Micotoxinas

Micotoxinas na ração de pets

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Micotoxinas na ração de pets

O que são micotoxinas?

As micotoxinas são metabólitos secundários que ocorrem naturalmente em condições adversas nos fungos pluricelulares ou filamentosos, também conhecidos como bolores ou mofos. A palavra micotoxina é derivada das palavras gregas “myke” que significa fungo e “tóxico” que significa toxina. Estas substâncias podem se desenvolver em diferentes produtos alimentícios e em rações.
Os ingredientes mais afetados são grãos e cereais durante diferentes estágios, incluindo pré-colheita, colheita e armazenamento (Gaspar et al., 2019).
As micotoxinas representam um risco para a cadeia de abastecimento de rações, com impacto na saúde animal, no comércio de rações e, consequentemente, na economia. Recentemente, cerca de 100.000 fungos foram identificados, entre esses mais de 500 micotoxinas foram relatadas como potencialmente toxigênicas, as principais micotoxinas que impactam a saúde humana e animal são aflatoxinas, fumonisinas, tricotecenos, ocratoxinas e zearalenona.
Como características principais das micotoxinas destaca-se que são moléculas tóxicas, pequenas, muito estáveis e extremamente difíceis de remover ou erradicar (Haque et al., 2020). Na Tabela 1, é apresentado um resumo das micotoxinas, fungos de origem e os alimentos onde ocorrem de forma mais comum.

De modo geral as micotoxinas podem apresentar efeitos agudos ou crônicos no organismo do animal que consumir alimentos com a presença destas. A toxicidade aguda é a que prejudica as funções hepáticas ou renais, levando o animal à óbito, e é resultado de um consumo de toxina moderado a alto na ração ou alimento.
Por outro lado, a toxicidade crônica pode resultar no consumo de quantidade moderada a baixa de toxinas, acarretando em perda de peso e redução no consumo alimentar ou até mesmo não apresentar sintomas aparentes no animal afetado. No entanto, o consumo frequente de baixa quantidade de toxinas pode tornar o animal suscetível a várias doenças infecciosas, especialmente infecções bacterianas secundárias, pela supressão do sistema imunológico (Eshetu et al., 2016).
A contaminação por múltiplas micotoxinas é um tópico de grande preocupação, pois as amostras contaminadas ainda podem exercer efeitos adversos em animais devido a interações aditivas/sinérgicas das micotoxinas (Haque et al., 2020).

Aflatoxinas

As aflatoxinas são produzidas por algumas cepas de fungos do gênero Aspergillus, principalmente das espécies A. flavus e A. parasiticus, os quais se desenvolvem naturalmente em produtos alimentícios, milho, trigo, arroz, sorgo, leite e laticínios, ovos e carnes.
Existem quatro afl atoxinas principais que são motivo de preocupação em alimentos para animais de companhia descritas pela ordem de toxicidade:
aflatoxina (AFB1)
aflatoxina G1 (AFG1)
aflatoxina B2 (AFB2)
aflatoxina G2 (AFG2)
Alimentos com grande quantidade de carboidratos e lipídios são mais suscetíveis à contaminação por aflatoxina, porque as enzimas produzidas pelos fungos podem hidrolisar essas substâncias (Gallo et al., 2016). Uma vez formadas, as aflatoxinas são relativamente estáveis e resistentes ao calor e, portanto, não são eliminadas pelo processamento térmico utilizado na produção de alimentos para pets.
O primeiro caso relatado foi em 1952, nos Estados Unidos, com o uso de uma ração contaminada por fungos que causou uma doença hepática em cães, denominada “hepatite X”. É importante ressaltar que as aflotoxinas são:
hepatotóxicas
imunodepressoras
nefrotóxicas
carcinogênicas
anticoagulantes

