17 ago 2026
Mesmo diante da expectativa de oferta elevada, milho e soja seguem com cotações sustentadas no mercado interno, influenciadas pela postura dos produtores, pela demanda e pelo cenário internacional.
Os mercados de milho e soja seguem apresentando sustentação de preços no Brasil, segundo a pesquisa semanal do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Embora as projeções indiquem uma produção elevada para a safra 2025/26, fatores relacionados à comercialização, à demanda e ao cenário internacional continuam influenciando as cotações.
No mercado de milho, os preços permanecem em alta apesar das novas estimativas de uma possível safra recorde. De acordo com o Cepea, a postura mais retraída dos produtores tem limitado o volume de negócios no mercado spot, reduzindo a disponibilidade do cereal para comercialização imediata e contribuindo para a sustentação das cotações.
Já no mercado de soja, o movimento de alta está associado principalmente à demanda aquecida e à disputa entre compradores domésticos e internacionais. A valorização do dólar frente ao Real aumenta a competitividade da soja brasileira no mercado externo e favorece a paridade de exportação.
Outro fator de atenção é a relação entre estoques e consumo. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que essa relação para a soja na safra 2025/26 deve ficar em 33,5%, o menor percentual desde a temporada 2022/23. Para 2026/27, a projeção inicial é de 32,3%, mesmo com a expectativa de crescimento da oferta.
Segundo o Cepea, o cenário também é influenciado pelos preços internacionais, pelo atraso da colheita no Brasil e pelas preocupações relacionadas ao clima no final do ano, diante dos possíveis impactos do El Niño.
No mercado físico, compradores permanecem ativos na recomposição de estoques, mas ainda mantêm ofertas abaixo dos valores pedidos pelos vendedores. A expectativa dos agentes é de que o avanço da colheita possa estimular uma maior disposição dos produtores para negociar.
O comportamento de milho e soja permanece, portanto, condicionado ao equilíbrio entre oferta, ritmo de comercialização, demanda interna e externa e condições climáticas, fatores que devem continuar no radar do mercado nas próximas semanas.
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