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Da mistura a boca da vaca: Qualidade da TMR sem desperdício

Da mistura a boca da vaca: Qualidade da TMR sem desperdício.

Escolha do Vagão Misturador.

O custo da alimentação na produção de leite ou engorda de bovinos pode representar até mais de 50% do custo total de produção. A ração concentrada é um dos principais itens de custo e a sua quantidade e tipo depende da qualidade e quantidade de alimento volumoso. A alimentação equilibrada é fundamental para a saúde e o bem-estar dos animais, maximizar o ganho de peso, e para a produção de leite com teores adequados de sólidos totais.

A escolha criteriosa de um Vagão Misturador (Mixer) representa um investimento estratégico que pode gerar retornos significativos em termos de eficiência alimentar, desempenho animal e rentabilidade da produção. 

Este artigo técnico tem como objetivo fornecer informações precisas e orientações práticas, capacitando técnicos e produtores a tomar decisões informadas e a selecionar o equipamento que melhor se adapta às suas necessidades.

 

Critérios Técnicos para a Seleção do Vagão Misturador.

Com base na avaliação das necessidades operacionais, torna-se possível definir os critérios técnicos que nortearão a seleção do equipamento.

A etapa inicial para a seleção do vagão misturador ideal consiste na identificação precisa das demandas específicas de sua propriedade e as respostas às questões a seguir podem apresentar variações significativas entre diferentes produtores, mas são essenciais para a escolha do Vagão Misturador ideal:

Dimensionamento do Vagão: Qual a capacidade volumétrica (m³) requerida para atender à demanda do rebanho, considerando o consumo diário, a frequência de alimentação e a expectativa de crescimento do rebanho?

Composição da Dieta: Quais os ingredientes são frequentemente utilizados na formulação da dieta (volumosos, concentrados, aditivos) e qual a proporção média de cada um?

Capacidade de Mistura: O equipamento é capaz de processar e homogeneizar a dieta formulada, considerando a granulometria e a densidade dos ingredientes?

Incorporação de Forragem: O sistema de mistura permite a incorporação eficiente de forragens (feno, pré-secado, silagem de milho), preservando a integridade das fibras e evitando a segregação dos componentes?

Uniformidade da Mistura: Qual a variação da mistura obtida, garantindo a distribuição homogênea dos nutrientes em cada porção da dieta?

Gerenciamento de Lotes: A balança e o sistema de gestão do equipamento permitem a dosagem precisa e a distribuição individualizada da dieta para diferentes lotes de animais, considerando suas exigências nutricionais específicas?

Intensidade de Utilização: Qual a frequência e a duração da utilização diária do equipamento, influenciando a escolha de modelos com maior robustez e durabilidade?

Suporte Técnico: Qual a disponibilidade de serviços de assistência técnica e manutenção preventiva na região, garantindo a longevidade e o desempenho do equipamento?

Características Construtivas: O equipamento apresenta um projeto robusto, com materiais de alta resistência e componentes de qualidade, garantindo a durabilidade e a confiabilidade em condições de uso intensivo?

Disponibilidade de Modelos: Quais os modelos disponíveis no mercado, com diferentes capacidades, sistemas de mistura e funcionalidades, que se adequam às suas necessidades?

Referências de Mercado: Existem outros produtores na região que utilizam o mesmo modelo de equipamento, permitindo a avaliação de seu desempenho em condições reais de operação?

Restrições Orçamentárias: A empresa oferece opções de financiamento para a aquisição do equipamento, considerando os custos de aquisição, instalação, operação e manutenção?

 

Modelos de Vagões Misturadores

A mistura requer movimento das partículas dos alimentos por meio de roscas e “pás tombadoras” e as forças mecânicas que misturam os alimentos também podem causar a redução do tamanho das partículas. Esta redução pode ou não ser uma função benéfica ou desejada da operação de mistura. Se de um lado o misturador deve ser capaz de processar a forragem por outro lado não deve reduzir tanto o tamanho das partículas de modo a prejudicar digestibilidade da dieta.

