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Selênio orgânico: Uma comparação de forma, fonte e função

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Selênio orgânico: Uma comparação de forma, fonte e função

Richard Murphy, Ph.D. – Diretor do centro Europeu de Biociência da Alltech na Irlanda 

Desde a sua descoberta no início de 1900, o selênio tem apresentado um enigma nutricional devido ao seu duplo status como um oligoelemento potencialmente tóxico, mas altamente essencial. A forma em que o selênio é apresentado é o principal determinante de sua eficácia, com diferenças observadas entre as formas inorgânicas e orgânicas do elemento. Embora o selenito de sódio, inorgânico, tenha sido historicamente a fonte mais comum de selênio adicionada a rações para nutrição animal, estudos descobriram que o selênio inorgânico tem uma alta toxicidade e suas taxas de absorção e conversão são baixas.

Descobriu-se que o selênio orgânico é a fonte mais eficaz, resultando em um aumento do número de animais nascidos vivos, estímulo da função imunológica, melhorias gerais na saúde animal e aumento do tempo de prateleira da carne, leite e ovos. Embora essas observações possam ser atribuídas a melhoria geral no status antioxidante celular e redução dos efeitos do estresse oxidativo, os mecanismos exatos pelos quais esses efeitos são mediados permanecem ocultos.

A suplementação de selênio orgânico é agora reconhecida como uma estratégia para melhorar a nutrição, a saúde e o bem-estar animal. Pesquisas realizadas em pares mostraram claramente que a suplementação dietética com selênio orgânico resulta em aumento significativo da produção e potencializa a saúde geral de todas as espécies.

Funções biológicas do selênio

O selênio demonstrou desempenhar um papel crítico no controle e regulação do sistema antioxidante celular. Embora os sintomas de deficiência de selênio difiram entre as espécies, as funções do selênio em relação ao metabolismo são essencialmente as mesmas em todos os animais. Após a sua absorção no corpo, o selênio pode se incorporar a numerosas enzimas e proteínas dependentes de selênio, que desempenham várias funções biológicas importantes.

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O sinergismo entre a vitamina E e o selênio é conhecido há muitos anos. De fato, a essencialidade nutricional do selênio foi estabelecida com base em sua interação com a vitamina E, sendo inicialmente demonstrada em indivíduos com deficiência de vitamina E. Ensaios subsequentes indicaram que o selênio poderia prevenir muitos dos sintomas da deficiência de vitamina E em uma variedade de espécies animais.

Absorção e retenção de selênio

A distribuição e retenção de selênio nos tecidos animais é dependente do tipo de selênio suplementado. A forma do elemento apresentado desempenha papel crucial na sua biodisponibilidade e eficácia.

O selênio orgânico é a fonte nutricional ideal e, após a absorção dentro da célula, é convertido em seleno-intermediários para posterior utilização e/ou excreção. A absorção de selênio ocorre dentro do intestino delgado e, embora o L-SeMet seja absorvido usando mecanismos de transporte de metionina, a absorção de selênio inorgânico, como o selenito, é menos eficiente e ocorre principalmente por difusão passiva. Após a absorção, o SeMet é incorporado em proteínas corporais como parte da metionina podendo atuar como reserva biológica de selênio, que pode ser utilizado durante períodos de ingestão subótima de selênio (Figura 1).

Toxidade das fontes de selênio

A Tabela 2 destaca as toxicidades diferenciais associadas às fontes inorgânicas, orgânicas e quimicamente sintetizadas de selênio. De particular interesse nestes dados são as diferenças bastante distintas e notáveis entre as fontes de selênio.

As fontes de selênio inorgânicas e quimicamente sintetizadas têm atributos tóxicos claramente definidos, que são notavelmente semelhantes em relação às suas toxicidades orais agudas. Também são notáveis as sutilezas associadas às toxicidades das formas líquidas e sólidas dos mesmos produtos sintéticos de selênio. Claramente, as fontes de selênio não podem ser consideradas iguais, pois é necessário cuidado e atenção consideráveis ao formular e manusear fontes sintéticas e inorgânicas.

Em termos de compreensão das diferenças de toxicidade entre as fontes de selênio, pode ser útil examinar a bioquímica por trás do selênio e seu potencial para agir negativamente em um nível celular. As propriedades pró-oxidantes de fontes inorgânicas de selênio, como o selenito de sódio, originam-se de sua conversão em seleneto ou em selenóis, que são prontamente oxidados e geram espécies reativas de oxigênio (ROS). A toxicidade do selenito está bem documentada como sendo causada principalmente por danos no DNA devido à indução de quebras de fita de DNA dependentes de ROS e / ou oxidação de base, o que leva à morte celular apoptótica e necrótica.

Pesquisas mais recentes mostraram que os seleno compostos de livre acesso podem ter propriedades pró-oxidantes, que são iniciadas da mesma maneira que o selenito de sódio, mas podem ser aumentadas ainda mais devido ao início de ciclos adicionais de oxidação/redução. Em última análise, esses ciclos redox consomem antioxidantes intracelulares, como o GSH e, consequentemente, o cofator redutor NADPH. Não só esse ciclo redox induzido por seleno composto pode levar ao desequilíbrio antioxidante, mas também pode levar ao aumento e à produção sustentada de ROS, o que pode danificar ainda mais os ácidos nucleicos, proteínas e lipídios.

