Micotoxinas emergentes: O que sabemos até agora?

Micotoxinas emergentes: O que sabemos até agora?

Alltech

COMO SÃO DEFINIDAS AS MICOTOXINAS EMERGENTES?

Quando o assunto é micotoxinas, a maioria das pessoas conhece os tipos mais conhecidos, como a aflatoxina, o deoxinivalenol (DON) e a zearalenona (ZEN). Entretanto, à medida que novas pesquisas são realizadas e os métodos de detecção se tornam mais avançados, aprendemos cada vez mais sobre as formas menos conhecidas de micotoxinas, comumente chamadas de “micotoxinas emergentes”.

Embora as evidências dessas toxinas estejam surgindo rapidamente, elas são atualmente definidas como “micotoxinas que não são determinadas rotineiramente nem regulamentadas por legislação”. No entanto, assim como as formas mais conhecidas de micotoxinas, os produtores precisam ficar atentos, pois esses ladrões ocultos têm o mesmo potencial de causar problemas para a imunidade, a sustentabilidade agroalimentar e a rentabilidade geral da produção.

Desde o lançamento em 2012, o laboratório de análise de micotoxinas Alltech 37+ têm continuamente adicionado novas micotoxinas ao painel de testes, elevando o número total de micotoxinas detectáveis para 54. Com essa capacidade analítica avançada, a contaminação por micotoxinas emergentes está sendo identificada em um número cada vez maior de amostras de ingredientes para alimentação animal. Isso foi fortemente evidenciado nos resultados da Alltech Harvest Analysis de 2024.

Com base em mais de 530 amostras da safra de 2024 dos Estados Unidos, 98% das amostras de milho e de silagem de milho apresentaram presença de micotoxinas emergentes.

Na tabela a seguir, podemos verificar os resultados de 143 amostras de milho realizadas em 2024 mostrando que, em média, 8 micotoxinas foram identificadas por amostra.

RESULTADOS PARA MILHO

A pesquisa também traz os resultados relativos ao impacto das micotoxinas presentes nas amostras de milho, nas condições descritas na tabela acima, para diferentes espécies e categorias animais.

Essa análise contempla o REQ (Quantidade de Risco Equivalente), um sistema da Alltech que mede o risco cumulativo de múltiplas micotoxinas na ração, facilitando a avaliação da contaminação.

Ele combina os níveis de micotoxinas em um único valor, ajudando os produtores a gerenciar a segurança e a qualidade da alimentação.

Porcentagem de amostras com risco baixo, moderado ou alto para cada espécie. REQ: Mensuração do impactoacumulativo de micotoxinas em referência à aflatoxina B1 desenvolvida pela Alltech.

Porcentagem de amostras com risco baixo, moderado ou alto para cada espécie. REQ: Mensuração do impacto acumulativo de micotoxinas em referência à aflatoxina B1 desenvolvida pela Alltech.

 

RESULTADOS PARA SILAGEM DE MILHO

A análise de 355 amostras de silagem de milho foi realizada em 2024, reforçando a tendência de identificação de 8 micotoxinas em cada amostra.

Porcentagem de amostras com risco baixo, moderado ou alto para cada espécie. REQ: Mensuração do impactoacumulativo de micotoxinas em referência à aflatoxina B1 desenvolvida pela Alltech.

Porcentagem de amostras com risco baixo, moderado ou alto para cada espécie. REQ: Mensuração do impacto acumulativo de micotoxinas em referência à aflatoxina B1 desenvolvida pela Alltech.

Na análise do impacto do risco de micotoxinas em silagem de milho sobre desempenho de ruminantes, foi possível verificar que a produção de leite pode ser reduzida na magnitude de aproximadamente 0,5 L de leite por dia nas condições de contaminação conforme tabela acima. Em vacas de leite, a perda estimada diária de produção de leite por vaca é de -0,47 l/vaca/dia e a mudança potencial na contagem de células somáticas (CCS) é de 68,53%.

Embora mais dados estejam sendo acumulados sobre micotoxinas emergentes na alimentação animal, ainda há uma notável falta de estudos in vivo que avaliem como esse grupo de toxinas afeta sua saúde e desempenho.

Das sete micotoxinas emergentes que o Alltech 37+ pode detectar atualmente, cinco delas são metabólitos do fungo Fusarium, enquanto o alternariol origina-se do fungo Alternaria e a phomopsina A é um metabólito tóxico do fungo Phomopsis.