 De modo geral, os vagões misturadores se enquadram nas seguintes categorias: 

Vagão Misturador Horizontal 

Este vagão usa dois, três ou quatro eixos para promover a mistura. Os alimentos se movem ao longo do vagão no sentido horizontal. Em misturadores de três e quatro eixos, uma ou duas roscas giram em sentido contra-rotativos e/ou movimentos que promovem o fluxo dos alimentos em direção oposta um dos outros. O fluxo dos alimentos se dá de ponta a ponta e de baixo para cima. Os alimentos se movem em direção à porta de descarga e é descarregada quando a porta é aberta

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador horizontal.

Nos projetos mais modernos desse tipo de misturador as roscas de mistura dos eixos principais são dotadas de facas entalhadas com capacidade de processar fibras mais longas em tamanhos adequados ao tipo de dieta desejada. Contudo, é fundamental que se tenha a opção para que essas facas de corte possam ser substituídas por “facas cegas” (totalmente sem corte) para as dietas onde se deseja uma boa qualidade de mistura, mas com o mínimo processamento da forragem. As diferenças de projeto nesses misturadores incluem a velocidade de rotação dos eixos helicoidais (caixa de redução) e o diâmetro do eixo helicoidal. 

Para esses tipos de vagão misturador é necessário um volume mínimo de 20 a 30% da capacidade de carga (em volume) para que os ciclos de mistura ocorram de forma satisfatória. Essa observação deve ser levada em consideração na escolha do tipo e do volume do vagão quando se tem, na mesma fazenda, lotes e/ou categorias com grande variação no número de animais.

Sequência de carga sugerida:

  1. Misturas minerais/vitaminas/aditivos;
  2. Farelos e grãos moídos finos;
    1. Fazer uma pré mistura rápida;
  3. Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos;
  4. Feno/silagens pré secadas ou de capins;
    1. Fazer uma pré mistura para processar essa primeira forragem (reduzir tamanho partículas), se necessário;
  5. Silagem de milho;
  6. Tempo de mistura final.

Mecanismos para processamento de forragens:

  1. Intenso
    • Todas as facas das roscas com corte + contra facas presentes.
  2. Moderado
    • Parte ou todas as facas das roscas sem corte + contra facas presentes.
  3. Mínimo
    • Todas as facas das roscas sem corte + remover contra faca lateral.

Vagão Misturador Vertical

Este misturador consiste em uma estrutura com um (ou mais) eixo cónico vertical centrado. Uma caixa de engrenagens planetária e transmissão acionam o(s) eixo(s). Um sistema de corte que pode ou não ser acionado é anexado à parede do vagão, aumentando a capacidade de processar e reduzir o tamanho das partículas da forragem, mesmo quando na forma de grandes fardos de feno ou silagem pré secada.

A rosca vertical, com suas pás helicoidais, impulsiona os ingredientes do fundo para a parte superior do vagão. Ao alcançar a parte superior os ingredientes descem, promovendo um ciclo contínuo de elevação e queda. Esse fluxo alternado garante a homogeneidade, evitando a segregação dos componentes. Durante a mistura ou descarga o sistema pode alterar sua velocidade ou o tempo de rotação para adequar-se à densidade e tipo dos alimentos.

 

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador vertical.

É indicado para dietas ricas em alimentos volumosos e para que o sistema de mistura tenha maior eficiência é necessário que o volume atinja entre 30 a 50% da capacidade de carga do vagão. Essa característica deve ser levada em consideração para a mistura de dietas para lotes e categorias que, em certas ocasiões, podem ter menor número de animais.

Sequência de carga sugerida:

  1. Misturas minerais/vitaminas/aditivos;
  2. Farelos e grãos moídos finos;
    1. Fazer uma pré mistura rápida;
  3. Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos;
  4. Feno/silagens pré secadas ou de capins;
    1. Fazer uma pré mistura para processar essa primeira forragem -reduzir tamanho partículas, se necessário;
    2. Acionar ou recolher as contra facas de acordo com o processamento desejado para a essa primeira forragem;
    3. Recolher contra facas;
  5. Silagem de milho;
  6. Tempo de mistura final.