Além disso, os selenóis oxidados também podem catalisar a formação de pontes de dissulfeto entre tióis de baixo peso molecular e proteínas, potencialmente levando à inativação ou agregação de proteínas. Estudos mais recentes indicam que a toxicidade dos seleno compostos de livre acesso resulta de sua conversão em selenocisteína, um selenoaminoácido com a capacidade de mediar o estresse proteotóxico, desempenhando, assim, um papel na toxicidade do selênio que foi anteriormente subestimado.

O risco inerente de toxicidade da proteotoxicidade mediada pela selenocisteína deve ser mais pesquisado para que a comunidade científica compreenda completamente as implicações associadas à sua geração celular. Pode muito bem ser que as toxicidades aumentadas dos análogos quimicamente sintetizados sejam devidas ao aumento do ciclo redox e/ou ao aumento da indução de proteoxicidade devido ao aumento da síntese de selenocisteína a nível celular, levando a toxicidades orais agudas com um impacto semelhante ao do selenito de sódio inorgânico. Claramente, pesquisas adicionais sobre essas questões de toxicidade recém-descritas são justificadas.

A incorporação de proteínas estabiliza a selenometionina

Em relação à toxicidade do seleno composto, um benefício da selênio levedura é a influência estabilizadora fornecida pela incorporação de peptídeos e proteínas do selênio. Graças à capacidade da levedura de incorporar aminoácidos contendo selênio em peptídeos e proteínas, o potencial de instabilidade é muito reduzido.

O uso de fontes de selênio sintetizadas quimicamente é potencialmente problemático no ambiente gastrointestinal por várias razões. Em primeiro lugar, em relação às formas sintéticas, a grande maioria dos seleno compostos na selênio levedura é ligada a proteínas e, como tal, é protegida de influenciadores negativos durante o trânsito gastrointestinal. Em segundo lugar, o ambiente intestinal é oxidativo. O aumento dos níveis de pH pós-gástrico, juntamente com níveis modestos de gordura na dieta, a tornam um ambiente ideal para a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e a formação de moléculas prejudiciais, como peróxidos lipídicos.

Significativamente, o impacto no dano ao DNA, proteínas e lipídios mediados por ROS em nível celular é anulado. Em contraste, fontes quimicamente sintetizadas não têm o benefício protetor da incorporação de proteínas de levedura.

A instabilidade dos seleno aminoácidos sintéticos está bem documentada. Trabalhos mais antigos destacando esse fenômeno, por exemplo, submeteram amostras de L-selenometionina sintética e selênio levedura a condições oxidantes na forma de um desafio de peróxido. Esses resultados são ilustrados na Figura 2, pela qual, ao aumentar as condições oxidantes da solução, a recuperação da L-selenometionina sintética em sua forma pura diminui rapidamente.

Figura 3. Efeito das condições oxidantes na recuperação de L-SeMet sintético e SeMet ligado a peptídeos (selênio levedura)

Figura 2. Efeito das condições oxidantes na recuperação de L-SeMet sintético e SeMet ligado a peptídeos (selênio levedura)

Em contraste, a recuperação da selenometionina a partir de selênio levedura permaneceu constante sob as mesmas condições, ilustrando assim sua maior estabilidade e reduzida suscetibilidade à oxidação. Embora não seja uma medição direta in vivo, esta técnica simples pode indicar utilmente a estabilidade potencial ou instabilidade das formas de oligoelementos quando uma pressão oxidante é aplicada. Exemplos de agentes oxidantes comuns do trato gastrointestinal incluem radicais hidroxila e peróxidos lipídicos.

Considerações finais 

No contexto dos dados gerais, é claro que a biodisponibilidade do selenoaminoácido e da selenoproteína variará entre as fontes à medida que transitam pelo trato gastrointestinal. Em um nível mais simplista, as diferenças na estabilidade das fontes de selênio também podem afetar parâmetros como prazo de validade e qualidade do produto. Mais importante ainda, tais diferenças podem ter uma influência sobre o potencial tóxico de diferentes preparações – e, no caso de fontes de selênio sintetizadas quimicamente, podem conferir uma toxicidade semelhante à do selenito de sódio inorgânico.

Embora os métodos analíticos utilizados para avaliar e especificar fontes de selênio orgânico continuem a avançar, precisamos lembrar que, em última análise, a parte mais importante da avaliação de um aditivo para rações destinadas para animais de produção é considerar seu impacto no desempenho animal. Isto é particularmente importante, dada a singularidade das preparações individuais de selênio orgânico e, como tal, os seus respectivos efeitos na saúde e no desempenho dos animais devem ser avaliados individualmente.

Ao contrário de outras fontes, a selênio levedura oferecida na forma de Sel-Plex® é a fonte de selênio orgânico com maior número de pesquisas disponíveis e foi apresentada em mais de 300 estudos de desempenho revisados por pares até o momento. Esses estudos detalham sua eficácia em todas as espécies e estágios da vida, confirmando a capacidade do produto de influenciar positivamente importantes atributos de saúde e desempenho.

Em última análise, não só inspira confiança no produto como uma fonte orgânica de selênio, mas também maximiza a rentabilidade para os produtores de aves, suínos, ruminantes e aquacultura.

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