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Rabobank vê retorno dos riscos externos e alerta para impactos sobre câmbio

Relatório do Rabobank destaca alta do petróleo, valorização das commodities e projeção de dólar a R$ 5,35 no fim de 2026 em um cenário de maior incerteza internacional.

Os riscos externos voltaram a ganhar força no cenário econômico brasileiro e podem aumentar a volatilidade do câmbio, dos preços das commodities e dos custos de produção do agronegócio. A avaliação consta da edição de 25 de agosto do relatório “O retorno dos riscos externos”, elaborado pelo RaboResearch. Entre os principais pontos de atenção estão a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, a valorização do petróleo, as incertezas sobre a economia global e a perspectiva de desaceleração da atividade brasileira.

Para o Rabobank, o ambiente internacional permanece marcado por elevada incerteza. A possibilidade de novos impactos sobre os fluxos comerciais e de energia aumenta a sensibilidade dos mercados. O petróleo Brent encerrou a semana de 17 a 21 de agosto a US$ 93,92 por barril, com alta semanal de 6,1% e avanço de 39% em 12 meses. A pressão sobre a energia representa um fator relevante para o agronegócio, devido aos efeitos sobre combustíveis, transporte e custos operacionais.

Ao mesmo tempo, as commodities agrícolas apresentaram desempenho positivo. Na semana analisada, a soja negociada em Chicago subiu 4%, enquanto o milho avançou 5,2% e o trigo, 1,5%. Na comparação anual, os preços acumulavam altas de 15% para a soja e de 12% para o milho. Esse movimento pode favorecer as receitas das cadeias exportadoras brasileiras, especialmente quando combinado a um eventual enfraquecimento do real.

O câmbio, porém, aparece como uma das principais fontes de incerteza. O dólar encerrou a semana a R$ 5,14, mas o Rabobank projeta a moeda norte-americana em R$ 5,35 no fim de 2026. A instituição considera que a redução esperada do diferencial entre os juros brasileiros e internacionais, somada às incertezas fiscais e ao ambiente eleitoral, pode retirar parte do suporte atualmente oferecido ao real.

Para o agronegócio, um dólar mais valorizado produz efeitos distintos. De um lado, tende a elevar a receita em reais de exportadores de soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes. De outro, aumenta o custo de produtos importados ou com componentes dolarizados, como fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários, máquinas e equipamentos. Assim, a melhora da remuneração das exportações não necessariamente se traduz em ampliação das margens do produtor.

O cenário doméstico acrescenta outra camada de pressão. O IBC-Br recuou 0,64% em junho, indicando perda de ritmo da atividade econômica. O Rabobank mantém projeção de crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro em 2026 e avalia que os efeitos da política monetária restritiva deverão continuar limitando consumo, crédito e investimentos.

A Selic, atualmente em 14% ao ano, também permanece como obstáculo para investimentos produtivos. No campo, juros elevados podem encarecer o custeio e dificultar decisões relacionadas à aquisição de máquinas, armazenagem, irrigação e tecnologias de produção. Para 2026, o Rabobank projeta inflação de 5,1%, Selic de 14% e câmbio de R$ 5,35. Para 2027, a expectativa é de inflação de 4,1%, crescimento de 2,2% e Selic de 12,5%.

Diante desse quadro, o agronegócio brasileiro entra no segundo semestre entre oportunidades e riscos. A valorização das commodities e um câmbio potencialmente mais favorável aos exportadores podem sustentar as receitas, mas petróleo caro, juros elevados, custos de insumos e incertezas fiscais e geopolíticas exigem maior atenção à gestão de margens.

A análise do Rabobank reforça, portanto, que o desempenho do setor dependerá não apenas da produção brasileira, mas também da capacidade dos agentes de se protegerem de um ambiente externo novamente mais instável.

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