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Panavora manterá vitaminas na América Latina e integrará soluções nutricionais

Em entrevista exclusiva ao grupo editorial agriNews Brasil, Luiz Magalhães explica o atendimento aos clientes durante a transição e como os serviços de precisão se conectam às recomendações nutricionais

Por Priscila Beck, de Kuala Lumpur, Malásia

A futura Panavora deverá continuar fornecendo vitaminas e carotenoides a boa parte dos clientes latino-americanos, além de reunir premixes, ingredientes e serviços de precisão em sua estratégia de soluções nutricionais. Segundo Luiz Magalhães, presidente de Nutrição e Saúde Animal da dsm-firmenich para a América Latina, a reorganização do negócio busca especialização, com continuidade dos canais de atendimento e maior integração entre produtos, dados e consultoria.

Para fabricantes de ração, nutricionistas e responsáveis por compras, essa configuração envolve duas questões práticas: como ficará o acesso aos insumos e de que maneira as informações da produção poderão orientar as soluções fornecidas pela empresa.

Magalhães detalhou essa proposta em entrevista exclusiva ao grupo editorial agriNews Brasil, durante o World Nutrition Forum 2026, organizado pela dsm-firmenich em Kuala Lumpur (Malásia). A conversa ocorreu após a apresentação da Panavora, marca anunciada para o futuro negócio de soluções de nutrição e saúde animal.

Segundo o executivo, a integração entre ciência, tecnologia e atendimento já faz parte da trajetória do negócio. A nova etapa deverá concentrar esforços no mercado de proteína animal e no desenvolvimento de soluções para produtividade, eficiência, saúde, sustentabilidade e bem-estar.

Como deverá funcionar o fornecimento de vitaminas

A estrutura apresentada prevê uma empresa dedicada a soluções integradas, reunindo premixes, ingredientes e serviços de precisão, e outra voltada a produtos essenciais, como vitaminas e carotenoides. Magalhães explicou que os insumos utilizados na fabricação de premixes continuarão sendo adquiridos da empresa de produtos essenciais. Na América Latina, a Panavora deverá manter o fornecimento de vitaminas e carotenoides a boa parte dos clientes que compram esses produtos.

Determinados compradores, atendidos diretamente a partir da Europa em razão de seu perfil e volume de compra, deverão continuar com esse modelo. A mensagem do executivo é de continuidade operacional. Segundo ele, a divisão deverá permitir que cada empresa concentre esforços nas características de seu negócio e nas necessidades dos mercados atendidos.

Para os clientes, a proposta é preservar o acesso aos produtos enquanto se desenvolve uma estrutura empresarial mais especializada.

A necessidade do cliente orienta a solução

Na atuação da futura Panavora, Magalhães descreveu uma combinação entre premixes, ingredientes específicos e serviços de precisão. Esses componentes podem ser utilizados de diferentes formas, conforme a necessidade identificada na produção.

A empresa poderá fornecer um ingrediente isoladamente ou reunir produtos em uma solução preparada para aplicação pelo cliente. Segundo o executivo, o premix facilita esse trabalho ao entregar uma combinação previamente formulada para determinada demanda. A escolha, afirmou, deve acompanhar a necessidade do cliente.

Os serviços de precisão entram nessa estratégia como apoio à identificação dos desafios e à definição das intervenções. A proposta é conectar o conhecimento sobre o que acontece com os animais à recomendação nutricional e ao fornecimento dos produtos.

“Porque você só consegue gerenciar bem se você tem dados e informações para tomar as decisões”, afirmou.

Magalhães também destacou que saúde e desempenho estão interligados. Em sua avaliação, o desenvolvimento de ingredientes e formulações precisa considerar essa relação, assim como os objetivos de eficiência, sustentabilidade e bem-estar animal.

Dos biomarcadores ao ajuste nutricional

Na avicultura, o executivo citou o Verax como exemplo da conexão entre informação e intervenção. Segundo ele, a ferramenta utiliza biomarcadores para apoiar a avaliação da saúde e do desempenho dos frangos, podendo identificar sinais de alterações de sete a dez dias antes da manifestação do problema.

