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Cruzados Angus leiteiros são terminados sem concentrado

Luc Delaby apresentou sistema com abate próximo dos dois anos, silagem de capim de alta qualidade na etapa final e diferenças de carcaça entre cruzamentos com Holstein, Normande e Jersey.

Por redação nutriNews Brasil

A terminação de bovinos cruzados Angus provenientes de rebanhos leiteiros foi conduzida sem concentrado nos dois meses finais em uma experiência francesa apresentada por Luc Delaby no Fórum Brasil Sul de Bovinocultura de Corte 2026. Nessa etapa, os animais receberam silagem de capim de alta qualidade. O gráfico apresentado registra ganho de peso de 900 gramas por dia no último período em instalações, dentro de um ciclo com abate próximo dos dois anos.

O resultado integra uma proposta de produção de carne que combina reprodução planejada no rebanho leiteiro, uso de Angus e alimentação baseada em forragens. Não se trata de criação exclusivamente a pasto: o manejo alterna pastejo e períodos em instalações, acompanhando a disponibilidade de alimento e as estações do ano na França. Também houve uso de concentrado na fase inicial da criação, segundo a apresentação.

A experiência, denominada Tripl’Scotch e associada ao projeto Tripl’XL, comparou descendentes de Angus com três raças maternas — Holstein, Normande e Jersey. Delaby apresentou resultados de animais produzidos entre 2020 e 2024. As tabelas de carcaça e qualidade da carne identificam 37 animais no grupo Holstein, 31 no Normande e 27 no Jersey.

Reposição leiteira e produção de carne no mesmo planejamento

O ponto de partida do sistema é organizar os nascimentos destinados à reposição do rebanho leiteiro. Delaby explicou que o sêmen sexado permite direcionar a produção de fêmeas a partir de vacas e novilhas selecionadas, abrindo espaço para o uso de genética de corte nos demais acasalamentos.

Na estratégia apresentada, a reprodução com Angus sucede o período destinado à produção de fêmeas de reposição. O palestrante justificou a escolha da raça pela facilidade de parto, inclusive em vacas Jersey, pela precocidade e pela capacidade de acabamento com alimentação baseada em forragens.

Esses critérios precisam ser entendidos dentro do objetivo do sistema: produzir animais para abate próximo dos dois anos, com características de carne e carcaça compatíveis com o mercado atendido pela experiência.

A qualidade da forragem muda entre as etapas

Os nascimentos foram concentrados em março e abril, na primavera francesa. Na fase inicial, os animais foram criados junto às fêmeas de reposição. O primeiro contato com o pastejo ocorreu no outono, antes do retorno às instalações para o inverno.

No segundo ano, o período de pastejo se estendeu de março a novembro. Os machos haviam sido castrados aos cinco meses, permitindo o manejo conjunto com as fêmeas.

Delaby distinguiu a alimentação dos dois invernos. No primeiro, descreveu o uso de forragem conservada de qualidade comum. Já nos dois meses finais de terminação, destacou silagem de capim de alta qualidade e ausência de concentrado.

Essa distinção delimita a aplicação do resultado. A experiência apresentada não demonstra que qualquer silagem possa sustentar o mesmo desempenho, nem permite transferir diretamente o manejo para condições brasileiras de pastagem, clima e conservação de forragens.

Raça materna alterou o resultado de carcaça

Sob o manejo comum apresentado, os cruzados Angus × Holstein e Angus × Normande tiveram resultados próximos. Os pesos de carcaça foram de 295 e 303 kg, com rendimentos de 50,0% e 50,5%, respectivamente. Para Angus × Jersey, os valores foram de 251 kg e 49,1%.

A composição estimada também apresentou diferenças. A participação de músculo foi de 66,9% no grupo Holstein, 67,1% no Normande e 64,7% no Jersey. A proporção de gordura foi de 17,9%, 17,8% e 19,2%, na mesma ordem.

Os animais foram acompanhados com pesagens individuais a cada duas semanas. A avaliação incluiu composição de carcaça e características sensoriais da carne.

Para quem considera produzir carne a partir do rebanho leiteiro, os resultados oferecem referências de desempenho e mostram a necessidade de avaliar o cruzamento juntamente com a alimentação e o produto vendido. A apresentação não trouxe uma planilha de custos que permitisse estabelecer a margem do sistema ou comparar sua rentabilidade com outras formas de terminação.

 

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