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Manejo alimentar: tipos de ração, taxas de arraçoamento e estratégia alimentar

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Manejo alimentar: tipos de ração, taxas de arraçoamento e estratégia alimentar

A piscicultura nos últimos anos tem se expandido, em função da demanda pelo produto, exigindo mais conhecimento de técnicas que permitem maior produção e renda (Bartz et al. 2018). Um manejo alimentar eficiente deve ser almejado em uma piscicultura, pois a ração é insumo mais oneroso da atividade, cerca de 70% (Istchuk, 2014).

Sendo assim, é fundamental a implementação de um sistema de alimentação, taxa de arraçoamento correta, e estratégia alimentar eficiente, visando atingir o máximo crescimento dos peixes com menor consumo de ração.

Dessa forma, a implantação de um sistema de alimentação permite ao produtor ter maior controle da ração oferecida aos peixes é importante.

As diversas espécies de peixes têm necessidades nutricionais diferentes, principalmente relacionadas ao seu hábito alimentar ou as fases de vida.

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Peixes nas fases iniciais — alevinos e juvenis — também têm necessidades alimentares diferentes de peixes na fase final de engorda. Inicialmente, é importante conhecer quais são os principais nutrientes presentes na ração para peixes.

Usar o alimento correto que atenda as exigências nutricionais para cada fase de vida do seu peixe é muito importante para ter peixes saudáveis e uniformes, e consequentemente você terá mais resultados. Na tabela 1, são indicadas as rações para as determinadas fases de vida dos peixes.

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Tabela 1– Indicação das rações para cada fase de vida, tamanho, peso médio dos peixes, teor de proteína e granulometria.

Fonte: Elaborado pelos autores

O crescimento dos peixes nos diversos sistemas de cultivo, está diretamente relacionado ao fornecimento de rações (De Paula et al., 2020).

O fornecimento de rações aos peixes se caracteriza pela quantidade diária de ração, que é normalmente realizada em função do peso vivo dos peixes e número de alimentações diárias. Informações quanto a determinação da porcentagem de alimentação e da frequência alimentar para diferentes espécies de peixes são quesitos fundamentais para a produção com retorno econômico satisfatório aos produtores (Signor et al., 2018).

A alimentação influencia diretamente não apenas os parâmetros de crescimento, mas, a utilização de nutrientes e a composição corporal dos peixes (Oliveira et al., 2016).

O manejo alimentar, deve considerar o hábito da espécie produzida, o sistema de cultivo, a produtividade natural no ambiente, as condições climáticas e o manuseio do alimento (Santos et al., 2013).

Para que os peixes apresentem um bom desempenho e aproveitem ao máximo a ração fornecida, a observação das condições de qualidade de água, vento, locais, horários e a forma de distribuição são fundamentais.

Quando o mesmo é realizado de forma inadequada, pode levar a problemas de aumento nas taxas de conversão alimentar e desuniformidade do lote, o que não é desejável. Realizar um bom manejo alimentar não se limita apenas em fornecer um alimento de qualidade aos peixes, pois a forma e o horário da alimentação, a quantidade e o número de vezes que o alimento é fornecido podem resultar em maior crescimento, melhor conversão alimentar e diminuir as perdas de ração (Schinaittacher et al., 2005).

A taxa de alimentação influência tanto no crescimento quanto na eficiência alimentar dos peixes, pois seu crescimento está relacionado a disponibilidade de alimento. A taxa alimentar representa a quantidade de ração diária ofertada ao peixe, sendo, tal quantidade, expressa na porcentagem de seu peso vivo.

Dessa forma, a taxa de alimentação ideal para os peixes é aquela que proporciona maior ganho de peso com menor índice de conversão alimentar dos peixes (Hilbig et al., 2012).

O número de refeições diárias em condições naturais pode variar com o hábito alimentar e plasticidade trófica da espécie, não podendo ser utilizada como parâmetro único na definição do manejo alimentar, variam entre uma vez ao dia a oito vezes ao dia.

Sendo assim, o efeito da frequência alimentar para cada espécie em confinamento é importante na definição do melhor manejo. O manejo de alta frequência alimentar permite aumento na taxa alimentar, até certo limite, sem haver desperdícios.

Os parâmetros físico-químicos da água, tem um papel fundamental para o adequado consumo, desempenho e saúde dos peixes (Howell e Baynes, 2004). Para cada espécie de peixe existe um limite térmico máximo e mínimo e dentro dessa faixa a taxa de crescimento dos peixes é máxima, mas fora desse limite ocorrem efeitos deletérios causando uma queda na taxa de crescimento (Figura 1 ).

Figura 1- Faixa de conforto térmico para peixes tropicais

Fonte: Piscicultura: Alimentação- Coleção Senar (2019)

 

Sendo assim, o conhecimento do limite térmico da espécie criada em cativeiro e sua relação com os fatores que evolvem seu crescimento é de extrema importância. O fornecimento de ração abaixo das necessidades metabólicas dos peixes, pode ocasionar retardos no desenvolvimento dos animais, diminuição da imunidade, possibilitando doenças e altas mortalidades, e o não atendimento da exigência do produto no mercado (Da Silva et al., 2020).

