustar as formulações.
Também ganham importância os bancos de dados de composição dos alimentos e a busca pelas melhores relações entre nutrientes e energia. A lógica é utilizar melhor aquilo que já está disponível na dieta, reduzindo desperdícios sem comprometer desempenho, saúde ou qualidade da produção.Essa eficiência, entretanto, não termina dentro da fábrica de ração.
“A nutrição precisa dialogar com diferentes áreas da cadeia produtiva, incluindo integração e fomento, incubatório e abatedouro. É uma mudança de perspectiva: em vez de analisar isoladamente o custo de uma fórmula, precisamos compreender como a decisão nutricional interfere no resultado do sistema como um todo”, explica Stringhini.
Saúde intestinal passa a fazer parte da conta
A discussão sobre eficiência também está diretamente relacionada à saúde. A pressão pela redução do uso de antimicrobianos e a necessidade de manter desempenho produtivo tornam o equilíbrio intestinal uma das questões mais importantes para a nutrição moderna.
A sustentabilidade, por sua vez, deixou de ser apenas um conceito associado ao impacto ambiental. Ao longo das últimas décadas, especialmente com a maior consolidação das agendas ambientais e dos compromissos internacionais, passou a envolver dimensões econômicas, sociais e ambientais.
“É preciso integrar as regras econômicas, sociais e ambientais para melhorar a eficiência da produção sem comprometer o meio ambiente e a saúde humana”, explica Stringhini.
Esse processo também estimulou a busca por alternativas nutricionais capazes de contribuir para a saúde intestinal. Prebióticos, probióticos, ácidos orgânicos, extratos vegetais e óleos essenciais estão entre as ferramentas disponíveis, enquanto enzimas podem atuar diretamente na digestão e na absorção dos nutrientes.
O ponto mais importante, porém, não está necessariamente em escolher uma única solução.
“A combinação desses aditivos e de outros, como as enzimas, pode contribuir fortemente para o equilíbrio da microbiota intestinal e reduzir a pressão de microrganismos patogênicos sobre as aves”, explica.
Sustentabilidade precisa entregar resultado
A sustentabilidade também passa a ser avaliada sob uma perspectiva mais pragmática. Reduzir desperdícios, melhorar a digestibilidade dos nutrientes, utilizar melhor as matérias-primas e diminuir perdas pode representar simultaneamente uma vantagem econômica e ambiental.
Nesse contexto, a nutrição ganha uma função que ultrapassa a formulação da dieta. Ela pode contribuir para melhorar a eficiência do sistema produtivo e, ao mesmo tempo, responder a demandas crescentes de consumidores, mercados e empresas por processos mais sustentáveis. Esse movimento já ocorre em grandes indústrias avícolas brasileiras, que vêm utilizando diferentes combinações de aditivos e estratégias nutricionais voltadas à saúde intestinal e à eficiência.
Inteligência artificial não substitui o nutricionista
Se os desafios nutricionais estão ficando mais complexos, a quantidade de informações disponíveis também aumenta. Inteligência artificial, sensores, automação, sistemas de coleta de dados e formulação de precisão devem ocupar espaço cada vez maior na produção animal.
Essas tecnologias já encontram aplicações em diferentes etapas da cadeia, desde equipamentos de fábricas de ração até aviários modernos, incubatórios e abatedouros. A expectativa é que a maior capacidade de monitoramento e processamento de dados ajude a reduzir custos e elevar a eficiência no médio e longo prazo. Mas existe uma condição para que essa transformação aconteça: saber utilizar a tecnologia.
“O domínio da tecnologia é o grande desafio. A inteligência artificial precisa caminhar ao lado da capacidade humana de interpretar informações, compreender o sistema produtivo e tomar decisões. A tecnologia pode ampliar as possibilidades, mas é o conhecimento humano que permite transformar os dados em decisões aplicáveis à produção. É preciso entender a importância da ‘inteligência natural’ associada à ‘inteligência artificial’ na tomada de decisões em busca da eficiência produtiva”, explica Stringhini
A provocação é relevante porque mais dados não significam necessariamente melhores decisões. O diferencial estará na capacidade de transformar informação em ação e avaliar se a tecnologia utilizada realmente produz retorno econômico e produtivo.
De respostas isoladas para uma visão integrada
É justamente nessa interseção que a discussão sobre nutrição animal em 2027 ganha dimensão estratégica. Custos de ingredientes, formulação, saúde intestinal, redução de antimicrobianos, sustentabilidade, automação, inteligência artificial e eficiência produtiva não são temas independentes.
Encontro marcado para debates propositivos
O nutriFÓRUM Brasil 2027 está marcado para os dias 30 e 31 de março, em Campinas (SP), pretende colocar a nutrição animal no centro de discussões que conectam ciência, produção e mercado.
Inscrições abertas:nutriforumbrasil.com
A amplitude do debate também é reforçada pelo apoio de entidades como Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ), Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), Instituto de Zootecnia (IZ), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) e Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).
Priscila Beck, diretora da agriNews Brasil
“A nutrição animal deixou de ser uma discussão restrita à formulação. Hoje, decisões nutricionais estão diretamente ligadas à eficiência produtiva, ao custo, à qualidade dos processos, à sanidade e à competitividade das empresas. É a partir dessa visão que estamos construindo o nutriFÓRUM 2027, para colocar ciência e mercado na mesma mesa para discutir os desafios que realmente estão chegando à rotina de quem formula, produz, compra, gerencia fábricas e toma decisões. Mais do que apresentar tendências, queremos provocar discussões capazes de ajudar o setor a tomar decisões melhores.”, afirma Priscila Beck, diretora da agriNews Brasil.
nutriFÓRUM 2027 debate eficiência e inovação na nutrição animal
