“Não será possível usar terminologia específica do setor tradicionalmente associada à carne e peixe para designar produtos que não pertencem ao mundo animal e que, em essência, não são comparáveis”, diz o decreto oficial.
12 jul 2022
O governo da França, um dos maiores mercados de alimentos do mundo, assinou decreto que proíbe o uso de nomes de ‘carne’ como “bife” e “salsicha” em alimentos proteicos à base de plantas.
A legislação entrará em vigor a partir de 1 de outubro. A França é o primeiro país da União Europeia a fazer tal movimento, que se espalha pelo mundo com o objetivo de bem-informar e não confundir a cabeça dos consumidores.
“Não será possível usar terminologia específica do setor tradicionalmente associada à carne e peixe para designar produtos que não pertencem ao mundo animal e que, em essência, não são comparáveis”, diz o decreto oficial.
A associação francesa da indústria de carnes (Interbev) divulgou que “este é um primeiro passo em território francês, pioneira na proteção de seus nomes, que deve ser estendida em nível europeu”.
“Quando esta proibição ocorrerá no Brasil? E até quando os pecuaristas brasileiros aceitarão passivamente esta propaganda enganosa? Está na hora de reagirmos. Devemos reivindicar para que seja praticada a verdade. Se plant based não é carne – aliás, são alimentos super processados, cujos efeitos ainda não estão claros no organismo –, então não pode ser denominada como carne. Simples assim”, assinala o cardiologista e pecuarista Nabih Amin El Aouar, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), entidade que reúne os criadores da raça Nelore no país.
Nabih destaca que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) realizou, por meio da Portaria nº 327, de 2 de junho de 2021, consulta pública para a tomada de subsídios para a regulamentação dos produtos processados de origem vegetal. Por iniciativa da ACNB, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Carne Bovina, com respaldo do Prof. Dr. Sérgio Pflanzer (FEA/UNICAMP), elaborou documento, no qual foi pontuada “a importância da regulamentação do assunto, especialmente visando impedir a utilização de nomes, definições e argumentações que possam confundir ou enganar o consumidor”.

Cardiologista e pecuarista Nabih Amin El Aouar, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB)
Destacou ainda a diferença quanto a diversos aspectos nutricionais dos produtos que se dispõem a ser análogos às proteínas animais:
“Além de reafirmar que, por ser produtos muito diferentes, os chamados plant based não podem receber os mesmos nomes dos produtos de origem animal já plenamente conhecidos pelos consumidores e regulamentados pelo MAPA. Assim como o governo da França, está na hora de o governo brasileiro, por meio do MAPA, se posicionar sobre o tema. Nossos objetivos principais são dois: mostrar que plant based não é carne e fornecer a correta informação para os consumidores”, explica Nabih Amin El Aouar.
Assine agora a revista técnica de nutrição animal
AUTORES

Suplementação concentrada a pasto: quando realmente vale a pena?
Rafael Mezzomo
Conceito de “alimentação ativa” para o controle da doença do edema em leitões
Alberto Morillo Alujas
Efeitos no pH ruminal e no consumo de alimento de vacas submetidas a um desafio

Dietas caseiras versus alimentos comerciais para gatos
Ananda Portella Félix
Nutrição de Precisão na Piscicultura: Tecnologia, Eficiência Alimentar
Luiz Fernando de Souza Alves
Medidas na redução do uso de antibióticos na produção de frangos de corte
Édina de Fátima Aguiar
Europa fecha as portas para proteína animal do Brasil: o que está por trás
Gabriela Galvão
Acidose Ruminal Subaguda: o papel essencial da microbiota do rúmen na saúde
Rahmad Balegi
Eficiência Invisível: Como Blends Bioativos Funcionais Transformam a Saúde

Potencializando a saúde intestinal e o desempenho de leitões pós-desmame
Miliane Alves da Costa
Estratégia de Controle e Prevenção da Criptosporidiose em Ruminantes
Dr. Fernando Noriega del Campo
Otimizando a Nutrição com Colina em Aves Através de Alternativas Sustentáveis
Dra. Reshma R Chandran
Probióticos solúveis em água e betaína anidra: suporte intestinal para aves