Produtividade e saúde animal: Os fitoativos são o próximo passo da produção?
Gabriela Miotto Galli, Bruno Giorgio de Oliveira Cécere, Marcelo Masson Rodrigues¹ e Diko Becker²
¹Equipe técnica-comercial TECPHY; ²CEO TECPHY
O uso de aditivos na pecuária constitui uma estratégia amplamente adotada para elevar os níveis de produção de carne e leite, por meio do aprimoramento da fermentação ruminal, da modulação da microbiota, do aumento da digestibilidade dos nutrientes e, consequentemente, da melhoria da qualidade dos produtos finais.
Os antibióticos, utilizados há décadas como promotores de crescimento na produção animal, promovem melhorias no desempenho zootécnico dos animais. Todavia, existe uma crescente preocupação mundial, especialmente por parte dos consumidores, quanto ao uso indiscriminado desses compostos, devido ao risco de resíduos na carne e no leite, além do potencial de induzir resistência bacteriana (ELGHALID ET AL., 2020).
Nesse cenário, intensificam-se os estudos em alternativas que possam substituir os antibióticos promotores de crescimento, especialmente na linha de aditivos naturais. Entre esses, destacam-se os óleos essenciais, flavonoides, saponinas, terpenos, taninos e outros compostos bioativos de origem vegetal, resultantes do metabolismo secundário das plantas, que vêm demonstrando efeitos múltiplos e positivos (KHOLIF & OLAFADEHAN, 2021).
Apresentam propriedades como: Imunomoduladores, antioxidantes, moduladores de microbiota, estimulação enzimática e demais condições benéficas que ainda são objetos de estudos. Portanto, se tornam uma ferramenta para otimizar a produção animal de forma sustentável.
Com base nessas condições apresentadas e apostando na sinergia entre os fitoativos, a TECPHY vem desenvolvendo pesquisas a partir de combinação entre carvacrol e timol (advindo do óleo essencial de orégano), cinamaldeído (advindo do óleo essencial de canela), eucaliptol (advindo do óleo essencial de eucalipto) e extratos vegetais.
A pesquisa conta com um objetivo de dupla função, ou seja, a combinação dos fitoativos apresenta parte de seus componentes microencapsulados, que terão sua função gradual e pontual no intestino, e parte não microencapsulada, agindo prontamente no rúmen.
Sendo assim, a associação de óleos essenciais e extratos vegetais pode atuar ao longo de todo o trato gastrointestinal, desempenhando funções como a modulação positiva da microbiota, promoção da integridade da mucosa intestinal, e estímulo à atividade enzimática.
Isso pode resultar na redução do estresse oxidativo, estímulo à resposta anti-inflamatória e promoção da saúde e desempenho dos ruminantes.
RESULTADOS EM RUMINANTES
Este estudo teve como objetivo avaliar o potencial de substituição da monensina (25 mg/kg de concentrado) por uma combinação de óleos essenciais de orégano, canela e eucalipto, associados a extratos vegetais, na dose de 1g animal/dia na dieta de bovinos de corte durante as fases de crescimento e terminação.
Observamos que a combinação dos fitoativos resultou em maior peso corporal (+32,2 kg), maior ganho de peso médio diário (GMD) (+15,09%) e maior consumo de matéria seca (MS), além de demonstrar melhor eficiência alimentar (+6,66%) em comparação à monensina sódica ao final do experimento (p ≤ 0.05) (Figuras 1, 2 e 3).
Figura 1. Peso corporal (PC) de bovinos Angus consumindo fitoativos vs monensina
Figura 2. Ganho de peso diario (GMD) e consumo de materia seca (CMS) de bovinos Angus consumindo fitoativos vs monensina
Figura 3. Eficiência alimentar de bovinos Angus consumindo
fitoativos vs monensina
É sabido que a melhora no desempenho zootécnico em ruminantes está associada à saúde ruminal e intestinal, atribuída, em grande parte, às propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e imunomoduladoras dos fitoativos. Destaca-se ainda a importância de uma microbiota equilibrada e eficiente como fator-chave nesse processo.
