América Latina e o Caribe registram superávit de US$ 21 bilhões

17 jun 2026

América Latina e o Caribe registram superávit de US$ 21 bilhões

A produção mundial de animais aquáticos atingiu um novo recorde de 195 milhões de toneladas em 2024, impulsionada principalmente pela contínua expansão da aquicultura, segundo um novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), lançado nesta terça-feira (16) durante a Conferência Our Ocean (Nosso Oceano, em tradução para o português), em Mombaça, no Quênia. O relatório emblemático, O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura 2026 (The State of World Fisheries and Aquaculture 2026 – SOFI), mostra que o comércio internacional de produtos aquáticos — incluindo tanto animais aquáticos quanto algas — alcançou US$ 186 bilhões em 2024, envolvendo 230 países e territórios em todo o mundo. A América Latina e o Caribe destacaram-se como um dos grandes exportadores líquidos mundiais de produtos de origem aquática, registrando um superávit comercial de US$ 21 bilhões em 2024, de acordo com o relatório.
“A Região da América Latina e o Caribe desempenha um papel fundamental no abastecimento de produtos da pesca e da aquicultura para os mercados globais, apoiada por ecossistemas marinhos altamente produtivos e por um setor aquícola em rápido crescimento. A FAO apoia os países da região por meio de iniciativas de cooperação técnica que promovem inovação, sustentabilidade e desenvolvimento de cadeias de valor — por exemplo, com a introdução de tecnologias inovadoras na carcinicultura no Peru e a promoção do cultivo sustentável de algas marinhas”, afirma Rene Orellana Halkyer, Diretor-Geral Adjunto e Representante Regional da FAO para a América Latina e o Caribe.
Anchoveta, salmão e camarão sustentam as exportações regionais
A região exportou US$ 27 bilhões em produtos de animais aquáticos e importou US$ 6 bilhões no mesmo período. No total, os países da região exportaram 6,4 milhões de toneladas (peso do produto) de produtos de origem aquática, representando 15% das exportações globais. As exportações foram impulsionadas principalmente pela pesca da anchoveta no Peru e no Chile — destinada à produção de farinha e óleo de peixe — além do camarão cultivado no Equador e do salmão cultivado no Chile.
A pesca de captura lidera a produção regional de animais aquáticos
Em 2024, a América Latina e o Caribe responderam por 9% da produção mundial de animais aquáticos (pesca e aquicultura), percentual semelhante ao da Europa, mas bem abaixo da Ásia, que concentrou 72% da produção global. Com 13 milhões de toneladas, a pesca de captura representou 75% da produção total de animais aquáticos na Região em 2024, apoiada, em parte, pelo altamente produtivo Sistema da Corrente de Humboldt ao longo da costa oeste da América do Sul. A região respondeu por 15% do total mundial de 92 milhões de toneladas produzidas pela pesca de captura, tornando-se o segundo maior polo global desse tipo de produção, atrás apenas da Ásia.
Em 2024, o Peru foi o principal produtor regional de pesca de captura, com 5,7 milhões de toneladas, ocupando a quarta posição mundial, enquanto o Chile foi o segundo na região e o décimo no mundo. Após uma forte queda associada ao fenômeno El Niño em 2023, a anchoveta (Engraulis ringens) apresentou forte recuperação em 2024, com aumento de quase 65% nas capturas — de 3,5 milhões para 5,7 milhões de toneladas. Representando cerca de 5% da produção global de pesca de captura, a anchoveta permaneceu uma das espécies mais importantes do mundo. As capturas na região variam significativamente devido às condições ambientais, especialmente às condições oceanográficas ligadas ao fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS).
Aquicultura cresce rapidamente
Embora a aquicultura ainda represente uma parcela menor da produção total, ela continua a se expandir rapidamente e já responde por aproximadamente 25% da produção regional de animais aquáticos, impulsionada por espécies de alto valor, como salmão e camarão. A produção aquícola na América Latina e no Caribe cresceu, em média, 7,2% ao ano, acima da média mundial de 4,9%, passando de 0,8 milhão de toneladas em 2000 para 4,4 milhões de toneladas em 2024 (num total mundial de 103 milhões de toneladas).
O crescimento regional concentrou-se na América do Sul, liderado pelo Chile, com 1,4 milhão de toneladas; Equador (1,2 milhão de toneladas) e Brasil (0,9 milhão de toneladas). Juntos, esses três países responderam por 79% da produção aquícola da região em 2024.
Os países da América Latina e o Caribe seguem ampliando seus setores aquícolas, incluindo o potencial do cultivo de algas, que apresenta forte perspectiva de crescimento. O Chile lidera essa produção, seguido pela Venezuela e pelo Brasil.
Pesca marinha é o principal empregador
