AVICULTURA: 2026 SERÁ MARCADO PELA AMPLIAÇÃO DOS EMBARQUES DE CARNE DE FRANGO

A avicultura de corte brasileira atravessa um ano desafiador. Conforme amplamente abordado neste espaço, o foco de Influenza Aviária em uma granja comercial, registrado em maio, alterou profundamente o prognóstico para um setor que crescia a olhos vistos. Tanto que as exportações de carne de frango ao longo do primeiro quadrimestre foram simplesmente espetaculares.

O foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade foi rapidamente controlado pelas autoridades competentes. O plano de contingência criado em 2023 mostrou-se efetivo, sem maiores desdobramentos em torno de novas ocorrências. Apesar do rigor do Brasil no controle da doença, diversos países embargaram a compra de produtos avícolas brasileiros, entre eles África do Sul, China, Filipinas e os países que compõem a União Europeia.

De todos os países citados, apenas a China ainda não restabeleceu a corrente de comércio com o Brasil. Recentemente, uma missão chinesa esteve no país para examinar o sistema produtivo brasileiro — passo essencial para a retomada dos embarques. Agora resta uma posição concreta da China quanto à retomada do fluxo normal de exportações, o que deve ocorrer ainda em 2025.

O mês de setembro de 2025 foi um marco para a avicultura de corte brasileira. Mesmo sem a China, o país atingiu o melhor resultado do ano em termos de volume exportado: 468,44 mil toneladas de carne de frango foram embarcadas, decréscimo de apenas 0,84% em relação a setembro de 2024, quando foram exportadas 472,42 mil toneladas.

É importante mencionar que os preços médios estão em declínio, algo compreensível diante do período em que o Brasil se deparou com embarques abaixo do habitual. O ambiente de grande quantidade de produto em estoque fez com que os importadores encontrassem as condições necessárias para reduzir os preços da carne de frango brasileira.

De qualquer forma, o resultado precisa ser comemorado. O volume prévio exportado em outubro é novamente animador. Como mencionado anteriormente, ainda não houve a retomada das exportações para a China, país que figurava como o principal importador da carne de frango brasileira, absorvendo entre 40 e 50 mil toneladas mensais.

Apesar das dificuldades em torno das exportações, o que se evidenciou nos meses que sucederam o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade foi a manutenção do alojamento de pintainhos de corte em patamar elevado. Ou seja, a agroindústria entendeu que a ociosidade seria mais nociva do que a manutenção da produção em alto nível. Tanto que os preços de reposição (pintainho de corte e ovo fértil) atingiram seu topo histórico ao longo de 2025.

Outro aspecto relevante é que os custos setoriais estiveram controlados ao longo do ano, especialmente no que se refere à nutrição animal. O ano vigente foi marcado por uma safrinha de excelente proporção, garantindo boa perspectiva para o abastecimento de milho. Da mesma forma, a produção de soja também foi recorde na atual temporada. Além disso, em função do crescimento da produção nacional de biodiesel, houve ampliação do esmagamento de soja, visando maior oferta de óleo e farelo — o que assegurou boa disponibilidade desses insumos durante grande parte do ano.

Para o próximo ano, a expectativa é novamente de uma produção recorde de grãos, com bons números para as safras de soja e milho. Restam apenas as incertezas relacionadas ao clima e seus eventuais impactos na produtividade média. Mantidas as projeções atuais, o cenário aponta para mais um ano de boa oferta de insumos para a nutrição animal, sustentando um ambiente de custos controlados.

O último quadrimestre de 2025 vem marcando o processo de recuperação da avicultura de corte, com embarques em boa proporção. Para o próximo ano, a expectativa é de ritmo acelerado de exportações, com o Brasil mantendo sua posição de destaque no cenário global, oferecendo produto de altíssima qualidade e preços competitivos em relação aos demais fornecedores.

A expectativa é que, em 2026, o Brasil exporte cerca de 5,5 milhões de toneladas de carne de frango, ante a projeção de 5,12 milhões de toneladas prevista para o ano corrente — crescimento estimado de 7,5%. Os números projetados para a próxima temporada indicam a retomada plena dos embarques brasileiros, consolidando o país como grande fornecedor global de carne de frango.

Em termos de produção, a expectativa é de que o país estabeleça um novo recorde em 2026. O alojamento de pintainhos de corte deve alcançar 7,4 bilhões, crescimento de 1,3% em relação ao ano vigente, quando devem ser alojados pouco mais de 7,3 bilhões. O que se observa na avicultura de corte nacional é um avanço da produção em taxas mais lentas, mas com crescimento gradual e consistente.

A produção estimada é de 15,6 milhões de toneladas em 2026, alta de 1,1% frente a 2025, quando devem ser produzidas cerca de 15,44 milhões de toneladas. O quadro projetado para 2026 aponta para uma oferta doméstica de 10,11 milhões de toneladas, decréscimo de 2% na comparação com o ano atual. Vale destacar que o volume exportado é uma importante garantia de segurança alimentar para a população brasileira, oferecendo acesso a uma proteína de alto valor nutricional e baixo custo.

O baixo poder de compra da população brasileira é outra variável importante a ser considerada. Os consumidores tendem a priorizar produtos que causem menor impacto na renda per capita. Dentro do mercado de proteínas de origem animal, carne de frango, ovos e embutidos devem novamente concentrar a preferência das famílias, especialmente daquelas com renda média entre um e dois salários-mínimos.

Como fator positivo para o consumo no mercado doméstico, o ano de 2026 será marcado pela realização da Copa do Mundo no Brasil, evento que tende a produzir efeitos positivos sobre a demanda por proteínas de origem animal. Além disso, apesar do baixo poder de compra, o nível de emprego permanece elevado, o que contribui para manter aquecida a demanda por proteínas de menor custo.

A situação cambial também merece atenção. O ano de 2026 será eleitoral, o que naturalmente traz instabilidade ao cenário econômico. Somam-se a isso as tensões comerciais internacionais e a geopolítica turbulenta, fatores que aumentam a aversão ao risco e podem levar os investidores a buscar economias mais maduras, resultando em desvalorização do real. A questão fiscal brasileira segue como ponto de preocupação adicional.

Como fator de risco, é necessário mencionar novamente os riscos inerentes à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade. O sistema produtivo brasileiro foi posto à prova em 2025 e demonstrou resiliência. Para o próximo ano, as medidas de biosseguridade serão intensificadas, a fim de evitar novos transtornos de mercado.

Vale ressaltar que o país que mais leva a sério a biosseguridade é, paradoxalmente, aquele que se depara com as restrições mais severas. O Brasil precisa intensificar as negociações com seus principais parceiros comerciais, revisando acordos e protocolos sanitários e incluindo cláusulas de regionalização de embargos em eventuais problemas sanitários. Dessa forma, o país estaria menos exposto a esse tipo de situação, mantendo bom ritmo de embarques independentemente de ocorrências pontuais.

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