Medidas na redução do uso de antibióticos na produção de frangos de corte

Repensar os atuais sistemas de produção de aves de corte é fundamental, principalmente quando inclui ações sobre o bem-estar animal e a sustentabilidade. Assim, reaproveitar e reinserir recursos na cadeia produtiva é uma das formas eficientes de preservar o ambiente e a saúde das aves.

A sustentabilidade é considerada por certificações, sendo um assunto o qual tem importância a médio e curto prazo para melhoria da vida de todos os seres deste planeta. O Better Chicken Commitment, por exemplo, considera relevante a preocupação com a sustentabilidade, demonstrando que as práticas adotadas na criação dos frangos, podem contribuir para a preservação ambiental, saúde animal e humana, por meio das reduções de mortalidades, morbilidades, utilização de antibióticos, uso correto da água, entre outros.

O modelo de sustentabilidade na avicultura de corte é focado no bem-estar animal, sugerindo um tripé de sustentação, que se traduz em:

– Boas práticas no qual se deve observar os caminhos do desenvolvimento sustentável e a evolução do setor avícola, com respeito ao meio ambiente e bem-estar animal;

– O controle de qualidade em que faz parte dos diversos desafios da avicultura, no que tange a evolução do produto, exigências do mercado por qualidade que resultam em melhorias ambientais;

– Liberdade animal, permitindo uma vida mais digna durante todo o processo de criação das aves.

O desenvolvimento sustentável decorre dos crescentes desafios aos problemas essenciais da humanidade e suas relações entre sociedade e natureza, no qual deve ser apropriado de forma universal pelos povos e todas as suas gerações futuras (Figura 1).

Na produção avícola, o uso de antibióticos apresentam modos de ação positivos com melhorias na saúde das aves, atuando como inibidores de infecções subclínicas, na redução de metabólitos microbianos depressores de crescimento nos intestinos, no aumento da disponibilidade de nutrientes tanto pela redução de microrganismos que competem pelos nutrientes, quanto pela melhora da absorção de nutrientes, na redução dos processos inflamatórios, entre outros.

Porém, o seu uso excessivo e/ou inadequado, bem como questionamentos sobre a ocorrência de seleção de bactérias e/ou surgimento de patógenos resistentes a estes medicamentos a longo prazo, levaram o mercado avícola a buscar soluções para sua substituição.

A poluição provocada por antibióticos no ambiente tem um impacto significativo, resultando em efeitos adversos nas comunidades biológicas tróficas do ecossistema, especialmente como um inibidor microbiano, levando a efeitos tóxicos diretos nas plantas e mudanças no ciclo de carbono e nitrogênio do qual os microrganismos participam. Tanto a água quanto o solo podem ser diretamente afetados pelos antibióticos. 

Para minimizar a poluição, o uso de antibióticos profiláticos passou a não ser mais aceitável. Uma estratégia nutricional dinâmica com foco nas interdependências entre ingredientes, intestino, microbioma e digestão pode ser viável, permitindo uma produção sustentável na criação de frangos de corte.

Outra mudança foi em relação ao uso de alternativas naturais e sustentáveis, como compostos derivados de plantas, que atuam para melhorar a microbiota intestinal.

No campo da fitoquímica, os fitoquímicos são compostos químicos também conhecidos como fitobióticos, fitogênicos, herbais ou botânicos, sendo componentes considerados aditivos para rações constituídos de plantas específicas e/ou partes de plantas. Devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, os fitoquímicos desempenharam e ainda desempenham um papel essencial, sendo capazes de influenciar processos fisiológicos importantes no organismo animal na descoberta e desenvolvimento de vários medicamentos, de acordo com estudos pré-clínicos, clínicos e epidemiológicos.

Práticas voltadas a biosseguridade das granjas tanto externa quanto interna também são consideradas importantes para preservar a saúde das aves.

-Biosseguridade externa: envolve fatores como impedimento da circulação de veículos próximos às granjas onde localizam as aves, desinfecção de veículos na entrada das granjas, acesso restrito de pessoas e visitantes, programa eficiente no controle de pragas e roedores, armazenamento adequado da cama do aviário, limpeza das áreas internas e externas das granjas, aves descartadas adequadamente.

 – Biosseguridade interna: envolve a presença de um protocolo de biosseguridade eficiente para evitar risco de contaminações. Barreiras duplas devem ser construídas ao lado dos galpões, entre outros procedimentos que envolvam medidas eficazes para evitar contaminações de patógenos. Para os ambientes internos da granja, as aves que chegam dever ter uma boa qualidade, advindos de incubatórios idôneos, que praticam medidas de higienização e limpeza a fim de obterem pintinhos saudáveis, alojamento efetivamente ventilado e na temperatura adequada, bem como registros devidamente corretos, entre outros.

Com relação ao uso de vacinas, estas podem ser eficazes para atuar no tratamento de infecções consideradas críticas para a indústria avícola. Alguns pesquisadores acreditam que se vacinas mais eficazes fossem desenvolvidas contra doenças virais ou infecções bacterianas secundárias, seria possível reduzir significativamente o uso de antibióticos, além de contribuir para uma imunização por indivíduo. Uma vacina fornece assistência ao sistema imunológico, preparando-o contra certos patógenos, como vírus ou bactérias, aos quais ele pode ser exposto no futuro.

Muitos fatores podem influenciar a escolha do método de vacinação, como espécie, local, mão de obra, tipo de produção e ciclo de produção. A escolha do método de vacinação também depende do estado geral de saúde das aves, imunidade materna e dos custos da vacina.

Ainda é importante, um adequado plano de saúde e bem-estar animal, que deve ser desenvolvido e apoiado por um profissional qualificado, sendo específico para um grupo de granjas sob o controle da mesma empresa. Também deve ser revisado com determinada periodicidade.

A cama das aves também é um local no qual pode ser verificada significativa persistência de resíduos antimicrobianos, pois esta cama é usada para fertilizar solos agrícolas e suplementar dietas animais devido à sua composição química e nutricional. Como resultado de sua reutilização, esses resíduos podem se espalhar para os solos, água e plantações, comprometendo a saúde humana e/ou de outros animais.

O consumo de culturas com resíduos antimicrobianos é arriscado, seja em altas doses ou após exposição prolongada. 

Como prática para minimizar os efeitos prejudiciais de uma cama contaminada, é possível a realização do método de auto aquecimento por empilhamento, como um meio prático e eficaz de eliminação de patógenos. Esse processo é realizado em duas etapas, cada uma com duração de 5 a 10 dias e envolve a formação de várias pilhas da cama de frango para gerar altas temperaturas e consequente eliminação de patógenos.

O conceito de avicultura sustentável reconhece a interdependência das várias dimensões, atuando cada vez mais na adoção de práticas sustentáveis que permitem preservar o meio ambiente, otimizando o bem-estar animal e humano. Em um mundo que enfrenta desafios gerais como mudanças climáticas e escassez de recursos, a busca por práticas sustentáveis deve ser essencial e constante.

 

Referências bibliográficas sob consulta junto ao autor.

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