Durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ26), a jornalista e diretora de Comunicação do Grupo agriNews Brasil, Priscila Antunes, defendeu que produzir conhecimento científico não basta: é preciso torná-lo compreensível para uma sociedade cada vez mais distante da produção animal.
A importância da comunicação científica foi tema abordao da SBZ26
Por redação aviNews Brasil.
Em um momento em que a produção animal alcança níveis cada vez mais elevados de eficiência, inovação e sustentabilidade e exigências, um desafio permanece, fazer com que esse conhecimento chegue à sociedade de forma clara, acessível e confiável. A importância da comunicação científica foi tema abordao da SBZ26, proposto pela jornalista e diretora de Comunicação do Grupo agriNews Brasil, Priscila Antunes, durante a palestra “Se ninguém entende, não adianta”, apresentada na programação da Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia (SBZ26), realizada na Universidade Federal de Lavras (UFLA), no dia 29 de julho.
Voltada a estudantes, pesquisadores e profissionais da Zootecnia, a apresentação abordou o papel estratégico da comunicação em um cenário no qual a maior parte da população está distante da realidade do campo e constrói suas percepções sobre a produção animal principalmente por meio das redes sociais.
Ao longo da palestra, Priscila destacou que a evolução tecnológica da produção animal ocorreu em velocidade muito superior à compreensão da sociedade sobre como o setor funciona. Na prática, isso significa que avanços científicos frequentemente deixam de gerar confiança simplesmente porque não chegam ao público em uma linguagem compreensível.
Priscila Antunes, diretora da agriNews Brasil.
“A disputa hoje não é apenas por informação, mas pela atenção das pessoas. E dados científicos, sozinhos, raramente mudam percepções quando chegam tarde demais”, afirmou.
Outro ponto enfatizado foi que o consumidor não deve ser encarado como um adversário da produção animal. Segundo ela, boa parte das críticas dirigidas ao setor nasce da falta de informação e da ausência de diálogo, e não necessariamente de oposição às atividades agropecuárias. Nesse contexto, a palestrante defendeu uma mudança de perspectiva na formação dos futuros profissionais.
“A comunicação deixou de ser um complemento da produção animal. Ela passou a fazer parte da própria sustentabilidade do setor.”
Para Priscila, comunicar deve ser entendido como uma competência técnica do zootecnista, ao lado de áreas como genética, nutrição, manejo, reprodução e sanidade. Afinal, produzir conhecimento científico continua sendo indispensável, mas sua capacidade de gerar impacto depende, cada vez mais, da forma como é compartilhado.
“Produzir ciência é essencial. Mas, se ninguém entende o que fazemos, dificilmente a sociedade confiará em nós.”
A palestra também trouxe uma reflexão sobre o espaço ocupado pelas narrativas na sociedade contemporânea. Se pesquisadores, universidades e instituições científicas não participarem ativamente da conversa pública, outras fontes, muitas vezes sem embasamento técnico, preencherão esse vazio e influenciarão a percepção da população sobre temas ligados à produção animal.
Com mais de duas décadas de atuação na comunicação do agronegócio, Priscila Antunes desenvolve estratégias de divulgação técnica voltadas à aproximação entre ciência, cadeia produtiva e sociedade, traduzindo conteúdos especializados para diferentes públicos e fortalecendo a conexão entre pesquisa e prática.
Ao final da apresentação, estudantes, pesquisadores e docentes permaneceram no auditório para conversar com a palestrante e compartilhar suas impressões. Muitos afirmaram que nunca haviam refletido sobre a comunicação como parte da atuação do zootecnista e destacaram a pertinência da discussão. Entre os comentários, foi recorrente a percepção de que, apesar da excelência da formação técnica, a comunicação ainda ocupa pouco espaço na formação profissional, mesmo exercendo influência direta sobre a confiança da sociedade na ciência e na produção animal.
Mais do que discutir técnicas de divulgação, a palestra deixou uma mensagem central para a comunidade científica: produzir conhecimento continua sendo a base do desenvolvimento da Zootecnia, mas garantir que esse conhecimento seja compreendido pela sociedade passou a ser uma responsabilidade compartilhada por todos aqueles que fazem ciência.
Priscila Antunes destaca a importância da comunicação científica
