Menos Ração, Mais Lucro: Como a Genômica Revoluciona a Eficiência Alimentar
Marcos Vinicius Barbosa da Silva, pesquisador da Embrapa Gado de Leite
Com a demanda por alimentos prevendo alta de 70% até 2050, a pecuária deve produzir de forma eficiente. Como a alimentação representa a maior parte dos custos variáveis, é de extrema importância selecionar animais mais eficientes.
O Consumo Alimentar Residual (CAR) destaca-se como métrica importante. Ele representa a diferença entre o consumo real de alimento e o esperado para o peso e produção do animal.
Bovinos eficientes consomem menos ração ou pasto para produzir a mesma quantidade de carne ou leite, reduzindo custos sem perder desempenho. No entanto, animais com ótima conversão alimentar geralmente são aqueles que crescem muito rápido. Se você selecionar apenas por CAR, acabará gerando vacas adultas muito grandes no rebanho. Animais maiores comem mais apenas para se manterem vivos (custo de mantença alto), o que estraga a eficiência do sistema a longo prazo.
Medir o consumo individual é caro e complexo. Por isso, a seleção genômica revolucionou o setor ao analisar marcadores moleculares (pequenas variações no DNA chamadas SNPs) em todo o genoma do bovino. Essa ferramenta é ideal para melhorar características de baixa herdabilidade, ou seja, aquelas em que o ganho genético é mais demorado.
Por meio do uso desses marcadores de DNA, calcula-se o valor genético genômico (GEBV) do animal , identificando os indivíduos superiores ainda jovens, antes de testes de cocho caros e demorados.
Os benefícios são econômicos e ambientais, reduzindo gastos com insumos e mitigando os impactos frente às mudanças climáticas. O desafio atual é obter grandes populações de referência (banco de dados de animais genotipados e fenótipos disponíveis) para garantir a alta acurácia. Como perspectiva futura, o uso de rebanhos de teste contratados e parcerias internacionais ajudará a superar essa barreira.
Em suma, a mensagem é prática: bovinos eficientes consomem menos para produzir o mesmo volume de leite ou carne, aumentando o lucro e a sustentabilidade da fazenda. No entanto, outras características, além do CAR, como o Consumo e Ganho Residual (CGR) podem ser interessantes, pois ela identifica o “animal dos sonhos”: aquele que consome menos alimento que o esperado (CAR negativo) e apresenta um ganho de peso acima do esperado (GPR positivo).
CHELOTTI, J. O. et al. Livestock feeding behaviour: A review on automated systems for ruminant monitoring. Biosystems Engineering, v. 246, p. 150-177, 2024.
GHAVI HOSSEIN-ZADEH, N. An overview of recent technological developments in bovine genomics. Veterinary and Animal Science, v. 25, p. 100382, 2024.
GONZÁLEZ, L. A.; KYRIAZAKIS, I.; TEDESCHI, L. O. Review: Precision nutrition of ruminants: approaches, challenges and potential gains. Animal, v. 12, s. 2, p. s246-s261, 2018.
LI, J.; CHEN, M. Genomic Selection in Livestock Breeding: Advances and Applications. Animal Molecular Breeding, v. 14, n. 3, p. 239-251, 2024.
TADE, B.; MELESSE, A. A review on the application of genomic selection in the improvement of dairy cattle productivity. Ecological Genetics and Genomics, v. 31, p. 100257, 2024.
UL HAQ, Z. et al. Nutrigenomics in livestock sector and its human-animal interface-a review. Veterinary and Animal Science, v. 17, p. 100262, 2022.
WALLÉN, S. E.; LILLEHAMMER, M.; MEUWISSEN, T. H. E. Strategies for implementing genomic selection for feed efficiency in dairy cattle breeding schemes. Journal of Dairy Science, v. 100, n. 8, p. 6327-6336, 2017.
🔒 Contenido exclusivo para usuarios registrados.
Regístrate gratis para acceder a este post y a muchos más contenidos especializados. Solo te llevará un minuto y tendrás acceso inmediato.
Iniciar sesiónRegístrate en nutriNews
REGISTRARME