1 METABÓLITOS DE FUSARIUM

  • Beauvericina (BEA): Embora os estudos in vitro tenham constatado que a BEA é tóxica para roedores e aves, os mesmos resultados não foram observados em um ambiente in vivo. Os efeitos da BEA sobre aspectos da imunidade e a biodisponibilidade de produtos farmacêuticos foram sugeridos por estudos in vitro. Em aves, a exposição à BEA pode enfraquecer o sistema imunológico, tornando esses animais mais suscetíveis a doenças infecciosas. Além disso, essa toxina pode ter um impacto negativo sobre as células (afetando órgãos como o fígado ou os rins) ou sobre a reprodução (reduzindo a produção de ovos e comprometendo a viabilidade do embrião). Em frangos de corte, pode afetar o desempenho, o crescimento e a taxa de conversão alimentar. Os suínos expostos à BEA podem apresentar diarreia, vômito, letargia e, em casos graves, hemorragias. Além disso, essa toxina pode afetar a reprodução em fêmeas: causando abortos, fetos mumificados ou leitões natimortos. No caso dos ruminantes, observou-se uma redução na produção de leite em vacas que consomem alimentos contaminados com BEA.

  • Eniatinas A/A1 e B/B1 (ENNs): Quando analisadas em estudos in vitro, as ENNs são consideradas tóxicas. Em aves, há indícios de que as ENN podem provocar imunossupressão, afetar o crescimento e reduzir a produção de ovos, entre outros efeitos negativos. Assim como outras micotoxinas, podem enfraquecer o sistema imunológico, tornando esses animais mais suscetíveis a doenças infecciosas e dificultando a eficácia das vacinas. Além disso, as ENN podem reduzir o consumo de ração e comprometer a absorção de nutrientes. Relata-se um impacto maior em aves jovens e em poedeiras (com redução na produção e no tamanho dos ovos). Também podem provocar lesões no fígado e nos rins, afetando sua função. Em outros casos, podem comprometer a fertilidade e a incubabilidade dos ovos.

  • Moniliformina (MON): As aves são as mais suscetíveis aos impactos dessa micotoxina e, em todos os animais, o coração é o órgão que apresenta os maiores danos, que incluem a presença de lesões miocárdicas. Além disso, quando o fígado é afetado, podem ocorrer acúmulo de líquido ascítico e episódios de diarreia. Outras condições frequentemente observadas incluem fraqueza muscular, dificuldade respiratória, diminuição do consumo de ração, menor ganho de peso corporal e função imunológica prejudicada.

  • Ácido fusárico (AF): Estudos demonstram que os suínos são particularmente suscetíveis ao AF, com os animais apresentando alterações neuroquímicas e vômitos após a ingestão de rações contaminadas. Alguns autores sugerem que AF pode agir em sinergia com tricotecenos, como o DON. Por fim, quantidades crescentes de AF reduzem o crescimento microbiano de organismos benéficos para o rúmen.

2 METABÓLITO DE ALTERNARIA

  • Alternariol (AOH): O fungo Alternaria cresce principalmente em vegetais, frutas e cereais. Estudos in vitro sugerem que o AOH apresenta efeitos genotóxicos em potencial. Da mesma forma, os dados in vitro destacam um possível impacto sobre os órgãos reprodutivos e o sistema imunológico, incluindo efeitos importantes sobre o feto, como teratogenicidade e mutagenicidade.

3 METABÓLITO DE PHOMOPSIS

    • Phomopsina A: A Phomopsina A é o principal metabólito tóxico produzido pelo fungo Phomopsis e é considerado até cinco vezes mais tóxico do que a Phomopsina B. O fungo Phomopsis causa lupinose em bovinos e ovinos que ingerem ração contaminada. O fígado é o órgão mais afetado por essa toxina, o que faz com que a phomopsina A seja considerada uma hepatotoxina. No entanto, ela também afeta outros órgãos, inclusive os rins, as glândulas suprarrenais, o rúmen e o retículo.

FECHANDO A LACUNA DE CONHECIMENTO

Embora muitas micotoxinas se enquadrem na categoria “emergentes”, as sete acima são as que o Alltech 37+ pode detectar atualmente.

Ainda que existam lacunas notáveis no entendimento do setor sobre as micotoxinas emergentes, os avanços nos métodos de detecção e as pesquisas adicionais permitem uma compreensão mais profunda de como essas toxinas se manifestam, o impacto sobre os animais e as possíveis soluções para enfrentar os desafios apresentados.

SOLUÇÕES EFICIENTES E SUSTENTÁVEIS PARA MITIGAR O IMPACTO DAS MICOTOXINAS

O Programa de Manejo de Micotoxinas da Alltech oferece uma solução completa e integrada por meio de um conjunto de ferramentas que auxiliam os produtores a controlar a contaminação por micotoxinas e proteger seus negócios. O programa combina tecnologias de última geração para identificação de riscos, análise e gestão de dados, além de soluções como adsorventes de micotoxinas, desenvolvidos para reduzir os efeitos nocivos dessas toxinas sobre a saúde e o desempenho animal.

Fundada em 1980 pelo empresário e cientista irlandês Dr. Pearse Lyons, a Alltech oferece tecnologias eficientes e sustentáveis para o agronegócio. Nossas soluções melhoram a saúde e a nutrição de plantas e animais, oferecendo como resultado produtos mais nutritivos para as pessoas, assim como um menor impacto ao meio ambiente.

Para mais informações, visite: alltech.com/pt-br

Referências bibliográficas disponíveis mediante solicitação.

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