Levantamento do Cepea aponta pouca variação no preço pago ao produtor e nos custos de produção, enquanto demanda doméstica e exportações continuam pressionando o setor.
Os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam para um mercado de leite com pouca variação no preço pago ao produtor e nos custos de produção. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica segue enfraquecida, refletindo em comportamentos distintos entre os derivados lácteos e em uma retração das exportações brasileiras em junho.
Preço ao produtor permanece praticamente estável
O preço do leite pago ao produtor em maio de 2026, de acordo com pesquisa do Cepea, fechou em R$ 2,6617 por litro na “Média Brasil”, com ligeira queda de 0,45% em relação a abril. Na comparação com maio de 2025, o valor ficou 3,8% menor em termos reais, considerando a deflação pelo IPCA de maio de 2026. O resultado reforça um cenário de pouca variação na remuneração ao produtor.
UHT perde força enquanto muçarela e leite em pó permanecem estáveis
No mercado atacadista paulista, a demanda enfraquecida impactou de forma distinta os principais derivados lácteos.
Pesquisa realizada pelo Cepea em junho, com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostrou que o leite UHT registrou queda de 3,07% nos preços. Já o queijo muçarela apresentou leve alta de 0,08%, enquanto o leite em pó avançou 0,38%, mantendo estabilidade nas negociações. O comportamento distinto dos derivados reflete um mercado com demanda enfraquecida, especialmente para o leite UHT.
Exportações recuam quase 23% em junho
O comércio exterior também perdeu ritmo no período. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos diminuíram entre maio e junho. As importações recuaram 4,17%, totalizando 216,76 milhões de litros equivalente-leite (EqL) em junho. Já as exportações registraram queda mais intensa, de 22,75%, somando 4,49 milhões de litros EqL.
Na comparação com junho de 2025, as compras externas cresceram 35,11%, enquanto os embarques brasileiros recuaram 12,92%.
Custos de produção seguem praticamente estáveis
Apesar da alta nas despesas com nutrição do rebanho, o Custo Operacional Efetivo (COE) do sistema leiteiro apresentou pouca variação em junho. Na “Média Brasil”, o indicador avançou 0,24%. No acumulado do primeiro semestre, a alta foi de 2,04%.
Entre os estados acompanhados pelo Cepea, os maiores aumentos ocorreram na Bahia (3%), Goiás (2,6%), São Paulo (2,56%) e Minas Gerais (2,5%). No Paraná, a elevação foi de 1,31%. Por outro lado, Santa Catarina encerrou o semestre com custos praticamente estáveis, enquanto o Rio Grande do Sul foi o único estado a registrar redução no COE no período, com queda de 0,35%.
No conjunto, os indicadores do Cepea apontam para um mercado com pouca variação nos preços ao produtor e nos custos de produção, mas ainda influenciado pela demanda doméstica enfraquecida e pela retração das exportações, fatores que continuam limitando uma recuperação mais consistente do setor.
Fonte: Cepea – com adpatações da nutriNews.
