10 set 2026
Integração entre Saúde Única, Bem-Estar Animal e Bem-Estar Único amplia a discussão sobre eficiência, biosseguridade e gestão nas cadeias de proteína animal
A discussão sobre bem-estar na produção animal está ganhando uma dimensão que vai além das condições oferecidas aos animais. Saúde, ambiente e pessoas passaram a ser considerados dentro de uma mesma lógica de gestão, aproximando conceitos que tradicionalmente eram tratados de forma separada.
A proposta está na integração entre Saúde Única, Bem-Estar Animal e Bem-Estar Único. Embora não sejam sinônimos, os três conceitos se complementam ao conectar saúde humana, saúde animal, ambiente e condições de trabalho.
Para Antony Luenenberg, coordenador técnico de Bem-Estar Único na MSD Saúde Animal, o bem-estar deixou de ser apenas uma exigência de conformidade.
“Hoje, temos a clareza de que o bem-estar é o dever de casa básico”, afirma.
Na prática, o Bem-Estar Animal está relacionado ao estado físico e comportamental dos animais, incluindo aspectos como conforto, manejo, alimentação, saúde e redução de dor e estresse.
Já a Saúde Única amplia o olhar para as relações entre saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, biosseguridade, prevenção de doenças e uso responsável de medicamentos deixam de ser temas isolados e passam a integrar a estratégia sanitária da produção.
O terceiro conceito, Bem-Estar Único, acrescenta um componente frequentemente menos explorado: as condições oferecidas às pessoas que trabalham diretamente com os animais.
É justamente nessa interseção que está um dos pontos de atenção para as granjas e propriedades. Treinamento, ergonomia, segurança e condições adequadas de trabalho podem interferir na qualidade do manejo e, consequentemente, na resposta dos animais.
Segundo Filipe Dalla Costa, coordenador técnico de Bem-Estar Único da MSD Saúde Animal, o programa Missão de Cuidar – Bem-Estar Único avalia ambiente, manejo, pessoas e animais a partir de mais de 170 critérios.
A empresa informa ainda que o número de unidades produtivas certificadas pelo programa passou de 12 para 50 entre 2024 e 2025, crescimento de 316%, com expectativa de chegar a 100 propriedades certificadas em 2026.
A lógica defendida pela empresa é que bem-estar não deve ser tratado apenas como atributo reputacional. Menor estresse, manejo adequado e melhores condições sanitárias podem contribuir para indicadores produtivos e reduzir perdas associadas ao processamento.
Para as cadeias de aves, suínos e bovinos, a discussão coloca um desafio adicional: transformar protocolos de bem-estar em rotina operacional mensurável, conectando sanidade, manejo, pessoas e resultados.
É nessa mudança de perspectiva que o conceito deixa de ser apenas uma pauta de sustentabilidade e passa a disputar espaço entre os indicadores de eficiência da produção animal.
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