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Micotoxinas em Aves: ocorrência, impactos e estratégias de mitigação

As micotoxinas são metabólitos químicos produzidos por diferentes espécies de fungos e representam um desafio recorrente para a segurança e a qualidade dos alimentos destinados às aves.

Embora sua forma, concentração e prevalência possam variar conforme o ano, a região e o tipo de ingrediente,esses contaminantes têm alcance global e podem in fluenciar negativamente a saúde e o desempenho dos animais.

Na produção avícola, os efeitos associados à ingestão de micotoxinas podem ser observados por meio de alterações no desempenho produtivo, menor eficiência alimentar, danos aos órgãos internos, mudanças no status nutricional e mineral, interferências na regulação hormonal e prejuízos à função imune.

Em conjunto, os impactos de micotoxinas podem comprometer a produtividade, a saúde das aves e a rentabilidade dos sistemas de produção.

Um desafio global e frequentemente múltiplo

A presença de micotoxinas em matérias-primas e rações balanceadas é uma realidade amplamente documentada. Um ponto importante é que, na prática, as aves raramente são expostas a apenas uma micotoxina isolada.

A conocorrência de múltiplas micotoxinas em um mesmo ingrediente ou em uma dieta completa é cada vez mais comum, o que torna a avaliação de risco mais complexa.

Dados mostram essa realidade com clareza. Em amostras de milho analisadas globalmente, entre janeiro de 2018 e julho de 2026, pelo laboratório Alltech 37+, foi observada uma média de 6,98 micotoxinas por amostra. Além disso, as micotoxinas emergentes foram o grupo mais prevalente, aparecendo em 31,6% das amostras avaliadas (Figura 1).

Figura 1. Prevalência de micotoxinas com base na ocorrência relativa (%) de micotoxinas em 7.227 amostras globais de grãos de milho analisadas entre janeiro de 2018 e julho de 2026 para 54 micotoxinas por cromatografia líquida de alta eficiência acoplada à espectrometria de massas em tandem (Laboratório Analitico Alltech 37+, Nicholasville, KY).

As micotoxinas emergentes incluem compostos que não pertencem ao grupo tradicionalmente monitorado, como aflatoxinas, fumonisinas ou deoxinivalenol (DON), e que muitas vezes não são avaliados rotineiramente nem regulamentados por legislações específicas.

Com os avanços nas técnicas laboratoriais, esses compostos passaram a ser identificados com maior frequência, demonstrando uma presença relevante em commodities agrícolas.

Entre 2018 e 2026, a ocorrência de sete micotoxinas emergentes importantes aumentou, em média, 8,4%, reforçando sua crescente relevância para a segurança do alimento e para a saúde das aves (Figura 2).

Figura 2. Aumento na taxa de ocorrência de micotoxinas emergentes – beauvericina, eniatina A/A1, eniatina B/B1, ácido fusárico e oniliformina em 7.227 amostras globais de grãos de milho analisadas entre janeiro de 2018 e julho de 2026 para 54 micotoxinas por cromatografia líquida de ultra-alta eficiência acoplada à espectrometria de massas em tandem (Laboratório Analítico Alltech 37+, Nicholasville, KY).

Como as micotoxinas podem afetar as aves

A ingestão de rações contaminadas por micotoxinas pode resultar em respostas diretas e indiretas. Os primeiros sinais geralmente estão relacionados ao desempenho, como redução do consumo de ração, menor ganho de peso, pior conversão alimentar, queda na produção de ovos ou alterações na qualidade dos ovos.

No entanto, os efeitos das micotoxinas não se limitam aos parâmetros produtivos. O trato gastrointestinal está entre os primeiros órgãos impactados, uma vez que entra em contato direto com os contaminantes presentes na dieta.

Algumas micotoxinas podem alterar a síntese proteica nas vilosidades intestinais, levando a lesões, menor desenvolvimento dessas estruturas e redução da digestão e absorção de nutrientes.

Também há evidências de que micotoxinas podem reduzir o número de células caliciformes no intestino, afetando a camadade muco, além de enfraquecer as junções de oclusão entre as células intestinais.

Essas alterações comprometem a integridade da barreira intestinal e podem aumentar a suscetibilidade das aves a infecções secundárias. Como consequência, podem ser observados sinais como maior ocorrência de doenças, excretas mais úmidas, pior resposta às vacinas e aumento da mortalidade.

Além dos efeitos intestinais, as micotoxinas também podem interferir em outros sistemas fisiológicos. O deoxinivalenol, por exemplo, foi associado à redução da relação cálcio e fósforo em fêmur e tibiotarso de frangos de corte, indicando impacto sobre o status mineral nos ossos.

A zearalenona, por sua vez, foi relacionada a alterações hormonais em poedeiras, incluindo redução dos níveis de hormônio folículo-estimulante (FSH) e progesterona.

