Modulação do metabolismo da vitamina D e marcadores de saúde em leitões desmamados sob diferentes estratégias de suplementação de vitamina D

A proibição do uso profilático de antibióticos e as possíveis restrições ao
uso de níveis farmacológicos de óxido de zinco na dieta trazem desafios sem
precedentes para a indústria suína, especialmente durante o período pós-
desmame.
O estresse do desmame é frequentemente seguido por:
Uma alta incidência de distúrbios intestinais;
Infecções bacterianas;
Desequilíbrios antioxidantes e,
Deficiências energéticas que resultam em perdas significativas para o
setor.
Nesse contexto, a nutrição com vitaminas pode ser uma ferramenta
importante, considerando seus efeitos redox e/ou moduladores do sistema
imunológico, que podem ajudar a garantir a robustez dos leitões recém-
desmamados.
Além do papel já conhecido da vitamina D no metabolismo ósseo,
nas últimas décadas, muitos estudos relataram outras funções
metabólicas importantes dessa vitamina. De acordo com Matte e Lauridsen,
uma provisão insuficiente de vitamina D pode comprometer as funções
imunorreguladoras nos locais de inflamação, enquanto há evidências de que a
vitamina D regula a expressão de genes relacionados ao metabolismo
energético nas mitocôndrias. Em humanos, diversos estudos demonstraram uma
associação entre baixos níveis de vitamina D e maior suscetibilidade a
infecções, enquanto uma suplementação anterior ao desafio foi relacionada a
menores taxas de infecção, menor gravidade e redução no uso de antibióticos.
No entanto, pouco se sabe sobre os possíveis efeitos dessa vitamina na
resiliência e robustez em suínos.
De acordo com Matte e Audet, a transferência perinatal (placenta e
colostro) de vitamina D em suínos é limitada. Um estudo recente realizado em
nosso laboratório relatou que a suplementação oral com 25-hidroxicolecalciferol
(25(OH)D 3 ) no início da vida aumentou rapidamente a concentração sérica de
25(OH)D 3 em leitões lactentes, mas não conseguiu manter esses níveis
elevados até o desmame. Por outro lado, a exposição à luz UVB foi eficiente em
garantir altas concentrações de 25(OH)D 3 ao desmame.

Portanto, seria razoável considerar que assegurar níveis adequados de vitamina D para leitões pré e pós-desmame poderia melhorar sua
robustez e desempenho de crescimento. Nosso estudo avaliou o impacto de diferentes estratégias de suplementação de vitamina D para leitões pré e pós-desmame sobre o metabolismo da vitamina D, marcadores de saúde e crescimento.
Duas estratégias de suplementação de vitamina D foram utilizadas
para leitões lactentes e na fase de creche:

● CTR – sem suplementação durante o período de lactação + 2000
UI/kg de vitamina D na forma de colecalciferol após o desmame, e,
● VD – solução oral de 25(OH)D 3 (nos dias 2, 8 e 21) e exposição à
luz UVB (nos dias 14, 16, 18 e 20) durante o período de lactação +
2000 UI/kg de vitamina D na forma de 25(OH)D 3 após o desmame.
Ao desmame (dia 21) e nos dias 28 e 35, amostras de sangue e tecido
foram coletadas para a determinação das concentrações de vitamina D e a
expressão de genes de interesse.
A eficiência da exposição à luz UVB em manter uma alta
concentração de 25(OH)D 3 e 1,25(OH)2D 3 já foi demonstrada anteriormente em
suínos assim como já foi relatado que a 25(OH)D 3 na dieta é melhor absorvida
no nível intestinal e apresenta maior biodisponibilidade em comparação com
outras fontes de vitamina D. De acordo com Galliot et al., a suplementação oral
com 25(OH)D 3 nos dias 2 e 8 após o nascimento aumentou rapidamente a
concentração sérica de 25(OH)D 3 em leitões lactentes, mas esses níveis não
foram mantidos até o desmame.
No entanto, leitões expostos à luz UVB por 15 minutos a cada dois
dias, a partir do segundo dia de vida, apresentaram as maiores
concentrações séricas de 25(OH)D 3 ao desmame. Em nosso estudo, a
estratégia combinada de suplementação com 25(OH)D 3 oral + UVB durante o
período de lactação aumentou em 2,8 vezes a concentração sérica de 25(OH)D 3
dos leitões ao desmame, em comparação com leitões não suplementados, mas
esses níveis diminuíram ligeiramente para 2,2 vezes no dia 35 (Figura 1).
Considerando que qualquer efeito residual da exposição à UVB sobre a
vitamina D sérica teria desaparecido até o dia 35, a diferença de 2,2 vezes entre
os tratamentos nesse dia reforça a melhor absorção/biodisponibilidade do
25(OH)D 3 na dieta em comparação ao colecalciferol.
De acordo com os nossos resultados de expressão gênica, essas
diferenças nas concentrações séricas de vitamina D entre os tratamentos seriam
devido a alterações na produção da forma ativa da vitamina nos rins e não à
produção da forma circulante de vitamina D pelo fígado.
Na realidade, a combinação da suplementação com 25(OH)D 3 + UVB
parece estabelecer um melhor equilíbrio entre a utilização e a degradação da
forma ativa da vitamina D.
Apesar das maiores concentrações de vitamina D circulante nos
leitões do grupo VD, no desmame (dia 21), o gene relacionado à
degradação da forma ativa da vitamina estava regulado negativamente,
enquanto no dia 28 o gene relacionado à sua síntese estava regulado

