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Milho em queda e soja sustentada redesenha mercado de grãos

Mesmo com a colheita da segunda safra ainda concentrada em poucos estados brasileiros, o mercado de milho já sente os efeitos das expectativas de uma oferta mais robusta nas próximas semanas. Segundo levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços do cereal vêm registrando pressão em grande parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos.

A perspectiva de entrada de volumes expressivos no mercado tem levado compradores a adotarem uma postura mais cautelosa. Muitos consumidores têm limitado as aquisições no mercado spot, aguardando possíveis quedas mais acentuadas nos preços à medida que a colheita avança.

Do lado da oferta, produtores e vendedores demonstram maior flexibilidade nas negociações. Em busca de liquidez neste início de colheita, alguns agentes têm reduzido valores pedidos ou ajustado prazos de entrega e pagamento para facilitar o escoamento do cereal.

Estimativas globais reforçam expectativa de oferta

O comportamento mais retraído dos compradores também foi influenciado pelas recentes projeções divulgadas pela Conab e pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Ambos os órgãos indicam aumento da produção brasileira de milho na temporada 2025/26 e crescimento da oferta mundial em 2026/27.

Segundo boletim Agromensal (maio/ 2026)/ Cepea, o USDA estima produção de 1,29 bilhão de toneladas, 1,3% inferior à da temporada anterior, refletindo as baixas na Argentina, na Ucrânia, no México, na África do Sul e, principalmente, nos Estados Unidos, parcialmente compensadas pelos avanços observados no Brasil e na China. O consumo para essa temporada pode ser de 1,31 bilhão de toneladas, semelhante aos da temporada 2025/26. Com isso, os estoques devem cair de 296,95 milhões em 2025/26 para 277,54 milhões em 2026/27.

Soja mantém demanda aquecida, mas oferta global limita valorização

Enquanto o milho enfrenta pressão baixista, o mercado brasileiro de soja segue sustentado por uma demanda firme. Segundo o Cepea, tanto compradores internacionais quanto indústrias nacionais intensificaram as aquisições nas últimas semanas, mantendo o ritmo de negociações aquecido.

Outro fator de suporte ao mercado foi a desvalorização do real frente ao dólar, que ampliou a competitividade da soja brasileira no comércio internacional. Ainda assim, os avanços nos preços têm sido limitados pela ampla disponibilidade global da oleaginosa.

Produção mundial recorde amplia concorrência entre exportadores

As projeções mais recentes do USDA reforçam esse cenário de oferta abundante. O órgão elevou sua estimativa para a produção mundial de soja na safra 2025/26 para um recorde de 429,2 milhões de toneladas, volume superior tanto à previsão anterior quanto ao registrado na temporada passada.

Entre os principais produtores, o Brasil deverá colher cerca de 180 milhões de toneladas, mantendo-se como líder global do setor. Na Argentina, a estimativa foi revisada para 50 milhões de toneladas, indicando recuperação da produção em relação às projeções anteriores.

Além da liderança produtiva, o Brasil deve permanecer como o principal exportador mundial de soja na safra 2025/26, com embarques estimados em 115 milhões de toneladas pelo USDA.

Para a indústria de nutrição animal, a combinação entre elevada oferta global e forte competitividade brasileira tende a favorecer a disponibilidade de farelo de soja, principal fonte proteica utilizada na formulação de rações. Ainda assim, fatores cambiais e o ritmo das exportações continuarão sendo determinantes para a formação dos preços ao longo dos próximos meses.

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