Avanços em genética, manejo de pastagens, suplementação e intensificação dos sistemas produtivos permitem elevar a eficiência da pecuária brasileira, mas especialistas destacam que o abate precoce exige planejamento, tecnologia e gestão
Por redação nutriNews
O debate quanto à modernização, objetivando eficiência e qualidade na pecuária, já está na pauta do agronegócio há algumas décadas. Um dos principais indicadores dessa evolução é a redução da idade de abate dos bovinos, que caiu de 36 meses para 18 meses, graças a sistemas mais tecnificados. Esse avanço foi resultado da combinação de diferentes tecnologias aplicadas ao campo, envolvendo sanidade, genética, manejo alimentar e intensificação dos sistemas de produção.
Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo Gomes, essa mudança não ocorreu a partir de uma única inovação, mas de um conjunto de práticas desenvolvidas e aprimoradas desde a década de 1970.
“Podemos citar o controle estratégico de endoparasitas, conhecido como 5-7-9, referente aos meses em que animais em crescimento recebem anti-helmínticos. Quanto às pastagens, destaca-se o desenvolvimento de cultivares forrageiras mais produtivas e de práticas de manejo em solos de menor fertilidade e ácidos. Junto a isso, soma-se novas práticas de suplementação a pasto, iniciado pela suplementação mineral e avançando para a suplementação proteica e proteico-energética, chegando até a terminação intensiva a pasto e confinamento”, explica Gomes.
Segundo o pesquisador, aliado a tudo isso, o melhoramento genético dos rebanhos proporciona animais com maior potencial de crescimento e maior eficiência alimentar, viabilizando engordas mais intensivas e curtas.
Intensificação produtiva em resposta às exigências do mercado internacional
A evolução dos sistemas produtivos também contribuiu para ampliar a competitividade da carne bovina brasileira no mercado externo. De acordo com Rodrigo Gomes, a adoção de práticas de biosseguridade, rastreabilidade e maior controle gerencial favorecem o atendimento às exigências dos compradores internacionais.
“Sistemas de engorda intensificados, que exigem um nível gerencial mais alto, facilitam processos de rastreabilidade, essenciais para a exportação”, afirma o pesquisador.
A busca por maior controle produtivo também acompanha uma demanda crescente por informações sobre origem, segurança e sustentabilidade da carne produzida.
Abate aos 18 meses depende de tecnologia e eficiência
Apesar dos avanços, a redução da idade de abate não é uma realidade aplicável automaticamente a todos os sistemas produtivos. Segundo a Embrapa, atingir 18 meses de idade com padrões de carcaça adequados para a indústria e para o mercado exige condições específicas.
“O abate de machos, com 18 meses de idade e padrões de carcaça que atendam a indústria e o mercado, exige sistemas de produção mais tecnificados e condições de infraestrutura e gerenciais mais avançadas. Nem todo o sistema de produção consegue atingir esse objetivo, principalmente de forma viável do ponto de vista econômico. Animais de excelente genética e manejo alimentar intensivo são necessários, o que muitas vezes, não se adequa a todas propriedades rurais e perfis de produtores”, destaca Gomes.
Nesse cenário, a decisão pela intensificação deve considerar fatores como disponibilidade de recursos, infraestrutura, capacidade de gestão, qualidade das pastagens, estratégia nutricional e mercado-alvo.
Carne mais jovem pode favorecer qualidade, mas depende de outros fatores
A redução da idade de abate também gera discussões relacionadas à qualidade da carne. Animais mais jovens apresentam potencial para produzir carne com melhores características, mas a idade, isoladamente, não determina atributos como maciez e marmoreio.
Segundo Rodrigo Gomes, a qualidade final depende de uma série de fatores, incluindo genética, sexo ou condição sexual do animal, manejo alimentar, peso ao abate, bem-estar e procedimentos pré-abate.
“A produção de animais mais jovens é uma das formas de produzir carne de qualidade, desde que respeitadas outras questões essenciais”, ressalta.
Assim, a nutrição estratégica associada ao melhoramento genético e ao manejo adequado torna-se fundamental para alcançar animais eficientes, com bom desempenho e características de carcaça valorizadas pelo mercado.
“Isso ainda depende de outros fatores, tais como a genética utilizada, o sexo ou condição sexual do animal, manejo alimentar, peso ao abate, bem-estar e manejo pré-abate. Portanto, a produção de animais mais jovens é uma das formas de produzir carne de qualidade, desde que respeitadas outras questões essenciais”, sinaliza.
Precocidade reduz emissões e fortalece a pecuária de baixo carbono
Além dos ganhos econômicos, a redução do ciclo produtivo apresenta impactos ambientais positivos. De acordo com a Embrapa, abater animais mais jovens é uma das estratégias para reduzir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa, associadas à produção de carne bovina.
“A redução da idade ao abate é uma das estratégias para se reduzir, principalmente, a intensidade de emissões da carne bovina. Abater animais mais jovens, em geral, significa maior eficiência, o que leva a uma menor intensidade de emissão”, explica o pesquisador.
Converge-se que ciclos produtivos mais curtos e melhorias na dieta dos animais contribuem para a qualidade da carne aliada ao baixo carbono, uma vez que o animal permanece menos tempo no sistema produtivo e utiliza os recursos disponíveis com maior eficiência.
