As exportações de grãos em 2024

10 dez 2024

As exportações de grãos em 2024

Este ano foi marcado por incertezas na produção das principais commodities agrícolas. As projeções iniciais da safra de soja foram otimistas, mas passaram por revisões devido às condições desfavoráveis de plantio.

No caso do milho, previa-se uma redução da área plantada por conta dos preços menos atrativos para os produtores. Apesar disso, as exportações seguiram como esperado, embora fiquem abaixo dos volumes recordes de soja e milho alcançados em 2023.

As exportações de soja iniciaram o ano impulsionadas devido a negociações realizadas no ano anterior e mantiveram-se acima do mesmo período até outubro, encerrando o mês com 93,6 milhões de toneladas exportadas, em comparação com 92,9 milhões no ano anterior.

Em novembro, espera-se uma desaceleração significativa, com o fechamento do mês estimado em 96,4 milhões de toneladas.

Até o final de outubro, a China foi o maior comprador, representando 76% desse volume, seguida pela Espanha, com 4%, e pela Tailândia, com 3%. A previsão total para o ano é de 98 milhões de toneladas exportadas da oleaginosa.

Como previsto, as exportações de milho este ano serão menores em relação ao ano passado, com o programa brasileiro estimado em 39,5 milhões de toneladas.

Em 2023, a China teve destaque, importando quase 17 milhões das 55,6 milhões de toneladas exportadas e liderando como principal destino. Este ano, com melhores estoques, o país reduziu as importações. Até o final de outubro, o Egito e o Vietnã lideraram com 11% cada, seguidos pelo Irã com 9%, enquanto a China ficou em sexto lugar, com 6%.

Até outubro, as exportações de farelo de soja somaram 19,3 milhões de toneladas, e com a previsão para novembro, devem atingir 21,2 milhões. Os principais destinos são a União Europeia, seguida de países asiáticos como Indonésia, Tailândia e Vietnã.

Neste ano, o futuro das exportações de soja e farelo de soja para a União Europeia esteve em xeque devido à European Union Deforestation Regulation (EUDR), cuja vigência, inicialmente prevista para 1º de janeiro de 2025, foi prorrogada por mais um ano após intervenções de diversos setores, inclusive de membros do bloco europeu.

A decisão trouxe alívio ao mercado, que agora terão mais tempo para ajustar suas operações e atender às exigências da nova lei. Mesmo assim, a regulamentação continua a gerar preocupação sobre a continuidade do fornecimento de soja e farelo para a UE.

Estima-se que o custo do produto em conformidade com a EUDR tenha um aumento de 5 a 10% para o consumidor europeu, enquanto o produto que não atender aos critérios poderá ser destinado ao mercado interno ou a países asiáticos, conforme ilustrado no Gráfico 1.

Gráfico 1 – Principais destinos das exportações brasileiras de farelo de soja em 2024

Para o próximo ano, as perspectivas indicam que o Brasil terá o potencial de bater recordes de produção e exportação de grãos, especialmente se a produção alcançar as estimativas de até 170 milhões de toneladas de soja.

No entanto, essa expansão na oferta de commodities, somada à maior concorrência internacional, pode manter a pressão sobre os preços. O cenário exigirá dos produtores e exportadores brasileiros estratégias de comercialização e eficiência logística.

Além disso, a manutenção da qualidade dos produtos e o compromisso com práticas sustentáveis serão essenciais para atender às demandas dos principais mercados e manter a competitividade no cenário global, reforçando a posição do Brasil como um dos maiores fornecedores mundiais de grãos.

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