Dicas para navegar pela selva da suplementação de minerais
Nutrição precisa
Na produção pecuária moderna, a nutrição precisa é fundamental para alcançar o desempenho ideal. A nutrição mineral, mesmo que as exigências dos animais sejam baixas, não é exceção. Os minerais são realmente essenciais para o crescimento adequado e estão envolvidos em muitas funções metabólicas.
No passado, devido à sua baixa biodisponibilidade, minerais inorgânicos como óxido, sulfato e carbonato eram frequentemente fornecidos em excesso para garantir o atendimento das necessidades dos animais. Essa opção não é mais viável, pois a produção agropecuária atual deve ser sustentável.
O desafio, portanto, é atender às necessidades dos animais de forma eficiente, evitando excessos e reduzindo a excreção de minerais no meio ambiente, contribuindo para uma produção mais sustentável. Minerais orgânicos podem ser uma solução, porém como encontrar o caminho em meio à variedade de produtos disponíveis no mercado?
Minerais orgânicos
Minerais orgânicos estão ligados a uma ou várias moléculas que contêm carbono, essas moléculas são chamadas de ligantes.
A função desses ligantes é proteger o mineral de interações no trato digestivo e melhorar sua absorção, permitindo que o mineral utilize vias de absorção mais eficientes.
A eficácia dos minerais orgânicos, portanto, dependerá do tipo de ligante.
Critérios de qualidade para selecionar minerais orgânicos
Um dos primeiros fatores a ser considerado é o índice de quelação, que é uma forma de quantificar a fração do mineral na forma orgânica em uma amostra. Isso deve ser avaliado juntamente com a concentração do mineral.
Por exemplo, em um produto com 18% de zinco, se o índice de quelação for 85%, significa que 15,3% do zinco está na forma orgânica. O objetivo é ter um alto índice de quelação, o que depende dos ligantes escolhidos, mas também do processo de produção e do know-how do fornecedor.
Em segundo lugar, a estabilidade no trato gastrointestinal deve ser forte. De fato, os minerais orgânicos enfrentarão diferentes condições, como um pH ácido no estômago entre a ingestão e a absorção intestinal.
As ligações entre o mineral e seus ligantes devem ser suficientemente fortes para evitar a dissociação antes da absorção; caso contrário, o mineral não se beneficiaria das vias de absorção dos ligantes. A força das ligações é influenciada pela estrutura química do mineral e dos ligantes.
Naturalmente, cada mineral tem afinidades preferenciais com certos ligantes. Assim, usar o mesmo ligante para todos os minerais não permite aproveitar essas ligações preferenciais.
Os ligantes ‘específicos’ mais utilizados, ou seja, o mesmo ligante é usado para ligar todos os minerais, são glicina, metionina ou HMTBA. Por outro lado, quando os ligantes são ‘não específicos’, os fornecedores utilizam hidrolisados proteicos (composição variável em aminoácidos e peptídeos), o que permite que cada mineral escolha seus aminoácidos preferenciais para se ligar, garantindo assim uma quelação mais forte.
Em seguida, a biodisponibilidade define a quantidade de mineral ingerido que será efetivamente aproveitada pelos animais. Ela é influenciada em parte pelo índice de quelação e pela estabilidade, mas também pela natureza dos ligantes, pois determina as vias de absorção que podem ser utilizadas. Escolher ligantes conhecidos por terem uma absorção eficaz ou capazes de utilizar diferentes vias é uma boa estratégia para otimizar a biodisponibilidade.
Estudos de biodisponibilidade
A biodisponibilidade pode ser avaliada por meio de estudos in vivo nos quais uma fonte mineral inorgânica é comparada a uma orgânica em diferentes doses. Para uma avaliação adequada, é necessário um protocolo rigoroso.
Na tabela abaixo são apresentados os resultados de um estudo realizado no Brasil, com frangos de corte Cobb 500, no qual foi comparado um zinco orgânico (quelato de aminoácidos e pequenos peptídeos) ao sulfato de zinco (inorgânico).

Com base nos diferentes parâmetros avaliados (do dia 1 ao dia 21), a biodisponibilidade média da fonte orgânica foi de 182,8%. Em termos práticos, isso significa que 100 mg de sulfato de zinco poderiam ser substituídos por 54,7 mg do zinco orgânico testado para obter o mesmo desempenho.
Eficiência econômica
Por fim, a seleção dos melhores minerais orgânicos não pode ser feita sem considerar a eficiência econômica.
Após comparar os minerais orgânicos com base nos critérios acima, o custo por ponto de mineral é um indicador que permite comparar os diferentes produtos comerciais e avançar para uma escolha mais econômica.