A fundamental importância das vitaminas para a avicultura moderna
As vitaminas são compostos orgânicos não sintetizados pelas aves, o que demanda que sejam incorporadas através da dieta. Elas são essenciais para o funcionamento de importantes processos bioquímicos, especialmente funcionando como catalisadoras de reações químicas.
Existem ainda as pró-vitaminas, substâncias a partir das quais o organismo é capaz de sintetizar vitaminas. Por exemplo: carotenos (pró-vitamina A) e esteróis (pró-vitamina D).
Conforme a sua solubilidade, as vitaminas são classificadas em:
- Lipossolúveis: aquelas solúveis em gordura, o que é uma característica importante, pois permite seu armazenamento orgânico. Fazem parte deste grupo as vitaminas A, D, E e K.
- Hidrossolúveis: São as vitaminas do complexo B e a vitamina C, solúveis em água. Já estas não podem ser armazenadas no organismo, sendo absorvidas e excretadas rapidamente.
Vitaminas Lipossolúveis
Vitaminas Hidrossolúveis
As vitaminas do complexo B compreendem oito vitaminas, são elas:
APLICAÇÕES DAS VITAMINAS FRENTE AOS MODERNOS DESAFIOS DA AVICULTURA
Existem diferentes mecanismos biológicos que reduzem o estresse térmico, por exemplo: respiração ofegante, sudorese e vasodilatação. Sob condições de estresse calórico, o consumo de ração e a atividade das aves são reduzidos (Figura 1).
Elas passam mais tempo bebendo água, descansando e ofegando. A capacidade de controle térmico das aves é reduzida, sobretudo pelo fato de possuírem alta temperatura corporal (entre 41 e 42 ºC) e não disporem do mecanismo da sudorese, presente em outras espécies animais.
O estresse térmico também pode reduzir a digestibilidade de nutrientes, gordura e deposição de carne, reduzindo também a formação muscular das aves.
Também pode induzir alcalose respiratória e suprimir a função imunológica dos lotes de frangos de corte. Mas o que tudo isso tem haver com vitaminas?
Esse mesmo estresse térmico promove a redução da concentração corporal de vitaminas antioxidantes, como as vitaminas C, A e E. Também atua elevando a excreção de minerais fundamentais para a composição do plasma e a formação dos tecidos, levando a danos nas membranas celulares. |
A Vitamina C, também chamada de ácido L-ascórbico, é um potente antioxidante, que geralmente é sintetizada no fígado e rins das aves.
Há um série de recomendações em literatura indicando sua suplementação para aliviar os efeitos do estresse calórico, assumindo que durante o estresse calórico as necessidades dessa vitamina podem ultrapassar a sua capacidade de síntese orgânica.
Pesquisas demostraram que a adição da vitamina C à dieta melhoram o consumo de ração, o ganho de peso médio diário e a conversão alimentar.
Um fator importante a ser observado é que ela não pode ser sintetizada pelas aves, e depende exclusivamente da suplementação alimentar. Segundo o NRC (1994), a recomendação de vitamina E na dieta para matrizes de corte é de 6 mg/kg.
Além de atuar como antioxidade, tem importantes papeis na produtividade de matrizes de corte, na qualidade do ovos, na eclosão e, principalmente, na qualidade dos pintinhos nascidos.
A vitamina E atua reduzindo o envelhecimento ovariano causado pelo estresse oxidativo, que é responsável pela diminuição da produtividade de matrizes poedeiras idosas.
Pesquisas demonstram que a suplementação dietética em matrizes tem efeitos positivos no aumento da capacidade antioxidante das gemas, bem como no aumento do desenvolvimento do embrião e dos pintos nascidos.
Para estes pintinhos, que têm capacidade limitada de ingestão pela ração, a suplementação de vitamina E demonstra ser particularmente importante no crescimento, aumentando a taxa de ganho de peso inicial.
Sendo a vitamina E um forte protetor antioxidante, as posturas de aves suplementadas com ela demonstram melhor eclosão quando comparadas à controles sem suplementação. Isso tem um forte impacto na viabilidade de produção de pintos.
As vitaminas têm diversos papeis fundamentais à concepção e permanência da vida. Atuam de maneira complementar aos alimentos estruturais, favorecendo reações extremamente necessárias ao funcionamento orgânico.
Estes, por sua vez, frutos do desenvolvimento genético avançado, requerem cada vez mais dietas elaboradas para que possam expressar todo o seu potencial produtivo, características próprias de uma avicultura competitiva e sustentável.
Referências sob consulta