A estrutura do estúdio da agriNews Brasil, presente no SIAVS 2026, recebeu lideranças e especialistas para discutir os principais desafios tecnológicos e sanitários da produção animal. Entre os entrevistados, Ricardo Rauber, CEO do Samitec, apresentou a estratégia do centro de pesquisa para integrar unidades de experimentação animal e laboratórios analíticos, com foco na geração de dados confiáveis para a avaliação de soluções destinadas à suinocultura.
Do desafio sanitário ao resultado mensurável
Para Ricardo, a integração entre estrutura experimental e laboratorial permite conduzir estudos completos, desde a preparação e validação dos desafios até a análise dos resultados. Na suinocultura, essa abordagem ganha importância diante da necessidade de avaliar aditivos, estratégias nutricionais e outras soluções em condições que reproduzam desafios encontrados no campo.
A unidade experimental permite submeter os animais a situações específicas, enquanto a estrutura laboratorial amplia a capacidade de avaliar os efeitos provocados pelo desafio e a resposta aos produtos testados.
“Quando a gente vai para uma condição experimental e valida desafios específicos, a gente está justamente fazendo isso: isolando um determinado desafio, colocando o produto à prova contra aquele desafio e demonstrando que o produto tem efeito ou não.”
Segundo o executivo, um dos problemas dos testes realizados exclusivamente a campo é a presença simultânea de diferentes fatores que podem interferir nos resultados. Dessa forma, um produto pode ser avaliado diante de um desafio para o qual não foi desenvolvido e acabar sendo considerado ineficaz.
Micotoxinas exigem precisão desde a amostragem
Entre os temas que demandam atenção da cadeia suinícola está o diagnóstico de micotoxinas. A escolha da metodologia analítica depende do objetivo do trabalho, do tipo de amostra e do nível de precisão necessário.
Métodos rápidos, como testes imunológicos, podem ser utilizados em determinadas situações de triagem, especialmente para matérias-primas. Já técnicas cromatográficas associadas à espectrometria de massas permitem análises mais específicas e precisas, inclusive em dietas acabadas. Para Ricardo, porém, existe uma etapa anterior que pode comprometer todo o processo: a amostragem.
“A amostragem representa mais de 80% da variação do resultado. Então, se eu não fizer uma amostragem bem feita, eu comprometo 80% do resultado.”
Na prática, isso significa que uma metodologia analítica altamente sofisticada não elimina os problemas provocados por uma amostra que não representa adequadamente o lote avaliado.
Modelos de desafio ganham importância
A redução do uso de antibióticos promotores de crescimento também aumenta a necessidade de compreender melhor os desafios sanitários presentes na produção. Nesse cenário, o Samitec vem ampliando e validando modelos experimentais capazes de reproduzir condições relevantes para a produção animal. Entre os desafios mencionados estão LPS, Escherichia coli, Salmonella, Clostridium perfringens e estresse por calor.
Na suinocultura, a padronização desses modelos permite testar produtos em condições controladas e comparar resultados de diferentes estudos. O processo exige mais do que simplesmente inocular um microrganismo nos animais. É necessário caracterizar a cepa utilizada, estabelecer a concentração adequada, definir idade dos animais, frequência de exposição e efeitos esperados.
A validação é justamente o que permite aumentar a reprodutibilidade dos estudos e dar maior segurança à interpretação dos resultados.
Solução de ponta a ponta reduz a complexidade
Outro diferencial apresentado por Ricardo é o conceito de solução ponta a ponta. A estratégia começou a ser estruturada a partir dos trabalhos com micotoxinas e passou a ser aplicada a outros modelos experimentais.
O processo pode envolver a preparação do desafio, condução dos experimentos, análises laboratoriais, avaliação de parâmetros imunológicos e inflamatórios, histopatologia, biomarcadores e demais indicadores relacionados ao objetivo do estudo. Com todas essas etapas coordenadas dentro da mesma estrutura, o cliente não precisa administrar diferentes fornecedores para cada fase do projeto.
“O cliente manda o produto, nós fazemos todas as avaliações, entregamos um relatório final, inclusive com análise estatística.”
A interpretação também é feita de maneira integrada. Segundo Ricardo, o Samitec conta com bioestatístico na equipe para avaliar os diferentes parâmetros e construir uma leitura conjunta dos resultados, evitando que a conclusão seja baseada em apenas um indicador.
Ciência aplicada às necessidades do campo
A estratégia do Samitec também acompanha as mudanças nas demandas da produção animal. À medida que novos desafios aparecem nas granjas, surge a necessidade de desenvolver modelos experimentais capazes de reproduzir essas condições e permitir a avaliação de novas soluções.
Para a suinocultura, isso representa uma ferramenta para reduzir incertezas antes que determinada tecnologia seja incorporada à rotina produtiva. Mais do que comprovar se um produto funciona, o objetivo é compreender em qual condição ele funciona, diante de qual desafio e quais respostas podem ser mensuradas.
Pessoas por trás da estrutura
Ao final da entrevista, Ricardo destacou que a estrutura do Samitec é sustentada por uma equipe de cerca de 30 profissionais envolvidos nos diferentes projetos. Segundo ele, a participação desses profissionais vai além da execução dos protocolos, envolvendo também sugestões, desenvolvimento de ideias e construção de novas soluções para os clientes. A expansão dos serviços e dos modelos de desafio, nesse sentido, depende tanto de infraestrutura e metodologia quanto da capacidade técnica das pessoas envolvidas nos projetos.
A perspectiva para a suinocultura é de uma demanda crescente por estudos mais específicos, desafios bem caracterizados e resultados capazes de apoiar decisões técnicas. Nesse ambiente, a integração entre experimentação, análises laboratoriais e estatística tende a ganhar ainda mais espaço na avaliação de tecnologias e produtos para a cadeia.