Em 2024, cerca de 65,3 milhões de pessoas trabalhavam no setor primário da pesca e da aquicultura no mundo, com 35% na aquicultura e 56% na pesca de captura, enquanto os 9% restantes não puderam ser desagregados entre os dois setores devido à insuficiência de dados.
Na América Latina e o Caribe, o setor de pesca e aquicultura emprega mais de 3 milhões de pessoas no setor primário, representando 5% dos pescadores e aquicultores do mundo e sustentando os meios de subsistência em comunidades costeiras e rurais.
A pesca marinha é a principal fonte de emprego na Região, respondendo por 73% do total de empregos no setor primário e sustentando milhões de meios de vida em comunidades costeiras.
A pesca de pequena escala também cumpre papel essencial na nutrição, segurança alimentar, emprego e economia local, sendo fortemente ligada à identidade cultural de comunidades costeiras e insulares.
Disponibilidade de alimentos tem aumento modesto
Apesar de ser a segunda maior região produtora, a disponibilidade de alimentos aquáticos na América Latina e o Caribe permanece abaixo da média mundial.
Em 2023, a disponibilidade média per capita de alimentos de origem animal aquática na Região foi de 10,1 kg, em comparação com a média global de 21,1 kg. Embora a disponibilidade total desses alimentos na América Latina e o Caribe tenha aumentado desde 2000, o crescimento permaneceu modesto, com uma média de 1,8% ao ano, resultando em ganhos limitados de apenas 0,8% ao ano na disponibilidade per capita.
Perspectivas apontam para a continuidade do crescimento da aquicultura
A produção de animais aquáticos deverá crescer 8% até 2034, impulsionada principalmente pela aquicultura (+26%). A América Latina e o Caribe devem permanecer como a segunda maior Região produtora, respondendo por cerca de 5% da produção global de aquicultura. “O trabalho da FAO na Região mostra que a Transformação Azul pode gerar resultados concretos para as pessoas, as economias e os ecossistemas, fortalecendo cadeias de valor e melhorando a nutrição em comunidades vulneráveis”, afirma Orellana Halkyer.
Sobre o relatório
Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura é o relatório emblemático da FAO que analisa a situação e a saúde dos estoques pesqueiros globais, bem como as tendências da pesca e da aquicultura nos níveis global e regional, incluindo dados sobre produção, comércio, emprego e disponibilidade de produtos.
América Latina e Caribe em números
1. PRODUÇÃO
Produção da pesca e da aquicultura (animais aquáticos e algas)
Mundo
América Latina e o Caribe
235 milhões de toneladas
18,2 milhões de toneladas ou
8% da produção global
Produção de animais aquáticos
Mundo
América Latina e o Caribe
195 milhões de toneladas
17,8 milhões de toneladas ou
9% da produção global
Produção de alga
Mundo
América Latina e o Caribe
40 milhões de toneladas
0,5 milhões de toneladas ou
1% da produção global
 Produção aquícola
Mundo
América Latina e o Caribe
142 milhões de toneladas, das quais
–         103 milhões de toneladas de animais aquáticos
–         39 milhões de toneladas de algas
4,5 milhões de toneladas (3% da produção global), das quais:
–         4,4 milhões de toneladas de animais aquáticos
–         0,02 milhões de toneladas de algas
Produção da pesca de captura
Mundo 
América Latina e o Caribe
93 milhões de toneladas, das quais
–         92 milhões de toneladas de animais aquáticos
–         1.3 milhões de toneladas de algas
13,8 milhões de toneladas de animais aquáticos ou
15% da produção global, da qual:
–         13,4 milhões de toneladas de animais aquáticos
–         0,5 milhões de toneladas de algas
2. DISPONIBILIDADE DE ALIMENTOS DE ORIGEM ANIMAL AQUÁTICA
Disponibilidade global de alimentos de origem animal aquática (2023)
Mundo
América Latina e Caribe
171 milhões de toneladas
6,7 milhões de toneladas ou 4% da disponibilidade global
Disponibilidade global per capita de alimentos de origem animal aquática (2023)
Mundo
América Latina e Caribe
21,1kg
10,1 kg
3.    Emprego
Pessoas empregadas na produção primária
Mundo
América Latina e o Caribe
65,3   milhões
3,2 milhões ou
5% do total mundial
4. COMÉRCIO
Comércio de produtos de origem animal aquática
Exportação
Mundo
América Latina e o Caribe
USD 184 bilhões
USD 27,1 bilhões ou
15% das exportações globais de produtos de origem animal aquática
Importações
América Latina e o Caribe
USD 6,3 bilhões ou
3% das importações globais de produtos de origem animal aquática
5. Principais produtores
Aquicultura: cinco principais produtores de animais aquáticos em 2024 (milhões de toneladas)
Chile
1,4
Equador
1,2
Brazil
0,9
Mexico
0,3
Colombia
0,2
Pesca de captura marinha: cinco principais produtores de animais aquáticos em 2024 (milhões de toneladas)
Peru
5,7
Chile
2,1
Mexico
1,8
Argentina
0,9
Ecuador
0,8
Comércio – cinco principais exportadores de produtos de origem animal aquática em 2024 (bilhões de USD)
Equador
9,2
Chile
8,5
Peru
3,6
Argentina
1,9
Mexico
1,2

Fonte: FAO/ ONU

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