Em contrapartida, o fornecimento de ração acima das necessidades metabólicas dos peixes, ocorre sobra de rações, que compromete a qualidade de água (Rocha Loures et al., 2001), por consequência, pode acarretar problemas metabólicos e propiciar condições favoráveis às doenças, reduzindo a lucratividade em função do aumento dos custos de produção.

Informações quanto a porcentagem de alimentação e frequência alimentar para as diferentes espécies de peixes são quesitos fundamentais para a produção com retorno econômico (Signor et al., 2018). Conhecer os hábitos de vida da espécie a ser cultivada é extremamente importante para definir o período de alimentação.

Para a maioria dos peixes de água doce, o fornecimento de alimento é realizado no período diurno. Mas, não são todas as espécies de peixes que se desenvolvem adequadamente quando alimentados no período diurno. Para definir o melhor período para oferecer alimento e com isso obter o máximo desempenho dos peixes em condições de cultivo, é fundamental conhecer o hábito de vida e o período que a espécie cultivada prefere se alimentar.

Considerações Finais
O conhecimento dos hábitos alimentares das espécies cultivadas, bem como o fornecimento da ração com a granulometria adequada para cada fase de vida, é de extrema importância para o desenvolvimento os peixes. Para um bom manejo alimentar, deve-se associar a taxa de alimentação que maximize o crescimento, com baixa conversão alimentar e a estratégia de alimentação, que contribuam para maior crescimento dos peixes, redução do desperdício de alimento e menor custo de produção.
 

Referências
BARTZ, R.L.; MOREIRA, G.C.; SCHMIDT, C.A.P.; VINCENZI, S.L. Comparação de duas tabelas de arraçoamento utilizadas no cultivo de tilápias na Região Oeste do Paraná. Brazilian Journal of Development, v.4, n.7, p.3945-3958, 2018.
DA SILVA, M. A. et al. Feeding management strategies to optimize the use of suspended feed for Nile tilapia (Oreochromis niloticus) cultivated in bioflocs. Aquaculture Research, v. 51, n. 2, p. 605–615, 2020.
DE PAULA, G. H., Calabresi, G. E., Boff, J. E. D., Figueiredo, L. P., Fonseca, C., Coldebella, A., … & Signor, A. A. Manejo alimentar de piavuçu (Leporinus macrocephalus) na fase inicial de cultivo. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 7, p. 53053-53065, 2020.
E., OLSEN, Y. Culture of cold-water marine fish. Oxford: Ed. Blackwell Publishing, 2004. cap. 2, p. 7-26.
HILBIG, C.C. Feeding rate for pacu reared in net cages. Revista Brasileira de Zootecnia, v.41, p.1570-1575, 2012.
HOWELL, B. R., BAYNES, S. M. Abiotc Factors. In: MOKSNESS, E., KJØRSVIK, ISTCHUK, P. I. Avaliação do custo de produção de tilápias produzidas em tanques -rede em monte santo de minas – MG. 2014. 36 f. Dissertação (Mestre en Gestão do Agronegócio) – Departamento de Economia Rural e Extensão, Setor de Ciências Agrárias. UFPR, Curitiba. 2014.
OLIVEIRA, F. A. et al. Automatic feeders for Nile tilapia raised in cages: productive performance at high feeding frequencies and different rates. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.68, n.3, p.702-708, 2016.
ROCHA LOURES, B.T.R.R.; RIBEIRO, R.P.; VARGAS, L.; MOREIRA, H.L.M; SUSSEL, F.R.; POVH, J.A.; CAVICHIOLO, F. Manejo alimentar de alevinos de tilápia do Nilo, Oreochromis niloticus (L.), associado às variáveis físicas, químicas e biológicas do ambiente. Acta Scientiarum, v.23, n.4, p.877-883, 2001.
SANTOS, E.L.; CAVALCANTI, M.C.A; FREGADOLLI, F.L.; MENESES, D.R.; TEMOTEO, M.C.; LIRA, J.E.; FORTES, C.R. Considerações sobre o maneio nutricional e alimentar de peixes carnívoros. Revista Eletrônica Nutritime, v.10, n.1, p.2216 2255, 2013.
SCHNAITTACHER, G., KING, W., BERLINSKY, D.L. The effects of feeding frequency on growth of juvenile Atlantic halibut, Hippoglossus hippoglossus L. Aquaculture Research, Chichester, v. 36, n. 4 , p. 370-377, 2005.
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Piscicultura: alimentação. / Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. – Brasília: Senar, 2019. 48 p.; il. 21 cm (Coleção Senar, 263).
SIGNOR, A.A.; SIGNOR, F.R.P.; NERVIS, J.A.L.; WATANABE, A.L.; REIDEL, A.; BOSCOLO, W.R. Feed management of pacu juveniles cultivated in net cages. Boletim do Instituto de Pesca, v. 44, n.3, p. 338-346, 2018.[/registrados]
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