Unclassified / Non
classifié

positivamente. No dia 35, quando os efeitos residuais da exposição à UVB
provavelmente já haviam desaparecido, nossos resultados sugerem uma menor
utilização e uma maior degradação da forma ativa da vitamina D.
Embora muitos estudos tenham descrito os efeitos da vitamina D,
especialmente na forma de 25(OH)D 3 , sobre diferentes aspectos da resposta
imune em vários tecidos, nosso estudo de expressão genética não detectaram
tais efeitos, o que pode ser atribuído às condições experimentais otimizadas que
não forneceram estímulo suficiente ao sistema imunológico. No entanto,
nossos resultados mostram efeitos benéficos no equilíbrio redox hepático,
bem como na produção de ATP nas mitocôndrias, sugerindo um melhor
estado de saúde nos leitões VD devido a níveis mais baixos de estresse
oxidativo e maior energia disponível em nível celular.
Apesar do maior status de vitamina D nos leitões VD, não foi detectado
nenhum efeito benéfico do tratamento sobre o desempenho de crescimento de
leitões ao desmame e durante o período pós-desmame. No entanto, a
suplementação direta dos leitões lactentes parece não ser a forma mais
eficiente para impactar o desempenho de crescimento dos leitões, mas sim
a suplementação materna de vitamina D. Apesar do maior status vitamínico
nos leitões VD, a concentração sérica de 25(OH)D 3 nos animais CTR aumentou
ao longo do tempo, indicando que o uso de 2000 UI/kg de vitamina D,
independentemente da fonte, pode atender às exigências dessa vitamina em
leitões saudáveis.
Conclusões
Os resultados gerais indicam que 2000 UI de vitamina D/kg de dieta,
independentemente da fonte, atendem às exigências de leitões no período pós-
desmame para essa vitamina. No entanto, o uso de 25(OH)D3 na dieta pode
promover benefícios adicionais à saúde.
Durante o período pré-desmame, a suplementação oral com
25(OH)D 3 combinada com exposição à luz UVB aumentou os níveis séricos
de 25(OH)D 3 ao desmame enquanto no pós-desmame a suplementação
com 2000 UI/kg de 25(OH)D 3 foi mais eficiente que o colecalficerol em
níveis semelhantes. O maior status de vitamina D nos leitões VD
aparentemente melhoraram a resposta antioxidante desses animaus mais
tiveram efeitos limitados sobre o crescimento e o sistema imunitário em leitões
saudáveis.
Referências sob consulta junto ao autor

🔒 Contenido exclusivo para usuarios registrados.

Regístrate gratis para acceder a este post y a muchos más contenidos especializados. Solo te llevará un minuto y tendrás acceso inmediato.

Iniciar sesión

Regístrate en nutriNews

REGISTRARME