Por redação nutriNews Brasil
08 set 2026
Enquanto produtores seguram ofertas e preços internacionais dão suporte ao mercado, plantio e clima entram no radar para 2027.
Por redação nutriNews Brasil
O milho ganhou destaque entre os ativos de renda variável negociados na B3 em agosto. O Índice Futuro de Milho (IFMILHO B3) acumulou alta de 3,73% no mês, alcançando o terceiro melhor desempenho entre os dez índices de renda variável que mais avançaram no período, segundo dados divulgados pela B3.
O resultado colocou o milho à frente de outros importantes segmentos do agronegócio. O Índice de Agronegócio (IAGRO B3) subiu 3,47%, enquanto o Índice Futuro de Boi Gordo (IFBOI B3) registrou valorização de 1,91%.
O movimento ocorre em um momento de transição no mercado brasileiro, com a colheita da segunda safra chegando à reta final e os agentes começando a direcionar as atenções para a próxima temporada.
Dados mais recentes do Cepea ajudam a contextualizar o ambiente em que o milho vem sendo negociado. Na atualização de 8 de setembro, o centro de pesquisas apontou que os preços permanecem elevados na maior parte das regiões produtoras, enquanto a colheita da segunda safra se aproxima do fim.
Ao mesmo tempo, o início do plantio da safra de verão 2026/27 no Sul acrescenta uma nova variável às expectativas do mercado. Produtores têm reduzido a disposição para ofertar o cereal, limitando a quantidade de lotes disponíveis para negociação e buscando preços considerados mais firmes.
A preocupação com os possíveis efeitos de um fenômeno El Niño sobre a próxima temporada também entra nas decisões dos produtores. No Rio Grande do Sul, inclusive, a área destinada ao milho pode crescer na safra 2026/27, em uma estratégia de diversificação e redução de riscos associados a outras culturas.
Do lado da demanda, porém, há um movimento que limita novas altas. Segundo o Cepea, alguns compradores têm optado por utilizar estoques adquiridos anteriormente em vez de realizar novas compras em níveis mais elevados. A expectativa de que estoques cheios, necessidade de pagamento de compromissos financeiros dos produtores e um ritmo de exportações mais fraco possam aumentar a oferta nas próximas semanas também permanece no radar.
Para Allan Maia, analista de mercado da Safras & Mercado, o comportamento atual do milho está relacionado principalmente à dinâmica de oferta e demanda durante o encerramento da segunda safra.
O analista explica que, enquanto a colheita avança em diferentes estados, produtores reduziram a fixação de ofertas, buscando preços mais firmes. Em São Paulo, onde a B3 tem como referência o mercado futuro de milho em Campinas, esse movimento dificulta o abastecimento dos consumidores.
A menor disposição dos vendedores também ocorre em um ambiente de forte atenção aos preços internacionais. Os produtores acompanham os contratos futuros em Chicago e o comportamento do dólar, fatores que interferem diretamente na formação da paridade de exportação brasileira.
“Nos Estados Unidos, tivemos uma redução na estimativa de rendimento médio das lavouras, uma queda nos estoques e também uma especulação em relação ao clima e ao que será a próxima colheita. Esses fatores estão influenciando as expectativas do mercado e podem continuar dando suporte às cotações de Chicago, o que, por sua vez, pode afetar a paridade de exportação do milho brasileiro”, explica Maia.
Esse cenário internacional pode alterar a paridade de exportação do milho brasileiro. Para o analista, os preços praticados nos portos funcionam como uma referência importante para a formação dos contratos futuros negociados na B3.
A relação ganha ainda mais relevância no segundo semestre, quando a paridade de exportação tende a oferecer uma direção para os preços futuros do milho no mercado brasileiro.
A valorização registrada pelo IFMILHO em agosto, portanto, ocorre em meio a uma combinação de fatores domésticos e externos. A menor oferta imediata dos produtores, a evolução da colheita da segunda safra, o comportamento de Chicago e do dólar e as perspectivas para as exportações formam o ambiente acompanhado pelos agentes.
Para os próximos meses, entretanto, o foco tende a migrar cada vez mais para a nova safra. O avanço do plantio de verão, as condições climáticas e a evolução do fenômeno El Niño serão determinantes para as expectativas de produção e, consequentemente, para a formação dos preços futuros.
Nesse contexto, o desempenho de agosto reforça a importância do milho entre os ativos ligados ao agronegócio na B3, mas também evidencia que o mercado futuro permanece sensível às mudanças nas condições de oferta, demanda e preços internacionais.
Segundo informações extraídas do portal da B3, a entidade tem papel importante na cadeia do milho por oferecer contratos futuros que permitem aos participantes do mercado se proteger das oscilações de preços. O contrato futuro de milho (CCM) pode ser utilizado por produtores, indústrias, tradings e outros agentes para administrar os riscos relacionados às variações das cotações. Já o IFMILHO B3 acompanha o desempenho de uma carteira teórica desses contratos e, dessa forma, funciona como um indicador do comportamento dos preços futuros do cereal.
Os contratos de milho negociados na B3 são cotados em reais por saca de 60 quilos e possuem liquidação financeira. Na prática, as cotações do mercado futuro ajudam os agentes da cadeia a acompanhar as perspectivas para os preços do cereal e a tomar decisões de comercialização e proteção.
No cenário atual, essa dinâmica também está relacionada ao comportamento do mercado internacional. Segundo Allan Maia, analista de mercado da Safras & Mercado, os preços futuros do milho na B3 estão recebendo influência da paridade de exportação brasileira, que, no segundo semestre, ganha importância na formação das cotações. Nesse processo, entram no radar os preços do milho em Chicago e o comportamento do dólar, que afetam a competitividade do cereal brasileiro no mercado externo e, consequentemente, as referências utilizadas pelo mercado futuro doméstico.
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