No hay términos de la taxonomía "paises" asociados a este post.
Para ler mais conteúdo de nutriNews Brasil 2 Trimestre 2021
A betaína é um aditivo nutricional frequentemente usado na nutrição de aves e suínos devido as suas propriedades osmoprotetoras, além de ser considerada fonte doadora de grupos metil, aumentando a disponibilidade de metionina para a síntese de proteína.
Pesquisas em nutrição humana mostraram que a betaína pode ser encontrada naturalmente em ingredientes derivados do trigo, o que levanta a questão dos subprodutos de trigo poderem ser uma fonte de betaína.
BETAÍNA NA NUTRIÇÃO DE MONOGÁSTRICOS
Os efeitos do uso de betaína na nutrição de aves e suínos têm sido apresentados desde os meados dos anos quarenta. Um dos interesses na sua utilização tem sido em função que esta apresenta-se como um substituto da metionina sintética nas dietas.
A betaína na dieta pode ser utilizada diretamente como doadora de grupo metil (Figura 1), sendo a única fonte doadora de grupos metila prontamente ativa.
Ao contrário, a colina precisa ser convertida em betaína em uma reação de duas etapas enzimáticas, ocorrendo principalmente nas mitocôndrias de células hepáticas. A metionina precisa ser ativada através da síntese de S-adenosilmetionina.
A betaína está disponível como um aditivo nutricional na forma purificada, e as formas mais populares utilizadas na alimentação são:
betaína anidra
betaína monofosfato
cloridrato de betaína
O cloridrato de betaína apresenta menor solubilidade em água, quando comparada com a betaína anidra e a monoidratada, isto acarreta em sua menor capacidade osmótica. Por outro lado, o cloridrato auxilia no declínio do pH no estômago, assim, potencialmente melhora a digestibilidade de nutrientes em comparação às outras formas.
As formas purificadas comercialmente encontradas geralmente se originam a partir da extração de solúveis de melaço de beterraba. A utilização deste subproduto também é sugerida como uma fonte dietética de betaína.
Atualmente, devido às pesquisas voltadas para nutrição humana, vários trabalhos têm sido desenvolvidos com o intuito de avaliar a quantidade de betaína presente em alguns alimentos, todas sempre mostrando valores relativamente altos para os subprodutos do beneficiamento do grão de trigo.
Como o processamento do grão do trigo é feito por diversas moagens diferentes subprodutos são gerados, com variados valores nutricionais e concentrações de betaína (Tabela 1).
Estudos anteriores realizados na UFRGS indicaram o uso da farinheta e do farelo fino para rações de monogástricos por possuírem em sua composição maior teor de amido e reduzido teor de fibra.
FARELO DE TRIGO FINO COMO FONTE DE BETAÍNA PARA AVES E SUÍNOS |
[registrados]
Dois experimentos foram realizados na UFRGS com o intuito de avaliar a possibilidade de suplementação de betaína por meio do farelo de trigo fino.
EXPERIMENTO 1
Foram usados 320 frangos de corte, dos 8 aos 28 dias de idade, distribuídos em um delineamento em blocos casualizados, com 5 tratamentos e 8 repetições por tratamento (8 aves/repetição). As dietas experimentais foram as seguintes:
CN, controle negativo formulado com 72% das exigências em metionina+cisteína;
Met, formulado com 85% das exigências em metionina+cisteína, por meio da suplementação de DL-metionina;
Bet, formulado com 85% das exigências emmetionina+cisteína, por meio da suplementação debetaína anidra;
FTF-, formulado com 72% das exigências emmetionina+cisteína, por meio da suplementação de farelo de trigo fino;
FTF+, formulado com 85% das exigências em metionina+cisteína, por meio da suplementação de farelo de trigo fino e DL-metionina.
Excretas foram coletadas para determinação dos coeficientes de metabolizabilidade da matéria seca (MS), energia bruta (EB) e proteína bruta (PB). O consumo de ração e o ganho de peso foram menores para as aves que receberam farelo de trigo fino na dieta, embora a conversão alimentar tenha sido a mesma entre os tratamentos (Figura 2).
Tanto a suplementação de DL-metionina quanto a de betaína anidra apresentaram o mesmo coeficiente de metabolizabilidade dos nutrientes. Os valores mais baixos de digestibilidade da energia bruta foram para os tratamentos com inclusão do farelo de trigo fino (Figura 3).
EXPERIMENTO 2
Foram usados 30 suínos inteiros, alojados em gaiolas metabólicas e distribuídos em um delineamento em blocos casualizados, com cinco tratamentos e 6 repetições por tratamento.
Os blocos consistiram de dois períodos de 15 dias, nos quais o peso inicial foi de 32±1.30 e 45±1.32 kg, no período 1 e 2, respectivamente. As dietas experimentais seguiram o mesmo raciocínio do Experimento 1.
Embora não se tenha observado efeito dos tratamentos nos parâmetros de digestibilidade, o nitrogênio ingerido foi mais baixo quando os suínos receberam o farelo de trigo fino, porém a retenção de nitrogênio e o valor biológico da proteína dietética foram os mesmos do tratamento Met (Figura 4).
Isso indica que o nitrogênio das dietas com farelo de trigo fino foi utilizado com a mesma eficiência ao da dieta suplementada com DL-metionina, o que pode ser comprovado pela falta de diferenças significativas no desempenho (Figura 5).
CONCLUSÕES O farelo de trigo fino apresentou em sua composição 12 g/kg de betaína, mas dietas com este ingrediente fibroso não demonstraram benefícios da betaína presente no desempenho e metabolismo de frangos de corte. Para suínos, entretanto, a betaína presente no farelo de trigo fino é biodisponível para manter a retenção de nitrogênio e o desempenho. |
Autores: Alessandra Monteiro1 e Alexandre Kessler2
1Animine, Annecy, França
2Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Departamento de Zootecnia, Porto Alegre, Brasil
Quer saber mais sobre a betaína?
Clique aqui e leia também o artigo “Micotoxinas e o uso de betaína na alimentação de frangos de corte”[/registrados]