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O sangue pode revelar o que os indicadores da granja ainda não mostram

Biomarcadores e inteligência artificial permitem antecipar desafios e orientar ajustes em nutrição e saúde. Em entrevista exclusiva ao agriNews Brasil, Corinne Bonadei cita a previsão de coccidiose em aves com dez dias de antecedência.

Quando a conversão alimentar piora ou a produção cai, o problema pode estar instalado há dias. Alterações no sangue dos animais, porém, podem revelar desafios antes que eles apareçam nos resultados da propriedade e abrir uma janela para intervir na nutrição, na saúde e no manejo.

É essa possibilidade que Corinne Bonadei, responsável pelos serviços de precisão da dsm-firmenich Animal Nutrition & Health, descreve em entrevista exclusiva ao grupo editorial agriNews Brasil, durante o World Nutrition Forum 2026, organizado pela dsm-firmenich em Kuala Lumpur (Malásia).

Para explicar a proposta, ela recorre a uma prática familiar: os exames de sangue humanos. Indicadores que ajudam o médico a compreender o que acontece no organismo também podem ampliar o conhecimento sobre a condição dos animais e orientar decisões na produção.

Dez dias para agir antes do problema

Entre os exemplos está o Verax, serviço que combina biomarcadores sanguíneos e análise de dados para avaliar desafios de saúde e nutrição.

“Por exemplo, no caso das aves, podemos prever a coccidiose com dez dias de antecedência”, afirmou Corinne, em tradução do inglês.

Os anais do evento apresentam um caso de campo que ilustra o potencial dessa abordagem. Em trabalho de Aaron J. Cowieson, da dsm-firmenich, quatro complexos de uma integradora de frangos dos Estados Unidos foram avaliados em 2024. Análises sanguíneas aos 14 dias, interpretadas com aprendizado de máquina, sinalizaram risco elevado de coccidiose em dois deles.

Novas análises e necropsias aos 28 dias forneceram, segundo o autor, fortes evidências de acerto da previsão. O relato sustenta o potencial de identificar alterações subclínicas; a antecedência do alerta depende das condições avaliadas.

O dado precisa mudar a conduta

Para Corinne, o diagnóstico é o início de um processo que exige interpretação especializada e implementação. Uma propriedade pode enfrentar vários desafios simultaneamente, e identificar um desvio deve levar à investigação de suas causas.

“É o sistema de água? É a nutrição?”, exemplificou. A partir dessa avaliação, o passo seguinte é ajustar as estratégias de nutrição e saúde. “E acho que isso deveria ser o padrão na indústria”, disse.

Para nutricionistas e gestores, esse é o ponto decisivo: o alerta pode ajudar a direcionar a investigação e a intervenção antes que o prejuízo apareça no fechamento dos resultados. A análise biológica complementa os registros produtivos e a avaliação técnica da propriedade.

O próximo passo pode estar no leite

Corinne também descreveu o trabalho para correlacionar indicadores sanguíneos com informações presentes em fezes e leite. No caso das vacas leiteiras, citou a investigação de biomarcadores associados a problemas de locomoção e de sua presença no leite.

A perspectiva é ampliar as formas de monitoramento, incluindo futuramente amostras de fezes, leite e ovos. São frentes de desenvolvimento, com aplicações que precisam ser avaliadas conforme a espécie e o indicador.

Na visão da executiva, a adoção digital na produção animal ainda está no início. O avanço deve ser medido pela capacidade de antecipar desafios e permitir uma resposta útil na propriedade.

“Acho que a detecção precoce realmente traz rentabilidade”, afirmou.

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