Quedas no mercado de milho se intensificam com oferta superior à demanda, enquanto projeções de safra recorde de soja limitam as cotações; clima segue como fator de atenção para as duas culturas.
Os preços do milho registraram pressão mais intensa na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em 19 de outubro. O movimento reflete a oferta nacional superior à demanda, cenário reforçado pelas novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que apontam aumento da produção brasileira na safra 2026/27.
Apesar das preocupações com os possíveis efeitos do El Niño nos próximos meses, a semeadura da safra de verão avança de forma satisfatória, mesmo com o volume elevado de chuvas em algumas regiões produtoras. Segundo o Cepea, esse ritmo pode favorecer a realização das atividades da segunda safra dentro da janela considerada ideal.
As condições climáticas, entretanto, permanecem no radar do mercado. O excesso de chuvas e as altas temperaturas típicas do final do ano podem prejudicar o desenvolvimento das lavouras e reduzir as estimativas de produção, que até o momento indicam uma safra recorde.
No mercado spot, os compradores domésticos mantêm postura retraída, com baixo interesse nas negociações ou ofertas de preços menores quando precisam efetivar compras. Do lado vendedor, parte dos agentes demonstra maior flexibilidade diante das quedas recentes e da preocupação com a capacidade de armazenagem.
O cenário é agravado pelo elevado estoque de passagem de milho e pela perspectiva de entrada da safra de verão no início de 2027, período em que os armazéns também precisarão receber a produção de soja.
Soja: perspectiva de safra recorde limita recuperação dos preços
No mercado de soja, as expectativas de produção recorde na safra 2026/27 continuam pressionando as cotações nacionais e internacionais. Segundo o Cepea, o avanço da colheita no Hemisfério Norte, combinado ao ritmo intenso de semeadura no Brasil, reforça a perspectiva de maior disponibilidade do grão.
As incertezas climáticas, porém, têm limitado as quedas no mercado brasileiro. As preocupações com os possíveis efeitos do El Niño levaram parte dos produtores a adotar uma postura mais cautelosa nas negociações no mercado spot.
No Sul do Brasil, o excesso de chuvas alimenta especulações sobre uma possível migração de parte da área inicialmente destinada à soja para o cultivo de milho. Essa possibilidade acrescenta uma variável às projeções de oferta e ao acompanhamento do avanço das lavouras.
Apesar das incertezas, as estimativas seguem apontando para uma produção mundial recorde, impulsionada principalmente pelo Brasil, responsável por mais de 40% da oferta global, conforme o Cepea.
O que acompanhar
Nas próximas semanas, o comportamento das cotações de milho e soja dependerá da evolução da oferta, do ritmo de comercialização e das condições climáticas. No milho, a pressão dos estoques e a necessidade de espaço para armazenagem ganham relevância. Na soja, a confirmação das expectativas de produção e os possíveis impactos do clima sobre a semeadura brasileira serão determinantes para as perspectivas de mercado.
