A combinação entre uma safra recorde de soja, o forte ritmo das exportações e o avanço da colheita da segunda safra de milho segue redesenhando o cenário do mercado brasileiro de grãos. É o que mostra a atualização mensal do Rabobank para julho, que destaca a valorização da soja no mercado interno, a pressão sobre os preços do milho e a manutenção de perspectivas favoráveis para a produção nacional.
Segundo o banco, os preços da soja pagos ao produtor avançaram 4% em julho. O movimento foi impulsionado pelo aumento das vendas, favorecidas pela boa remuneração do grão, e pela necessidade de liberar espaço nos armazéns diante do avanço da comercialização da safra.
No mercado do milho, o cenário foi distinto. As cotações recuaram 1% em relação ao mês anterior, refletindo principalmente o avanço da colheita da segunda safra (safrinha) e a maior concorrência internacional, especialmente de Estados Unidos e Argentina, que ampliam a oferta disponível no mercado global.
Exportações de soja seguem em ritmo recorde
O desempenho das exportações brasileiras continua sendo um dos principais destaques do relatório. Em junho, o Brasil embarcou 14,5 milhões de toneladas de soja, volume 8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, os embarques já somam 69,6 milhões de toneladas, crescimento de 7% na comparação anual.
De acordo com o Rabobank, a safra recorde e a competitividade da soja brasileira no mercado internacional sustentam esse desempenho, consolidando o país como principal fornecedor global da oleaginosa.
Milho avança nas exportações, mas perspectiva anual permanece mais moderada
As exportações de milho também ganharam ritmo em junho. O país embarcou 440 mil toneladas, um aumento de 74% frente ao mês anterior e de 18% na comparação com junho de 2025. No acumulado do primeiro semestre, as exportações alcançam 7,9 milhões de toneladas, alta de 22% sobre igual período do ano passado.
Apesar desse avanço recente, o Rabobank mantém uma visão cautelosa para o restante do ano e projeta que o volume total exportado em 2026 ficará abaixo do registrado em 2025, em razão da forte concorrência internacional.
Safrinha apresenta bom potencial produtivo
O banco destaca ainda a evolução da colheita da segunda safra de milho. Até a segunda semana de julho, cerca de 39% da área havia sido colhida, com destaque para Mato Grosso, onde os rendimentos seguem elevados. No Paraná, embora os trabalhos estejam mais lentos, as condições das lavouras permanecem favoráveis, assim como em Mato Grosso do Sul.
Diante desse cenário, o Rabobank manteve sua estimativa de produção brasileira de milho em 140 milhões de toneladas para a safra 2025/26, reforçando a expectativa de mais uma temporada de elevada oferta no país.
Mercado segue atento à competitividade brasileira
O relatório indica que o mercado brasileiro continuará sendo influenciado pelo equilíbrio entre a ampla oferta doméstica, a demanda internacional e a competitividade frente aos principais exportadores globais. Enquanto a soja segue sustentada pelo forte fluxo de exportações, o milho deve continuar enfrentando maior pressão sobre os preços à medida que a colheita avança e a disputa pelo mercado externo se intensifica.
Fonte: Rabobak – com adaptações da nutriNews.
