Após quebra de produção na segunda safra 2020/21 e na primeira safra em 2021/22, marcadas pelo clima, a colheita da segunda safra de milho 2021/22 está em bom ritmo, com expectativa de recorde para a produção nacional (figura 1).
Até 25/6, 20,4% das lavouras haviam sido colhidas. Na safra 2020/21, nessa mesma data, apenas 9,8% dos trabalhos em campo haviam sido realizados. A expectativa é que 88 milhões de toneladas sejam colhidas na atual temporada.
Apesar do bom ritmo da colheita da segunda safra e incremento na oferta, os preços do milho estiveram estáveis no mercado brasileiro em junho.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, a referência está em R$90,00 por saca de 60 quilos, estável no acumulado de junho.
A ausência de pressão de baixa se dá em função do cenário internacional.
Há preocupações quanto ao desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos para a safra 2022/23, além da expectativa de menor oferta global do grão em meio ao conflito no leste europeu e, recentemente, à valorização do dólar ante ao real e bom ritmo de exportação do milho até o momento.
Colheita
Apesar da restrição hídrica em algumas regiões produtoras, geadas pontuais e ataques de cigarrinha nas lavouras mais ao Sul, as produtividades médias estão boas e fortes revisões para baixo como na última temporada não deverão ocorrer.
Em Mato Grosso, os trabalhos atingiram 35,7% da área cultivada até 24/6, avanço de 8,7 pontos percentuais à frente da colheita estadual em 2020/21 nesse período (IMEA).
No Paraná, a colheita alcançou 6% em 27/6 (Deral), avanço de 4 pontos percentuais frente ao mesmo período na safra anterior.
Dólar e exportações do cereal
A moeda norte-americana, que chegou a ser negociada abaixo de R$5,00 ao longo dos últimos meses, subiu para patamares acima de R$5,10 em junho. O câmbio firme ao longo do mês colaborou com um viés de sustentação das cotações do cereal.
Com o conflito no leste europeu, desde fevereiro, e o dólar elevado, as exportações brasileiras estão firmes. Há, ainda, a expectativa de incremento nos embarques brasileiros com a liberação pela China para compra do cereal brasileiro.
Até maio/22, 5,37 milhões de toneladas foram exportadas, com faturamento de US$1,52 bilhão, incrementos, respectivamente, de 50,9% e 105,4% frente ao acumulado no mesmo período em 2021. Veja na figura 3.
Em junho/22, até a terceira semana do mês, 431,4 mil toneladas foram exportadas, ou 35,9 mil toneladas por dia, aumento de 719,2% em relação à média em junho/21. O preço pago por tonelada e faturamento diário com os embarques aumentaram, nesse mesmo comparativo, 34,1% e 998,4%, respectivamente.
Expectativas
Em 24/5/22, a autoridade alfandegária da China assinou um acordo com o Brasil permitindo a importação de milho brasileiro.
Apesar de ser um dos principais produtores do grão, a China busca origens alternativas para suprir parte de sua demanda. Entre 2019/20 e 2021/22, o país aumentou em 203% as importações globais do cereal, com a expectativa de cerca de 23 milhões de toneladas internalizadas na atual temporada (USDA).
Além da demanda chinesa, em meio à instabilidade de abastecimento global de milho, oriunda do conflito entre Rússia e Ucrânia, o Brasil ganha destaque como um importante agente no atual momento geopolítico mundial no suprimento de alimentos e poderá ver um incremento nas exportações do cereal ao longo de 2022.
Assim, apesar do avanço da colheita da segunda safra, o espaço para fortes quedas nos preços do milho é limitado, puxado por um cenário internacional instável quanto à oferta do grão. Veja na figura 4 a expectativa de preços futuros para o milho, em reais, no Brasil.
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