Fitogênicos e ácidos orgânicos ganham protagonismo como ferramentas para preservar a saúde intestinal, melhorar eficiência alimentar e desempenho dos animais
A produção brasileira de proteína animal avança na busca por eficiência, saúde intestinal e sustentabilidade, impulsionada pelas restrições ao uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. Em abril, o MAPA proibiu o uso dessas substâncias como melhoradores de desempenho, com período de transição até 23 de outubro de 2026. Nesse cenário, alternativas como fitogênicos, probióticos, prebióticos, enzimas e ácidos orgânicos ganham mais espaço na produção de aves e suínos.
A medida acompanha o movimento internacional pelo uso mais criterioso dessas soluções, sobretudo diante da preocupação com a resistência antimicrobiana. Isso porque seu uso pode exercer pressão seletiva sobre as populações bacterianas, favorecendo a sobrevivência e a disseminação de microrganismos resistentes.
Para a indústria de proteína animal, o desafio é encontrar novas maneiras de alcançar os benefícios produtivos historicamente associados aos medicamentos, aplicados com a finalidade de melhorar o aproveitamento dos nutrientes, diminuir o custo metabólico associado a processos inflamatórios, reduzir a pressão de desafios entéricos e favorecer o desempenho zootécnico.
“A pergunta que o setor precisa responder é como manter desempenho, saúde dos animais e rentabilidade em um cenário de restrição crescente aos melhoradores de desempenho. Não existe uma solução única para todos os cenários. É necessário entender o desafio de cada sistema produtivo e combinar tecnologias capazes de atuar sobre diferentes mecanismos”, afirma Bruno Faria, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da ADM e doutor em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa.
Compostos naturais transformam respostas fisiológicas
Entre as alternativas disponíveis, os fitogênicos vêm despertando particular interesse por sua capacidade de atuar em diferentes mecanismos fisiológicos relacionados à digestão, à resposta imunológica e ao equilíbrio intestinal. Essas soluções utilizam princípios ativos provenientes de plantas, entre eles capsaicina, encontrada nas pimentas; eugenol, associado ao cravo; carvacrol, presente em plantas aromáticas como o orégano; cinamaldeído, característico da canela; e compostos organossulfurados encontrados no alho.
Segundo o especialista, a ação vai além de simplesmente modificar o ambiente do tubo digestório tendo em vista que o trato gastrointestinal possui uma complexa rede de comunicação com o sistema nervoso e diferentes compostos fitogênicos podem interagir com receptores específicos, desencadeando respostas fisiológicas. Dependendo dos princípios ativos e de sua combinação, os aditivos de origem vegetal podem contribuir para estimular secreções digestivas, modular respostas imunológicas, favorecer o equilíbrio da microbiota, exercer ação antioxidante e auxiliar na proteção da mucosa.
“Estudos com a formulação XTRACT 6930, da ADM, por exemplo, que reúne carvacrol, cinamaldeído e oleoresina de capsaicina, indicam que, na inclusão de 100 gramas por tonelada de ração, seus princípios ativos estão associados à modulação da expressão de mais de 350 genes, demonstrando que a ação dos compostos vegetais envolve mecanismos fisiológicos complexos”, conta Bruno.
Estratégia multimodal para preservar eficiência
A transição para sistemas com menor dependência de medicamentos antibacterianos também amplia o papel de estratégias nutricionais de precisão. Probióticos e prebióticos, minerais orgânicos, enzimas e ácidos orgânicos podem atuar de maneira complementar, permitindo a construção de programas adaptados às características e necessidades específicas de cada sistema produtivo.
Os ácidos orgânicos, por exemplo, auxiliam na acidificação do trato digestivo e podem contribuir para a criação de um ambiente menos favorável à proliferação de determinados microrganismos indesejáveis. Sua utilização também está relacionada à modulação da microbiota, à digestibilidade dos nutrientes e à eficiência alimentar.
Enzimas, por sua vez, ampliam o aproveitamento de componentes da dieta, enquanto probióticos e prebióticos oferecem outras vias para favorecer o equilíbrio da microbiota e a estabilidade do ambiente do trato gastrointestinal. O resultado é um organismo mais preparado para aproveitar os nutrientes fornecidos pela alimentação e responder aos desafios da produção intensiva.
“A diversidade de princípios ativos disponíveis permite desenvolver soluções direcionadas a diferentes necessidades fisiológicas, transformando compostos naturais em ferramentas tecnológicas de alta precisão. Veremos com isso uma transformação tecnológica na produção de proteína animal, na qual conhecimento sobre microbiota, fisiologia intestinal e nutrição passa a ser cada vez mais determinante para conciliar desempenho, saúde animal, eficiência alimentar e rentabilidade”, finaliza Bruno.
Sobre a ADM
A ADM desbloqueia o poder da natureza para enriquecer a qualidade de vida. Somos um gestor e processador essencial da cadeia de suprimentos agrícola global, proporcionando segurança alimentar ao conectar necessidades locais com capacidades globais.
Somos um fornecedor de nutrição humana e animal de ponta, oferecendo um dos portfólios mais amplos da indústria de ingredientes e soluções provenientes da natureza. Somos pioneiros em saúde e bem-estar, com uma linha líder no setor de produtos para consumidores que buscam novas maneiras de viver de forma mais saudável. Somos inovadores de ponta, orientando o caminho para um futuro de novas soluções bio-based para consumidores e indústrias.
E estamos liderando esforços de sustentabilidade orientados pelos negócios, que apoiam um setor agrícola forte, cadeias de suprimentos resilientes e uma bioeconomia vasta e crescente. Ao redor do mundo, nossa expertise e inovação estão atendendo a necessidades críticas, desde a colheita até a mesa.
Fonte: Adm.
