Clima e menor liquidez mexem com milho e soja no mercado brasileiro

14 set 2026

Clima e menor liquidez mexem com milho e soja no mercado brasileiro

Enquanto a demanda mais fraca pressiona as cotações do milho, a soja encontra sustentação na retração dos vendedores e no avanço da semeadura da safra 2026/27

O mercado brasileiro de grãos começa a semana sob influência de dois movimentos distintos. No milho, a demanda mais enfraquecida voltou a pressionar as cotações em parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Na soja, por outro lado, as recentes chuvas favoreceram o início da semeadura da safra 2026/27 e contribuíram para sustentar os preços no mercado spot.

No milho, parte dos compradores permanece afastada das negociações, indicando que as aquisições realizadas anteriormente ainda são suficientes para atender às necessidades de curto prazo. Com menor urgência na reposição, a demanda perde força e limita o espaço para recuperação dos preços.

A oferta mais restrita, porém, impede quedas mais acentuadas. Segundo pesquisadores do Cepea, parte dos produtores reduz a disposição para negociar, acompanhando tanto as condições climáticas previstas para os próximos meses quanto a maior atratividade da paridade de exportação.

O produtor também está dividido entre as atividades de campo e as decisões comerciais. Neste momento, os trabalhos incluem a finalização da colheita da segunda safra 2025/26 e o avanço da semeadura da safra verão 2026/27, fatores que ajudam a reduzir a disponibilidade de vendedores no mercado à vista.

Soja ganha sustentação com avanço do plantio

Na soja, o cenário é diferente. As chuvas recentes favoreceram o início da implantação da safra 2026/27 no Brasil, e a expectativa é de intensificação dos trabalhos assim que as precipitações diminuírem.

A estratégia dos produtores é aproveitar as condições climáticas consideradas favoráveis para antecipar o plantio e, com isso, buscar reduzir possíveis impactos associados ao El Niño ao longo da temporada.

Esse movimento climático também influencia diretamente as negociações. Com os agentes mais atentos à evolução do tempo e às condições para o desenvolvimento da nova safra, vendedores têm demonstrado menor disposição para comprometer grandes volumes neste momento.

O resultado é uma liquidez mais limitada no mercado spot e preços sustentados na primeira metade de setembro.

Farelo de soja adiciona pressão à demanda

O movimento de alta também aparece no farelo de soja. O produto vem sendo negociado em um ambiente de maior disputa entre compradores brasileiros e internacionais.

De acordo com o Cepea, consumidores domésticos precisam recompor estoques justamente em um momento em que a demanda global permanece agressiva. A combinação reduz a disponibilidade relativa do produto e contribui para manter os preços firmes no mercado brasileiro.

Assim, enquanto o milho encontra um mercado comprador mais cauteloso, a soja atravessa um momento em que a menor disposição dos vendedores e a disputa pelo farelo ajudam a sustentar as cotações.

No curto prazo, portanto, o comportamento dos grãos deve continuar condicionado não apenas ao balanço entre oferta e demanda, mas também às decisões dos produtores diante do clima e do avanço das atividades de campo.

Fonte: Cepea (14/09/26).

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