Além de otimizar o desempenho dos animais, os fitoativos tiveram a capacidade de modular o produto final (carne) de forma benéfica. Observamos uma diminuição numérica na quantidade de ácidos graxos saturados e mono-insaturados, bem como um aumento nos ácidos graxos poli-insaturados (p ≤ 0.05) (Figura 4).
Figura 4. Perfil de ácidos graxos na carne de bovinos Angus que consumiram fitoativos vs monensina
Esse resultado sugere que os fitoativos influenciaram o metabolismo lipídico e a atividade da microbiota ruminal, promovendo alterações no perfil de ácidos graxos da carne. Essa modificação pode beneficiar tanto a saúde animal quanto a qualidade nutricional do produto destinado ao consumidor final.
Outra pesquisa foi realizada com objetivo de avaliar o desempenho de bovinos a partir do consumo dos fitoativos fornecidos individualmente na dieta, na dose de 1g animal/dia.
Além disso, o experimento testou a combinação dos fitoativos com promotores de crescimento convencionais (monensina a 333 mg/kg de matéria seca e flavomicina a 29 mg/kg de matéria seca) nas doses de 1 g/animal/dia e 2 g/animal/dia.
Os resultados mostraram que bovinos que consumiram a combinação de monensina, flavomicina e fitoativos na menor dose obtiveram maior peso corporal final e maior peso de carcaça, bem como uma melhor conversão alimentar, o que gerou uma melhor eficiência alimentar. Além disso, se compararmos os compostos individualmente, os fitoativos ainda se sobressaíram sobre os promotores de crescimento convencionais (Figura 5, 6 e 7).
Figura 5. Peso inicial, peso final e peso de carcaça de bovinos de corte que consumiram fitoativos e sua combinação com APCs
Figura 6. Conversão alimentar de bovinos de corte que consumiram fitoativos e sua combinação com APCs
Figura 7. Eficiencia alimentar de bovinos de corte que consumiram fitoativos e sua combinação com APCs
Este fato mostra que os fitoativos além de agirem em sinergia uns com os outros, possuem a capacidade de se combinar com demais compostos e potencializar ainda mais seus efeitos.
Testamos o uso dessa combinação na produção leiteira, com resultados promissores, principalmente em relação à saúde e ao desempenho produtivo dos animais.
O objetivo do estudo foi avaliar a inclusão de 2 g/animal/dia do aditivo em vacas Jersey no pico de produção. Observou-se que os animais tratados apresentaram, em média, um aumento de 1,01 kg de leite/dia ao longo de todo o período experimental (Figura 8).
Além disso, os fitoativos mostraram ação anti-inflamatória a partir da diminuição dos glóbulos brancos, o que reflete que os animais não estavam passando por processos inflamatórios, logo não dependiam da mobilização elevada de leucócitos para combater essas condições (figura 9).
Observou-se também efeito imunomodulador, com aumento dos níveis de IgA e IgG de cadeia pesada nos animais que receberam fitoativos (Figura 10 e 11).
Efeitos antioxidantes também foram observados com o consumo dos fitoativos, já que os animais que receberam o aditivo apresentaram níveis reduzidos de espécies reativas de oxigênio (ROS) e de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS) em comparação ao grupo controle, em determinados momentos do experimento (Figuras 12 e 13).
Esses resultados indicam que os fitoativos contribuíram para a neutralização de radicais livres e a prevenção de danos celulares relacionados ao estresse oxidativo.
Todos os resultados supracitados, nos levam a crer da capacidade que a combinação perfeita dos compostos, associado à tecnologia aplicada aos fitoativos, tem a capacidade de agir tanto de forma fisiológica, quanto metabólica no organismo dos animais promovendo saúde e desempenho de forma natural e eficiente.
Conclusão
O potencial dos fitoativos é vasto e continua sendo ampliado por novas pesquisas. Já se sabe, porém, que esses compostos apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, imunomoduladoras e moduladoras da microbiota, entre outras.
Assim, os fitoativos surgem como uma possível alternativa eficaz e segura para promover a saúde dos animais, maximizar a produtividade e atender à crescente demanda por uma pecuária mais sustentável e responsável.
