21 Feb 2022

Pesquisadores desenvolvem inseticida para controle de cochonilhas em palma forrageira e algodoeiro

A palma forrageira é uma ótima opção para alimentar os rebanhos no Semiárido e o algodão é uma excelente fonte […]

A palma forrageira é uma ótima opção para alimentar os rebanhos no Semiárido e o algodão é uma excelente fonte de proteínas, dizem especialistas

 
A Embrapa Algodão e o INSA (Instituto Nacional do Semiárido) estão trabalhando em parceria para o desenvolvimento de um novo inseticida, a partir de de sisal (Agave sisalana), para o controle de cochonilhas da palma forrageira e do algodoeiro no Semiárido brasileiro.
Os trabalhos de pesquisa estão sendo conduzidos em áreas de campo e laboratórios das duas instituições, na cidade de Campina Grande, PB. O acordo técnico firmado no final do ano passado terá três anos de duração.

O pesquisador Everaldo Medeiros, da Embrapa Algodão, que coordena o projeto pela Embrapa, explica que as culturas tolerantes ao estresse hídrico, como a palma forrageira e o algodoeiro, têm sido essenciais para a manutenção dos rebanhos no Semiárido, com custos menores que os concentrados de grãos, produzidos no Cerrado do país, daí a importância do composto para a sustentabilidade dessas culturas.

 

“A palma forrageira tem sido a melhor opção para alimentar os rebanhos no Semiárido e o algodão é uma excelente fonte de proteína, que pode ser acrescentada à palma para suprir a deficiência de nutrientes”, diz.

A palma forrageira possui vantagens como:

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Sendo assim, é uma cultura que pode ser explorada por vários anos seguidos, possibilitando, quando em plantios adensados, maior eficiência no uso da terra.
Apesar de possuir baixo teor de proteína, a palma forrageira possui altos teores de carboidratos totais, matéria mineral e umidade, características importantes na alimentação e hidratação dos animais devido à escassez hídrica.
O algodão também possui tolerância ao déficit hídrico, além de ser uma excelente alternativa como nicho de mercado orgânico e natural para complementação de renda do pequeno produtor. Além da produção de fibra, a sua integração permite a composição da fração proteica existente na biomassa do algodoeiro, e a utilização da torta e farelo após o beneficiamento da pluma.
Segundo o entomologista Carlos Domingues, também da Embrapa Algodão, as principais pragas que atacam a palma forrageira e algumas espécies em algodoeiro são relacionados a insetos sugadores, especialmente as cochonilhas.

“A identificação dessas pragas e o seu controle químico são procedimentos trabalhosos e de altos custos. A busca de produtos fitoquímicos envolvendo compostos ativos inseticidas tem sido uma estratégia eficiente e com menor impacto para humanos, animais domésticos e meio ambiente”, afirma.

 
Palma forrageira
Conforme dados do Insa, o Brasil é o maior produtor mundial de palma forrageira para alimentação animal. Estima-se que existam, com essa finalidade, cerca de 500 mil hectares de palma forrageira no Nordeste, concentrando-se principalmente nos estados da:

Onde a cultura encontrou condições ideais para seu desenvolvimento. A palma pode substituir, em parte, outras fontes energéticas como capins e grãos.
Melhor dessa semana nutrinews brasilA pesquisadora Jucilene Araújo, do Insa, responsável pelo projeto na instituição, reforça que a pecuária é uma das principais fontes de renda do Semiárido brasileiro, mas, dadas as grandes oscilações na disponibilidade de forragens causadas pelas estiagens que ocorrem na região, é necessário o uso de plantas adaptadas como a palma forrageira, que suporta grandes períodos de escassez de água.
Ela relata que há uma grande preocupação por parte dos produtores de palma e dos pesquisadores em relação a pragas e doenças dessa cultura, com destaque para as pragas cochonilha do carmim e cochonilha de escama.

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“Muitos dos palmais da variedade Gigante (espécie Opuntia fícus indica), de alguns estados do Nordeste, foram dizimados pela cochonilha do carmim”, diz ela.

“Atualmente, temos quatro variedades de palma resistentes à cochonilha do carmim, que são cultivadas em substituição à variedade Gigante, no entanto, são suscetíveis à segunda praga de maior importância da cultura que é a cochonilha de escama. Estas pragas causam prejuízos aos produtores rurais, diminuindo a quantidade de forragem produzida e muitas vezes inviabilizando a colheita, afetando assim a economia da região”, conta.
Neste projeto, os pesquisadores enfocarão a cochonilha de escama.

“Com as variedades resistentes, o problema da cochonilha do carmim foi parcialmente resolvido. O desafio maior agora é a cochonilha de escamas”, explica Everaldo.

Inseticida verde
A Embrapa Algodão tem pesquisado compostos ativos a base de extrato líquido de sisal para o controle de lagartas e carrapatos em bovinos. Com a base de conhecimento gerado, em conjunto com a Universidade Federal da Paraíba, desenvolveu um produto com eficácia para controle de todas as fases do mosquito Aedes Aegypti.

Agora, em parceria com o Insa, o objetivo é prospectar, desenvolver e testar um novo composto químico com ação inseticida identificada em genótipos de Agave a partir de substâncias ativas para o controle das cochonilhas em palma forrageira e no algodoeiro, duas culturas de alta demanda por produtos fitossanitários.
 

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