Micotoxinas emergentes: uma categoria que merece atenção

Embora sejam menos discutidas do que as micotoxinas tradicionalmente monitoradas, as micotoxinas emergentes têm potencial para afetar a saúde e o desempenho das aves.

Há uma base histórica de estudos indicando que esses compostos podem causar efeitos relevantes, especialmente quando presentes em associação com outras micotoxinas.

O ácido fusárico, por exemplo, foi avaliado em estudo com embriões, isoladamente e em combinação com fumonisina B1.

Quando administrados de forma individual, ambos aumentaram a mortalidade embrionária após 21 dias; porém, os efeitos foram mais pronunciados quando os compostos foram combinados. Esse tipo de resposta reforça a importância de considerar o risco associado à exposição múltipla.

Outro exemplo é a moniliformina, produzida por diversas espécies de Fusarium. Em aves, sua ingestão pode estar associada a danos cardíacos, dificuldade respiratória, fraqueza muscular e imunossupressão.

Esses achados indicam que a avaliação do risco micotoxicológico deve ir além das micotoxinas mais conhecidas, especialmente em sistemas de produção nos quais ingredientes como milho e subprodutos são amplamente utilizados.

Avaliar o risco é o primeiro passo

A gestão eficaz das micotoxinas começa pela detecção do risco presente nos ingredientes e nas rações. Diferentes métodos podem ser utilizados para essa finalidade, incluindo tecnologias de fluxo lateral, ensaios imunoenzimáticos e cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas.

A utilização de tecnologias capazes, não apenas de detectar, mas também de quantificar micotoxinas, é o que permite uma compreensão mais precisa do risco. Essas informações ajudam os produtores e nutricionistas a tomar decisões mais bem fundamentadas sobre qualidade e segurança da ração.

Além disso, os dados obtidos por meio das análises podem ser utilizados para acompanhar o risco ao longo do tempo e relacionar a presença de micotoxinas aos desafios de saúde e desempenho observados no campo. Essa abordagem permite construir estratégias de mitigação mais eficazes e adaptadas à realidade de cada operação.

Após a identificação do risco, uma das estratégias disponíveis para a mitigação de micotoxinas é o uso de adsorventes com o objetivo de reduzir sua absorção pelo animal.

Um dos componentes avaliados na produção avícola é o extrato de parede celular de levedura. Meta-análises têm sido conduzidas para sintetizar os resultados de diferentes estudos e fornecer conclusões quantitativas mais robustas sobre seu uso durante desafios por micotoxinas.

Um dos adsorventes de micotoxinas mais pesquisados do mercado

Com eficácia comprovada por mais de 20 anos de pesquisas in vitro e in vivo em várias espécies animais, o Mycosorb A+ é eficaz na adsorção de múltiplas micotoxinas, como aflatoxinas, zearalenona, DON, ocratoxina A, toxina T-2 e fumonisinas, maximizando o desempenho e apoiando o sistema imunológico do animal.

Em frangos de corte, uma meta-análise com 25 referências de ensaios indicou que o uso de Mycosorb durante desafios por micotoxinas esteve associado a maior ganho de peso, melhor eficiência alimentar, menor mortalidade e menor pegada de carbono da produção, quando comparado ao consumo de micotoxinas sem essa estratégia de mitigação.

De forma semelhante, uma meta-análise conduzida com poedeiras mostrou que aves suplementadas com Mycosorb durante desafios por micotoxinas apresentaram maior produção de ovos e ovos mais pesados em comparação às aves expostas às micotoxinas sem a suplementação.

As evidências apresentadas nessas meta-análises reforçam que, em cenários de contaminação por múltiplas micotoxinas, a adoção de uma tecnologia adsorvente eficaz pode contribuir para a proteção do desempenho produtivo, da rentabilidade do produtor e da sustentabilidade da operação.

Com respaldo científico, validação consistente em diferentes espécies e histórico consolidado de uso comercial, o Mycosorb representa uma solução confiável para programas integrados de gestão de micotoxinas na produção avícola.

Considerações finais

As micotoxinas estão presentes em matérias-primas e rações em diferentes regiões do mundo e devem ser consideradas uma ameaça à qualidade e à segurança dos alimentos destinados às aves. Seus efeitos podem comprometer a saúde intestinal, a função imune, o equilíbrio nutricional, o desempenho produtivo e, consequentemente, a rentabilidade dos sistemas avícolas.

A crescente prevalência das micotoxinas emergentes reforça a necessidade de uma avaliação mais ampla do risco, especialmente em cenários de contaminação múltipla.

O monitoramento analítico, a quantificação do risco e a adoção de estratégias de mitigação são ferramentas importantes para reduzir os impactos das micotoxinas sobre a saúde, o desempenho, a sustentabilidade e a rentabilidade da produção avícola.

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