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Carne bovina mantém recordes e leite desacelera produção em 2026

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Carne bovina mantem recorde e leite desacelera. Pecuária de corte segue impulsionada pela demanda internacional, mas enfrenta desafios com cotas chinesas e mercado futuro. No setor lácteo, menor expansão da oferta favorece recuperação das margens, enquanto clima e consumo permanecem como pontos de atenção

Os mercados de carne bovina e leite no Brasil apresentam movimentos distintos em 2026, segundo análise do relatório Agroinfo, do Rabobank. Enquanto a pecuária de corte mantém desempenho histórico nas exportações, sustentada principalmente pela demanda da China e dos Estados Unidos, o setor acompanha os impactos relacionados às cotas comerciais e à expectativa de menor ritmo dos embarques no terceiro trimestre.

No mercado de leite, após a forte expansão observada em 2025, a produção perdeu ritmo em 2026. A menor evolução da oferta contribuiu para a recuperação dos preços pagos ao produtor, mas fatores relacionados ao consumo, ao clima e às importações seguem no radar do setor.

Carne bovina mantém exportações em níveis históricos

As exportações brasileiras de carne bovina permaneceram em patamares elevados até maio de 2026. O volume embarcado alcançou 1,4 milhão de toneladas, gerando receita de US$ 7,8 bilhões, segundo a Rabobank. Na comparação anual, o volume exportado apresentou crescimento de 15%, enquanto o faturamento avançou 35%.

A China continua como principal destino da carne bovina brasileira, representando aproximadamente 45% das exportações nacionais. Os Estados Unidos aparecem como segundo mercado relevante, com participação de cerca de 13% dos embarques.

Apesar do desempenho positivo no início do ano, o Rabobank aponta como principal ponto de atenção o preenchimento da cota chinesa, previsto para ocorrer ainda em junho. Como a China representa uma parcela significativa das exportações brasileiras, o banco projeta uma forte redução dos embarques durante o terceiro trimestre de 2026.

O Brasil busca ampliar o acesso ao mercado chinês por meio de medidas como, redistribuição das cotas não utilizadas por Argentina, Uruguai e Nova Zelândia e retirada dos cortes com osso do cálculo das cotas. No entanto, o Rabobank considera improvável uma flexibilização dessas regras no curto prazo.

Mercado sinaliza expectativa de menor ritmo no segundo semestre

A expectativa de redução dos embarques já aparece nos preços futuros do boi gordo. Os contratos com vencimento em julho indicavam valores próximos de R$ 333 por arroba, aproximadamente 6% abaixo dos níveis vigentes no mercado físico.

Segundo o Rabobank, o movimento reflete a expectativa de menor demanda externa durante parte do segundo semestre de 2026.

EUA seguem como oportunidade para carne brasileira

Embora a China permaneça como principal destino da carne bovina brasileira, o mercado norte-americano continua apresentando oportunidades para os exportadores. Entre os fatores positivos destacados pelo Rabobank estão, ausência da tarifa adicional de 50% aplicada em 2025; casos de New World Screwworm; manutenção da suspensão das importações de gado mexicano; demanda da indústria norte-americana por carne magra brasileira destinada à produção de hambúrgueres.

Mercado interno registra redução nos abates e menor oferta de fêmeas

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os abates apresentaram queda de 7% em relação ao quarto trimestre de 2025, mas registraram crescimento de 3% frente ao primeiro trimestre de 2025. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), os abates de fêmeas recuaram 9% em maio na comparação anual.

De acordo com o Rabobank, esse movimento está relacionado à antecipação do descarte de fêmeas diante da recuperação mais lenta das pastagens. Nos confinamentos, a menor demanda da China e da União Europeia reduziu a atratividade do primeiro giro de produção, levando parte dos produtores a deslocar animais para o segundo giro.

O banco mantém a expectativa de inversão da curva de preços, com valores menores para o boi gordo no segundo semestre de 2026. Entre os principais riscos para a pecuária estão os possíveis impactos do El Niño sobre as pastagens e a produção de grãos. O Rabobank também destaca a expectativa de melhora das exportações entre outubro e novembro, período em que a renovação da cota chinesa poderá contribuir para a retomada dos embarques.

Produção de leite desacelera após expansão em 2025

No setor lácteo, o Rabobank aponta desaceleração da produção brasileira após o crescimento acelerado observado em 2025. Mesmo com menor ritmo de expansão da oferta, os preços pagos ao produtor apresentaram recuperação. O leite entregue em abril alcançou R$ 2,66 por litro, após iniciar o ano próximo de R$ 2,00 por litro.

Segundo o banco, as margens reduzidas registradas no final de 2025 limitaram o crescimento da produção e contribuíram para a desaceleração observada em 2026.

Oferta de leite deve permanecer estável

Após crescimento de 3,3% no primeiro trimestre de 2026, a produção deverá apresentar apenas aumento marginal no segundo trimestre. A projeção do Rabobank é que a produção formal encerre 2026 praticamente estável em relação aos 27,5 bilhões de litros produzidos em 2025.

Com a menor expansão da oferta, as margens dos produtores iniciaram recuperação. Dados do MilkPoint Mercado indicam evolução das margens, janeiro: R$ 23,3 por vaca/dia; e maio: R$ 36,4 por vaca/dia. Os valores são corrigidos pela inflação.

Consumo, clima e importações permanecem como desafios

Embora o consumo de lácteos tenha permanecido relativamente resiliente durante a primeira metade de 2026, o Rabobank alerta para possíveis limitações no segundo semestre. Entre os fatores de atenção estão, a inflação mais elevada, aumento dos preços dos alimentos e elevado endividamento das famílias.

O clima também aparece como um fator de risco. O desenvolvimento de um forte El Niño no final do terceiro trimestre poderá afetar importantes regiões produtoras, com excesso de chuvas no Sul, reduzindo a produção no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e condições mais secas no Sudeste e Nordeste, limitando igualmente a oferta.

Importações devem permanecer elevadas

O Rabobank projeta continuidade das importações brasileiras de lácteos em níveis elevados devido à combinação entre preços internacionais estáveis, real relativamente valorizado e preços internos ligeiramente maiores em razão da menor oferta.

Bebidas proteicas seguem como tendências

Entre os pontos destacados pelo relatório está o crescimento da demanda por bebidas lácteas com alto teor de proteína, segmento que deve receber novos lançamentos no segundo semestre de 2026.  O Rabobank também aponta continuidade da expansão dos grandes produtores, especialmente aqueles com produção superior a 10 mil litros por dia, que seguem investindo e recebendo preços acima da média nacional.

Carne bovina mantem recorde e leite desacelera.

Fonte: Rabobank (com adaptações da redação nutriNews).

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