08 out 2026
O 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) trouxe para a programação científica desta quarta-feira (7) estratégias de gestão zootécnica para sistemas confinados rentáveis. Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o evento acontece até esta quinta-feira (8), no Centro de Cultura e Eventos de Chapecó.
O crescimento dos sistemas confinados de produção de leite tem trazido novos desafios para a gestão zootécnica das propriedades. À medida em que os rebanhos aumentam, questões como infraestrutura, recria, longevidade das vacas, genética e reprodução ganham ainda mais importância para garantir o desempenho dos animais.
O zootecnista Jorge Henrique Carneiro discutiu sobre os diferenciais técnicos das fazendas leiteiras que apresentam maior rentabilidade, seus gargalos e estratégias para este sistema.
Entre os principais desafios está a longevidade das vacas. O doutor explica que muitas propriedades têm encontrado dificuldades para manter animais adultos por mais tempo no rebanho. Vacas mais velhas são mais exigentes e sensíveis, e condições inadequadas de ambiente e alimentação podem dificultar sua permanência produtiva no sistema.
Como consequência, aumenta a proporção de animais jovens no rebanho. Essa mudança traz impactos sobre a eficiência alimentar e a produtividade, já que animais ainda em crescimento tendem a produzir menos leite e apresentam maior custo de produção, pela menor eficiência alimentar.
A recria também tem se tornado um gargalo, principalmente em fazendas com superlotação. Isso acontece porque nem sempre o crescimento dos rebanhos é acompanhado da ampliação da estrutura física, o que deixa a recria em segundo plano. Especialmente em decorrência dessa falta de infraestrutura necessária, o desempenho das novilhas vem caindo consideravelmente ao longo dos anos, afirmou o doutor em Ciência Animal.
De acordo com o especialista, o resultado tem sido uma queda no desempenho das novilhas ao longo dos anos. Uma recria eficiente, entretanto, é fundamental para que o animal chegue ao primeiro parto com desenvolvimento adequado e próximo de seu tamanho adulto.
A genética é outro ponto chave na gestão dos sistemas confinados. Para o especialista, o setor precisa ter mais atenção com os sólidos do leite, considerando que os mercados de pagamento por gordura e proteína têm aumentado nos últimos anos.
“O Brasil quase nunca pensou nisso. Sempre foi muito focado na produção de leite. Nos últimos 22 anos, o crescimento de sólidos do leite no Brasil ficou em torno de 5,3%, enquanto no mercado norte-americano chegou a aproximadamente 17%. O problema disso é que quando as fazendas decidirem aumentar os sólidos, vão levar pelo menos cerca de 5, 7 anos para alcançar essa mudança genética. Então, nós temos que começar a avaliar melhor essa estratégia”, ressaltou.
Além da genética e da recria, a reprodução aparece como um dos principais indicadores de eficiência dos sistemas confinados. Para o zootecnista, existe uma relação direta entre bons resultados produtivos e um programa reprodutivo eficiente.
“Fazendas mais eficientes impreterivelmente têm reprodução melhor que as outras. Não tem como você ser muito eficiente com uma reprodução ruim”, avaliou.
A diferença entre propriedades mais e menos eficientes está nos detalhes. Na tomada de decisões técnicas que, isoladamente, podem parecer pouco representativas, mas que produzem efeitos significativos em relação à produtividade. Um dos exemplos é a qualidade da recria, garantindo que as novilhas cheguem ao primeiro parto com estrutura corporal adequada. Outro é a produção de silagem de milho de maior qualidade, com foco em melhorar a digestibilidade da fibra.
Importante destacar que a eficiência de um sistema confinado não depende de uma única estratégia, mas da combinação de diversos fatores, como manejo, reprodução, nutrição, genética, conforto, infraestrutura e desenvolvimento adequado dos animais.
Para concluir, Jorge pontuou a importância de olhar para a demografia do rebanho para avaliar a fazenda como um todo.
“Temos que buscar mais longevidade, mas essa longevidade precisa estar associada à alta produtividade. A reprodução, sem dúvida, é uma das bases das fazendas eficientes. Não dá para separar alta produtividade de uma ótima reprodução. Da mesma forma, precisamos discutir mais a genética, que vem sendo muito subestimada e impacta em mais da metade do resultado da propriedade, principalmente com atenção para detalhes como os sólidos do leite, composição e CCS. Ainda há o desafio da mão de obra, pois será difícil continuarmos eficientes nas propriedades onde a rotatividade é alta”, finalizou.
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