Mecanismos para processamento de forragens:

  1. Intenso
    • Todas as facas das roscas abertas + contra facas acionadas.
  2. Moderado
    • Todas as facas das roscas abertas + contra facas recolhidas total ou parcial.
  3. Mínimo
    • Todas as facas das roscas recolhidas + contras facas totalmente recolhidas.

Vagão Misturador com Rotor e Pás Tombadoras

Este tipo de vagão misturador combina um conjunto de roscas e um eixo maior dotado de pás tombadoras. Os alimentos são levantados e tombados pelo molinete, movendo-a para as roscas sem-fins rotativas que promovem uma ação de mistura, movimentando os alimentos de ponta a ponta e até a porta de descarga. As facas nas roscas, quando presentes, processam minimamente a forragem quando necessário.

Este tipo de vagão é utilizado, na maioria das situações, para alimentação de gado de corte em confinamento, cujas dietas são ricas em concentrados e com baixos teores de fibra, que geralmente já está processada (forragens repicadas, bagaço de cana, ensilados, etc).

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagões misturadores com rotor e pás tombadoras.

Sequencia de carga sugerida:

  1. Misturas minerais/vitaminas/aditivos;
  2. Farelos e grãos moídos finos;
    1. Fazer uma pré mistura rápida;
  3. Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos;
  4. Forragens/fibras processadas (baixa inclusão);
  5. Tempo de mistura final.

Vagão Misturador com Pás Tombadoras

Este vagão é dotado de pás misturadoras para levantar e rolar os alimentos. Um eixo central move os alimentos de ponta a ponta e até a porta de descarga. É interessante que as pás tombadoras sejam revestidas ou acopladas a materiais flexíveis (borrachas) que raspem o fundo do vagão sem promover abrasão ou danificar os ingredientes da dieta.

A parte superior da caixa do vagão é aberta de modo a permitir o carregamento com estruturas de carga acopladas a tratores ou silos de descarga.

Esse tipo de vagão é ideal quando se tem dietas compostas por grãos inteiros e pellets e que exigem o mínimo possível de processamento (quebra), mas que demandam boa qualidade de mistura. 

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador com pás tombadoras.

Sequência de carga sugerida:

  1. Misturas minerais/vitaminas/aditivos;
  2. Farelos e grãos moídos ou íntegros;
    1. Fazer uma pré mistura rápida;
  3. Silagem de grãos/ Sub produtos úmidos;
  4. Forragens/fibras processadas (baixa inclusão);
  5. Tempo de mistura final.

Vagão Misturador com Helicoide 

Este vagão é composto por uma estrutura de menor volume (até 2,5 m3) contendo um helicoide grande que promove a mistura por tombamento. Uma rosca interna auxilia na mistura e move o material para a porta de descarga. Geralmente, esse tipo de vagão é acoplado ao sistema hidráulico do trator e é recomendado para situações onde o lote a ser alimentado é relativamente pequeno e não há necessidade de processamento da forragem. Em caso de inclusão de fibra longa é necessário o processamento prévio.

Figura. Sentido de fluxo de mistura em vagão misturador com helicóide.

Sequência de carga sugerida:

  1. Forragens processadas (fenos/silagens pré secadas picados);
  2. Farelos/grãos moídos/rações concentradas;
  3. Misturas minerais/vitaminas/aditivos (ideal é que estejam na ração);
    1. Fazer uma pré mistura;
  4. Silagem de milho;
  5. Tempo de mistura final.

Avaliação da qualidade da mistura da dieta total

Avaliar a qualidade da mistura da dieta total (TMR) é essencial para garantir um fornecimento uniforme dos alimentos, refletindo diretamente na eficiência produtiva e na saúde dos animais. Quando o vagão misturador é capaz de proporcionar uma homogeneidade ideal, cada animal recebe a quantidade exata de energia, proteínas e demais nutrientes necessários para um desempenho otimizado. 

O conjunto de peneiras Penn State Box é usado para avaliar o tamanho das partículas e a distribuição da dieta total na linha de cocho.

 

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