Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
INTRODUÇÃO |
Sabe-se que a alimentação representa mais que 50% dos custos operacionais de uma piscicultura, os quais, entre outros fatores, devem aos elevados níveis de proteína necessários em rações para peixes. O fornecimento adequado desse nutriente, de forma a atender as exigências nutricionais da espécie (fase de desenvolvimento e sistema de criação), deve considerar os valores digestíveis de energia e de aminoácidos das matérias primas (Esquema 1).
Além disso, é importante assegurar um equilíbrio entre os teores de proteína e energia (P:E) nas rações, visto que o consumo é regulado pela energia total disponível na ração, a qual influencia o crescimento e a deposição de gordura, além de interferir nos custos de produção e na emissão de poluentes (Esquema 2).
Foto 1 – Fabricação das rações experimentais
O estudo teve como objetivo analisar o desempenho de juvenis de jundiás quando alimentados com rações contendo ingredientes comumente utilizados na indústria, as quais foram formuladas com base em nutrientes digestíveis.
Foram testadas diferentes relações proteína digestível (PD):energia digestível (ED), visando a determinação da melhor relação e, consequentemente, a concentração proteica mais adequada para a fase inicial de engorda da espécie.
Cinco rações com concentrações crescentes de proteína digestível (24, 29, 34, 39 e 44%) e de energia digestível (12,0; 13,5; 14,0; 14,5 e 15 MJ/kg) foram formuladas com valores digestíveis (proteína, energia, matéria seca e aminoácidos essenciais) de modo a corresponder às relações PD:ED de 20, 22, 25, 27 e 29 g/MJ, respectivamente (Tabela 1 – Foto 1).
Foto 2 e 3 – Sistema experimental
Foi adotado um delineamento inteiramente casualizado, onde cada ração foi distribuída aleatoriamente a três grupos de 25 peixes, com peso médio inicial de 31,5 ± 4,9 g. Cada grupo foi estocado em um tanque de 70 L, totalizando quinze tanques ligados em sistema fechado de recirculação equipado com biofiltro e filtro mecânico (Fotos 2 e 3).
A alimentação foi ofertada diariamente (9 e 16 h) até a saciedade aparente, por 75 dias. Quinzenalmente eram realizadas biometrias totais para pesagem individual dos peixes (Foto 4).
Com base nas amostras e nos dados coletados foram calculadas várias respostas (Caixa 1), tais como:
Essa última também é empregada para determinar a taxa de retenção proteica. Além disso, foram monitoradas as concentrações de nitrogênio amoniacal total e foram determinados alguns índices econômicos.
Foto 4 – Biometria
Para detectar diferenças entre as respostas dos peixes a cada relação de proteína digestível: energia digestível (PD:ED) testada utilizou-se a análise de variância unilateral. As regressões polinomiais foram empregadas para determinar os níveis ideais para cada resposta. Todas as análises estatísticas foram realizadas no RStudio.
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proporcionou um maior conteúdo de gordura corporal e uma diminuição no índice hepatossomático dos peixes (Figura 1).
Além disso, o aumento na relação PD:ED – e consequente acréscimo do teor proteico das rações – aumentou proporcionalmente o custo das rações e um crescimento linear da concentração de nitrogênio amoniacal total nos tanques (Figura 2).
Os peixes alimentados com rações contendo as relações extremas de PD:ED (20 e 29 g/MJ) apresentaram menor ganho em peso e retenção proteica frente aos demais tratamentos, sendo o excesso (29 g/MJ) ou a falta (20 g/MJ) de proteína nas rações as causas para obtenção desses resultados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS |
Para a obtenção da melhor retenção proteica a relação PD:ED estimada em 23,7 g/MJ (32% PD e 13,5 MJ/ kg ED), no entanto, para uma criação sustentável deve-se considerar além do desempenho zootécnico, os aspectos Dessa forma, sugere-se a relação PD:ED de 24,3 g/MJ (33,8% PD e 13,7 MJ/kg ED) como a ideal para juvenis de jundiá no estágio inicial de crescimento (30 a 80 g de peso médio). |
Relações de proteína: energia para juvenis de jundiá (Rhamdia quelen): desempenho, excreção de amônia e custo
Luiz Eduardo Lima de Freitas1
Débora Machado Fracalossi2
1Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa Pesca e Aquicultura
2Professora da Departamento de Aquicultura da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Aspectos de qualidade determinantes para a escolha de rações para peixes |
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