Alguns casos clínicos são registrados na literatura
Em cães a aflatoxicose aguda ocorre quando estes são alimentados com quantidades acima de 1mg/kg de aflatoxina B1 na ração (Newberne et al., 1966).
Os primeiros sintomas após a ingestão do alimento contaminado é o vômito seguido por anorexia, perda de peso, sede excessiva, poliúria (micção excessiva) podendo levar o animal a morte.
O principal órgão afetado é o fígado levando a um aumento das enzimas séricas, indicando lesão de hepatócito e extravasamento de alanina aminotransferase, aspartato aminotransferase, e lactato desidrogenase.
O consumo de uma forma crônica, em alimentos contendo concentrações de 50 a 300 μg/kg (0,05 – 0,3 mg/kg) de aflatoxinas por 6 a 8 semanas, provocou uma resposta crônica, causando a anorexia, letargia, icterícia, coagulação intravascular disseminada e morte, sendo os mesmos sinais causados nas formas subagudas de cães alimentados com cerca de 500 – 100 μg/kg (0,5 a 1 mg de aflatoxina/kg) por 2 a 3 semanas (Newnan et al., 2007).

Fumonisina

As fumonisinas são produzidas principalmente por fungos do gênero Fusarium verticillioides e Fusarium proliferatum. As fumonisinas mais prevalentes são do grupo B, com destaque para a fumonisina B1 (FB1) e a fumonisina B2 (FB2). É encontrada principalmente no milho e em seus subprodutos.
As fumonisinas são mal absorvidas no intestino e podem ser inativadas pela microbiota intestinal. Uma vez que entram na circulação sanguínea, as fumonisinas danificam principalmente o rim e o fígado. Os efeitos clínicos das fumonisinas variam entre as espécies animais, mas a maioria das investigações toxicológicas não abordam animais de companhia.

Ocratoxinas

Essas toxinas são produzidas pelo Aspergillus sp. e Penicillium sp. A ocratoxina mais importante e mais tóxica encontrada naturalmente nos alimentos é a ocratoxina A. Esta variedade A foi isolada de cereais como o milho, aveia, trigo e cevada e por ter estreita ligação com proteinas plasmáticas também pode ser encontrada em produtos de origem animal (Leung et al., 2006).
Outra preocupação em relação a essa toxina é a capacidade do fungo produzi-la em rações acabadas e mal armazenadas, incluindo ambientes como a casa onde reside o cão ou gato.

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Em um estudo onde foi administrada por via oral, 0,2 a 0,3 mg/kg de ocratioxna A para cães, cerca de 20 minutos após o consumo, os cães tornaram-se agitados com a respiração ofegante, prostrados e apresentaram vômitos.

Zearalenona

Também conhecida como micotoxina F2, é um metabólito estrogênico potente produzido pelo fungo Fusarium, principalmente F. graminearum, F. culmorum, F. equiseti e espécies do gênero Gibberella sp.
Pode ocorrer na cevada, aveia, arroz de trigo, sorgo, gergelim, soja, produtos à base de cereais.
O principal sintoma da zearalenona são:
alterações no trato reprodutor
como redução da fertilidade
aumento de absorção de embriões, redução do tamanho de ninhada, alterações dos níveis séricos de progesterona e estradiol
e alterações no peso da adrenal, tireóide e hipófise.
Não foram encontrados estudos de intoxicação em gatos, mas cães são considerados particularmente sensíveis a essa micotoxina estrogênica (EFSA, 2017). Com uma dose de 25 μg/kg por peso vivo em cadelas adultas, a Zearalenona pode produzir lesões no miométrio e endométrio (Montes et al. 2020).

Micotoxinas Tremogênicas

Existem mais de 20 micotoxinas classificadas como tremogênicas, dentre elas a penitrem A e roquefortina C estão amplamente associados a efeitos negativos para animais de companhia. São produzidas pelos fungos Penicillium, Aspergillus, e Claviceps.
Os principais sintomas para os cães e gatos que consomem alimentos com a presença destas micotoxinas são fraqueza, tremores musculares, irritabilidade, rigidez, hiperatividade, febre, ataxia, convulsões e morte.
A ocorrência dessas toxinas contrasta com as aflatoxinas, ocratoxina A e o tricotecenos, pois raramente são encontradas em ingredientes de rações, mas geralmente são produzidas durante a deterioração dos alimentos. A exposição oral a 0,175 mg de penitrem A/kg de peso corporal mostrou induzir tremores musculares em cães (Hocking et al., 1988).

Prevalência das micotoxinas em ração pet



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