Para dimensionar esse intervalo em um ciclo produtivo de aproximadamente 40 dias, Magalhães fez uma analogia com a possibilidade de conhecer determinados riscos à saúde humana cerca de 25 anos antes.

A aplicação descrita por ele consiste em utilizar as informações para orientar uma nutrição adaptada às características dos animais de uma granja. Nesse modelo, o dado ajuda a identificar uma necessidade, a avaliação técnica orienta a recomendação e os ingredientes ou premixes permitem executar a intervenção nutricional.

Inteligência artificial e consultoria na mesma sequência

Na bovinocultura, Magalhães apresentou o FarmTell como exemplo de ferramenta de gestão que reúne informações dos animais e das condições da propriedade. Alimentação, água, pastagens e manejo estão entre os aspectos mencionados.

Segundo ele, a inteligência artificial permite compilar os dados e extrair informações relevantes para a avaliação da fazenda. A recomendação passa, então, pela análise de um profissional.

“Esse consultor avalia e sugere uma determinada nutrição específica para o gado de corte ou gado de leite, no caso.”

A sequência pode resultar no fornecimento de uma solução nutricional preparada para a necessidade identificada naquela operação.

Magalhães acrescentou que o acúmulo de informações permite melhorar a precisão das análises e apoiar comparações entre sistemas produtivos. Essas avaliações podem reunir dados da própria fazenda e referências da base acumulada, considerando diferenças de região, genética, saúde, nutrição e ambiente.

O executivo afirmou que as informações dos clientes são mantidas sob sigilo. Em sua explicação, a inteligência artificial contribui para processar o volume de dados, enquanto a consultoria técnica transforma os resultados em recomendações para a propriedade.

Clima e matérias-primas ampliam a complexidade

Ao avaliar os desafios latino-americanos, Magalhães destacou as mudanças nas condições climáticas e no comércio internacional. Na produção, os efeitos do clima alcançam a adaptação dos animais, o funcionamento das fazendas e a qualidade das matérias-primas utilizadas na alimentação. Milho, soja e trigo foram mencionados como ingredientes cujas condições podem repercutir sobre a saúde animal.

Para o executivo, esse cenário amplia a importância de combinar conhecimento técnico e soluções nutricionais que ajudem os produtores a responder às mudanças.

Ele também considera que exigências de compradores internacionais podem estimular avanços nos protocolos produtivos. Como exemplo, citou o chamado “boi China”, associado ao atendimento de requisitos do mercado chinês.

Na avaliação de Magalhães, a adaptação a essas condições criou uma referência comercial e contribuiu para elevar o padrão da produção. O caso ilustra sua visão de que o Brasil consegue transformar novas demandas em oportunidades de diferenciação.

Eficiência e sustentabilidade como objetivos complementares

Magalhães relaciona o desenvolvimento da produção à integração entre saúde animal, produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.

“Eu sempre acho que tem uma conexão direta, sustentabilidade, segurança alimentar e eficiência e produtividade.”

Segundo ele, as tecnologias de dados e os ingredientes podem atuar de forma complementar no enfrentamento dos desafios da indústria. A identificação de alterações na saúde, o direcionamento das intervenções e a busca por eficiência fazem parte dessa abordagem.

A segurança alimentar, acrescentou, ganha relevância nas estratégias dos países e reforça a importância de desenvolver a oferta de proteína animal de forma sustentável.

Transição ainda depende da conclusão da operação

Na entrevista, Magalhães ressaltou que o negócio ainda integrava a dsm-firmenich e que a conclusão da transação permanecia pendente. O executivo não estabeleceu uma data definitiva para a mudança.

Ele também destacou a permanência da dsm-firmenich como acionista minoritária, com participação de 20% no negócio reorganizado.

“Eu acho que é uma evolução, não uma revolução no final”, afirmou.

Para Magalhães, a especialização empresarial deverá preservar a proximidade com os clientes, as granjas e as fazendas. A proposta é aprofundar a integração entre conhecimento da produção, recomendação técnica e fornecimento de soluções nutricionais específicas para cada operação.

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