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Clima seco redobra atenção com a alimentação de rebanho bovino

19 Mar 2024

Clima seco redobra atenção com a alimentação de rebanho bovino

Sistema Faeg/Senar/Ifag orienta produtores rurais a fazerem reserva de alimento para o rebanho para enfrentar o período de seca que deve atingir a pecuária a partir do segundo semestre deste ano

Goiás ocupa a terceira posição no ranking nacional de estados com maiores rebanhos no País. Segundo dados do Sistema de Defesa Agropecuária (Sidago) da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), são mais de 23,5 milhões de bovinos identificados em 131.813 propriedades rurais espalhadas pelo Estado.

  • Seja de corte ou leiteira, a pecuária é uma atividade importante, porque contribui para criar postos de trabalho e gerar renda nos 246 municípios goianos, movimentar os mercados interno e externo – como exportação de carne bovina -, fortalecer indústrias, comércios, entre outros. É um setor que tem evoluído com o passar dos anos e que pode crescer ainda mais por meio de investimentos constantes no tripé produtivo, que envolve sanidade, manejo e genética.

Devido à relevância econômica e social, é um segmento que tem demandado também atenção especial por causa da variação climática dos últimos anos. Assim como a agricultura, que teve perda de produtividade nas lavouras na safra 2023/2024 – causada pela estiagem e ondas de calor em 2023 -, a pecuária sofre com os efeitos do clima, como excesso de chuva e de seca. Preocupada com a situação que pode ocorrer em 2024, o Sistema Faeg/Senar/Ifag tem orientado, especialmente o pecuarista, sobre como o El Niño e a La Niña podem impactar o campo e a sociedade como um todo no que se refere as pecuárias de corte e leite.

No início de fevereiro deste ano, o presidente do Sistema Faeg/Senar/Ifag, José Mário Schreiner, diretores da entidade e representantes de instituições parceiras se reuniram na sede da Federação da Agricultura e Pecuária (Faeg), em Goiânia (GO), para apresentar cenários e discutir ações que devem ser adotadas para evitar prejuízos tanto na pecuária de corte, quanto de leite no Estado.

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“A expedição que nós realizamos em Goiás [em janeiro] nos trouxe algumas informações extremamente importantes. São dados que foram montados em cima de metodologias desenvolvidas pela Embrapa e outras entidades de renome nacional. E, claro, trouxe informações sobre as perdas da safra de verão, entre 15% a 20%, e outros alertas com relação ao clima. Nós estamos sob efeito do El Niño e ele vai perder força até o final de abril. Depois vamos enfrentar um período de seca. Isso é o que a meteorologia e a climatologia informam. Nesse período de seca, nós queremos alertar nossos produtores rurais, principalmente os pecuaristas de gado de corte e de leite, no sentido de fazerem reserva de comida, silagem, feno etc. para seus animais”, ressalta José Mário Schreiner.

Ele destaca que essa reserva será necessária, porque a previsão é de Goiás ficar sem chuvas de maio até setembro, quando o La Niña deve chegar forte e trazer períodos chuvosos para o estado.

“Vamos ficar um período de cinco a seis meses sem chuvas. Então isso nos leva a orientar e reforçar aos produtores rurais de Goiás que façam reserva de comida para os animais. Nós devemos enfrentar esse período seco e, sem dúvida nenhuma, não tomando as providências necessárias, em julho ou agosto, nós vamos enfrentar um período muito difícil”, explica.

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José Mário afirma ainda que o clima já interferiu, por exemplo, na safrinha de milho – cultura bastante utilizada para produção de silagem para o rebanho.

“Poderemos ter dificuldade de abastecimento de milho em função da menor safrinha. Então, fazemos já esse alerta ao pecuarista para que a gente possa enfrentar a situação de uma forma mais tranquila ou menos dramática. Outra orientação é em relação à água, o cuidado com a proteção de nascentes, para que a gente possa ter água tanto para o uso com os animais quanto para o abastecimento humano em nossas cidades”, informa.

Opções para a seca

Além de prever ações para os próximos meses, é importante fazer uma avaliação do último ano na pecuária, porque são fatores que interferem diretamente no que está por vir ao longo de 2024. De acordo com o coordenador técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás), Marcelo Penha, o principal impacto do El Niño na pecuária de corte e de leite é a baixa produção de pastagens no período de verão, pois houve uma má distribuição de chuvas nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2023.

“Isso resultou na diminuição da quantidade de forragem produzida. Logo a seca deste ano, que inicia a partir de julho, poderá ser acentuada, comprometendo a produção de carne e leite, além de aumentar as despesas com alimentação animal entre os meses de maio a outubro”, relata.

Ele concorda com as orientações do presidente José Mário Schreiner de que o maior cuidado será com a reserva de alimentos para o período de estiagem, que pode ser na forma de pastagem reservada, produção de volumoso – por meio de canavial ou capineira – ou de silagem de milho, além de capim.

“O pecuarista poderá deixar 20% das suas pastagens para os meses de agosto, setembro e outubro, dessa forma conseguirá amenizar o impacto da seca durante esse período. Caso precise fazer silagem, poderá vender alguns animais do seu plantel para a produção de volumoso, como exemplo a capineira ou a silagem. Dessa forma estaria se prevenindo de uma falta de pastagem. Outra opção seria o aluguel de pastagem, caso a região ofereça essa possibilidade”, acrescenta.

Marcelo Penha defende também que outra forma de evitar possíveis problemas com a seca seria o uso de ração concentrada com milho ou sorgo.

“Dessa forma poderia amenizar a baixa quantidade de forragem, lembrando que essa escolha seria de um valor maior, logo necessitaria de fazer um planejamento com um profissional especialista em nutrição animal. Já para quem tem machos com 13 arrobas nos meses de junho a agosto, poderia fazer o uso de boitel, diminuindo o número de animais na sua propriedade, caso entenda que seria melhor do que vender durante esse período. Os recursos financeiros poderiam ser o próprio, bancário ou parceria com outro pecuarista”.

A previsão, segundo Marcelo, é que o momento crítico de seca no Cerrado brasileiro se inicie mesmo em agosto e estenda até final de setembro, melhorando só a partir da segunda quinzena de outubro, quando as chuvas começam a firmar.

“O Sistema Faeg/Senar/Ifag, por meio das Comissões de Pecuária de Corte e de Leite, tem feito reuniões junto aos seus membros, mostrando que a Semad [Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável] tem enviado boletim de clima alertando para a possível falta de pastagens devido à alta irregularidade nas precipitações pluviométricas no estado de Goiás em 2023. Também produziu a nota técnica informando dessas condições climáticas”, orienta.

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