08 out 2026
Em evento paralelo ao 15º SBSBL, médica-veterinária apresentou dados nacionais e internacionais sobre impacto da doença, saúde intestinal e resposta produtiva dos animais
A diarreia neonatal não deve ser tratada como uma ocorrência normal na criação de bezerras. Frequente nas primeiras semanas de vida, a condição pode comprometer ganho de peso, atrasar etapas do desenvolvimento e deixar efeitos que acompanham o animal até a fase produtiva. O alerta foi feito pela médica-veterinária Bianca Paola Santarosa, gerente nacional de Ruminantes da Huvepharma, durante evento paralelo ao 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), nesta quarta-feira (7), em Chapecó.
A atividade foi promovida pela Confortin Agro Distribuidor, em parceria com Biogénesis Bagó e Huvepharma, e teve como tema “Além do controle da diarreia: resultados do Parofor® Solução Oral na saúde e no desempenho de bezerras no Brasil”.
Bianca apresentou dados sobre epidemiologia, agentes envolvidos e consequências da diarreia sobre o desempenho das bezerras. Entre os principais desafios microbiológicos, destacou o Cryptosporidium, protozoário associado a quadros de diarreia em animais jovens.
“A diarreia é muito frequente e comum, mas não é normal. Quando há alteração na frequência de defecação e na consistência das fezes, isso já precisa acender um alerta”, afirmou. Segundo a especialista, a ocorrência nas duas primeiras semanas de vida merece atenção especial porque coincide com uma fase de elevada vulnerabilidade sanitária.
Um dos pontos centrais da palestra foi o efeito da doença sobre o desenvolvimento posterior do animal. Bianca explicou que episódios de diarreia podem atrasar ganho de peso, desaleitamento e puberdade, além de influenciar o desempenho futuro da vaca.
“Uma vez afetada, a bezerra pode carregar consequências para a vida toda. Precisamos evitar a ideia de que a bezerra de leite vai ter diarreia de qualquer forma ou que o problema é apenas nutricional”, ressaltou.
A médica-veterinária também chamou atenção para a relação entre diarreia e outros problemas sanitários. Segundo ela, bezerras acometidas podem apresentar maior risco posterior de doença respiratória em razão do comprometimento das defesas do organismo.
Na apresentação, Bianca abordou resultados obtidos no País com a paromomicina (antibiótico), molécula presente no Parofor® Solução Oral. Segundo ela, os dados brasileiros já apontam redução da morbidade e da severidade da diarreia, menor necessidade de tratamentos posteriores e melhora no desempenho durante o aleitamento.
Experiências em propriedades brasileiras registraram ganhos adicionais de peso até o desaleitamento, com resultados que chegaram a 7 quilos e, em alguns levantamentos, ultrapassaram 10 quilos. O produto chegou ao mercado brasileiro no fim de maio de 2025, em parceria com a Biogénesis Bagó.
Bianca destacou que a tecnologia já acumula uma trajetória consolidada no exterior. Segundo ela, o Parofor® é utilizado há cerca de 12 anos na Europa e ocupa posição de liderança global em vendas dentro do segmento farmacêutico da Huvepharma. A experiência internacional, ressaltou, permitiu que o produto chegasse ao Brasil com um histórico técnico-científico já estabelecido, enquanto os estudos conduzidos no País passaram a verificar seu desempenho nas condições brasileiras.
“É um produto que já tem mais de dez anos de atuação na Europa. Aqui no Brasil, nós passamos a comprovar esses resultados dentro da nossa realidade e já temos trabalhos científicos publicados com dados nacionais”, sublinhou.
A médica-veterinária acrescentou que o acompanhamento brasileiro entra agora em uma nova etapa. As primeiras bezerras que receberam o produto no País começam a alcançar a idade reprodutiva, o que permitirá avaliar, nos próximos anos, possíveis reflexos sobre puberdade, prenhez, idade ao primeiro parto e, posteriormente, produção de leite.
“Ainda não temos no Brasil o dado efetivo do que isso vai modificar na sala de ordenha. Agora começaremos a acompanhar essas primeiras bezerras em relação à puberdade, prenhez e, depois, produção”, explicou.
Sanidade e economia
Para a especialista, o controle da diarreia deve ser analisado também sob a ótica econômica. Perdas de peso, tratamentos, atraso no desenvolvimento e maior susceptibilidade a outras doenças aumentam os custos de criação e podem limitar o potencial produtivo dos animais.
“O desempenho da futura vaca começa a ser construído ainda na fase de cria. O diagnóstico correto, a prevenção e o manejo adequado nas primeiras semanas são determinantes para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo do rebanho”.
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