Tabelas Brasileiras reforçam papel da pesquisa nacional na formulação de rações

Na 36ª Reunião Anual do CBNA, Horácio Santiago Rostagno mostrou como referências nacionais atualizadas ajudam nutricionistas a trabalhar com exigências, ingredientes, equações e decisões práticas para aves e suínos.

13 maio 2026

Tabelas Brasileiras reforçam papel da pesquisa nacional na formulação de rações

As Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos representam uma das formas mais concretas de transformar pesquisa nacional em decisão prática dentro da indústria de nutrição animal. A avaliação foi apresentada pelo professor Horácio Santiago Rostagno, professor aposentado da Universidade Federal de Viçosa e editor das Tabelas Brasileiras, durante o painel “Impacto da pesquisa brasileira na produção animal”, realizado na 36ª Reunião Anual do CBNA.

A agriNews Brasil acompanhou o evento como media partner. Em sua apresentação, Rostagno mostrou que a importância das tabelas vai além de reunir valores de composição de alimentos e exigências nutricionais. Para o nutricionista formulador, elas funcionam como base para comparar ingredientes, ajustar programas alimentares, interpretar desempenho, incorporar novas matérias-primas e tomar decisões com impacto direto sobre custo e eficiência produtiva.

  • A palestra teve como eixo a necessidade de atualizar continuamente as referências usadas pela indústria. À medida que aves e suínos avançam em genética, velocidade de crescimento, produtividade e eficiência alimentar, as recomendações nutricionais também precisam acompanhar essa evolução. Segundo a leitura apresentada pelo professor, não basta trabalhar com dados antigos ou genéricos quando os animais, os ingredientes e os sistemas produtivos já são outros.

Essa atualização é especialmente relevante em um momento de maior pressão sobre ingredientes. Rostagno destacou a ampliação da base de alimentos considerada nas tabelas, incluindo ingredientes tradicionais e novas alternativas. A edição de 2024 foi citada como exemplo dessa evolução, com a inclusão de 102 alimentos. O dado é estratégico porque mostra que a pesquisa nacional precisa responder a um mercado em que coprodutos, subprodutos e ingredientes regionais ganham espaço na formulação.

O uso seguro desses ingredientes depende de mais do que preço. Exige conhecer energia, digestibilidade, perfil de aminoácidos, limites práticos de inclusão e possíveis ajustes na dieta. Ao tratar de novos alimentos e diferenças entre valores nutricionais, Rostagno reforçou que a formulação precisa considerar não apenas o valor médio de um ingrediente, mas sua aplicação real no programa alimentar.

Outro ponto relevante da apresentação foi o uso de equações para estimar exigências conforme idade, peso, ganho e desempenho. Esse tema aproxima as Tabelas Brasileiras de uma lógica mais dinâmica, em que o nutricionista pode trabalhar com cálculos ajustados ao perfil do animal e ao nível produtivo desejado. A diferenciação entre desempenho médio e desempenho superior também foi destacada como ponto importante, já que muitas empresas operam em patamares acima da média e precisam de recomendações coerentes com essa realidade.

Para aves, a atualização das exigências conversa diretamente com a evolução dos frangos de corte, a melhora de conversão alimentar, o rendimento de carcaça e a necessidade de ajustar energia, aminoácidos e proteína ao desempenho real. Para suínos, a aplicação passa por categorias, sexo, peso, ganho e programas multifase, em uma cadeia em que a alimentação representa parcela decisiva do custo de produção.

A apresentação também chamou atenção para suplementos minerais e vitamínicos. O ponto central é que níveis de uso não devem ser interpretados de forma automática como exigências absolutas. A definição de recomendações depende de manutenção, ganho, consumo, disponibilidade dos nutrientes e base científica disponível. Para a nutriNews Brasil, esse é um alerta importante em um momento em que precisão, custo e sustentabilidade pressionam a indústria a revisar margens de segurança e excessos.

Ao posicionar as Tabelas Brasileiras como ferramenta prática, Rostagno mostrou que a pesquisa brasileira não atua apenas nos bastidores da produção animal. Ela se materializa em tabelas, equações, recomendações, limites de uso e critérios de formulação usados diariamente por nutricionistas, agroindústrias, fábricas de ração, empresas de premix e pesquisadores.

A palestra também dialoga com outros temas discutidos no painel do CBNA. Enquanto Everton Krabbe apontou a pressão de matérias-primas, biocombustíveis, energia e tecnologias sobre o futuro da nutrição de aves, e Bruno Silva defendeu modelos mais dinâmicos para suínos, Rostagno apresentou a base sem a qual a precisão não se sustenta: dados confiáveis, atualizados e aplicáveis à realidade brasileira.

A mensagem final é clara: formular com precisão exige uma base técnica sólida. Em um ambiente de ingredientes mais variáveis, genética mais exigente e pressão crescente por eficiência, as Tabelas Brasileiras seguem como uma infraestrutura da nutrição animal brasileira. Não são apenas um registro da pesquisa feita no país; são uma ferramenta para que essa pesquisa chegue ao campo, à fábrica de ração e ao resultado econômico das cadeias de aves e suínos.

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