O Papel Estratégico dos Fitoativos na saúde e desempenho de frangos de corte
11 maio 2026
O Papel Estratégico dos Fitoativos na saúde e desempenho de frangos de corte
Diante dos desafios crescentes da agropecuária moderna, os fitoativos emergem como soluções estratégicas e inovadoras.
Compostos bioativos extraídos de plantas, como óleos essenciais, flavonoides, terpenos, taninos, dentre outros, têm demonstrado potencial para modular a microbiota intestinal, melhorar a eficiência alimentar, fortalecer a resposta imune e contribuir para o controle de patógenos e parasitas.
Além disso, muitos fitoativos apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, auxiliando na mitigação do estresse térmico e metabólico, o que os posiciona como ferramentas promissoras para promover produtividade aliada ao bem-estar animal e à sustentabilidade do sistema produtivo (Windisch et al., 2008).
A coccidiose é uma das doenças parasitárias mais preocupantes para a produção intensiva de frangos de corte em todo o mundo, sendo causada por protozoários do gênero Eimeria que infectam o trato intestinal de aves domésticas (Gallus gallus domesticus) (Blake & Tomley, 2014). Nesta doença, espécies como Eimeria acervulina, Eimeria maxima e Eimeria tenella são as mais associadas a prejuízos zootécnicos devido à sua ampla prevalência e capacidade de causar lesões significativas em diferentes segmentos do trato intestinal, incluindo o intestino delgado e os cecos das aves.
Do ponto de vista econômico, a coccidiose representa um dos maiores desafios sanitários da avicultura moderna. Estimativas globais sugerem que as perdas totais associadas à coccidiose em frangos podem ultrapassar os US$ 2,4 a 3 bilhões por ano (KADYKALO et al., 2017).
Sobretudo, essas perdas são atribuídas aos efeitos patológicos da coccidiose, que resultam em inflamação intestinal, alterações morfométricas das vilosidades e comprometimento da função digestiva, mesmo na forma subclínica. Esses impactos levam à redução do desempenho produtivo, piora da conversão alimentar e maior susceptibilidade a infecções secundárias, evidenciando o impacto econômico direto da doença.
Portanto, o manejo sanitário, a prevenção e estratégias nutricionais eficazes, incluindo o uso de aditivos funcionais, são essenciais para minimizar as perdas por essa enfermidade altamente prevalente e persistente na avicultura industrial.
O uso de coccidiostáticos em frangos de corte é uma prática amplamente adotada na avicultura para prevenir e controlar a coccidiose. Entretanto, o uso indiscriminado desses aditivos preocupa pesquisadores e órgãos reguladores, pois pode resultar em resíduos nos produtos avícolas acima dos limites máximos permitidos, comprometendo a segurança alimentar e a conformidade regulatória. Além disso, o uso contínuo pode favorecer o desenvolvimento de resistência anticoccidiana em Eimeria spp.
Desta forma, buscam-se novas alternativas em substituição aos fármacos comumente utilizados para potencializar o desempenho, dentre elas, podem-se citar o uso de compostos orgânicos, como: fitogênicos (fitoativos), ácidos orgânicos, extratos vegetais, óleos essenciais, probióticos, entre outros aditivos.
Estes compostos são responsáveis por apresentarem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, imunomoduladoras, antimicrobianas, bem como potencial ação coccidiostática em frangos de corte, podendo reduzir a contagem de oocistos e amenizar os efeitos negativos da coccidiose sobre o desempenho produtivo (Mahfuz et al., 2021; Rusli et al., 2025).
Todas essas propriedades promovem a saúde intestinal, fortalecem o sistema imunológico e melhoram o bem-estar das aves, portanto, são uma ferramenta interessante para otimizar a produção animal de forma sustentável.
Com base nessas condições apresentadas, a TECPHY aposta em pesquisa científica de desenvolvimento com base nesses compostos, confiando na sinergia entre os fitoativos.
Resultados em frangos de corte
Em um estudo conduzido com frangos de corte, utilizando 3 tratamentos distintos, sendo: Controle positivo (animais inoculados via gavagem aos 21 dias de idades com Eimeria acervulina, Eimeria maxima e Eimeria tenella e não receberam nada para tratamento), Tratamento anticoccidiano (animais também inoculados, porém com adição de anticoccidiano via dieta, sendo esse o Diclazuril) e Tratamento fitoativo (animais inoculados com as Eimerias, com adição da mistura de fitoativos a base de óleo essencial de orégano e canela, cúrcuma e tanino, via dieta).
Observamos que no dia 28 de experimento, o uso da combinação dos fitoativos reduziu significativamente a contagem de oocistos por gramas de excreta, sendo em torno de – 86,2% em relação ao controle positivo e – 77% em relação ao anticoccidiano utilizado (figura 1).

Figura 1. Contagem de oocistos por grama de excreta de frangos corte aos 28 dias
Já para o dia 42 de experimento, notamos que o uso da combinação dos fitoativos também reduziu a contagem de oocistos por gramas de excreta em comparação ao controle positivo, de 353 oocistos para apenas 6, ao passo que o grupo que recebeu anticoccidano em questão zerou a contagem (figura 2).

Figura 2. Contagem de oocistos por grama de excreta de frangos corte aos 42 dias.
Diferentemente de anticoccidianos clássicos, os fitogênicos tendem a reduzir a intensidade da replicação parasitária sem eliminá-la completamente, permitindo estímulo imunológico controlado. Esse fenômeno pode favorecer o desenvolvimento de imunidade adaptativa eficiente, ao mesmo tempo em que minimiza impacto produtivo (Chapman et al., 2013; Lillehoj et al., 2018).
Concomitante a isso, os resultados da contagem de oocistos refletiram no desempenho das aves, sendo que, tanto o grupo fitoativo, quanto o grupo anticoccidano, demonstraram maior ganho de peso e melhor conversão alimentar, comparado ao controle positivo (Tabela 1).

Tabela 1. Desempenho produtivo de frangos de corte inoculados com Eimeria spp. com adição de fitoativos na dieta.
Em conjunto, os resultados indicam que tanto o anticoccidiano quanto os fitoativos foram eficazes na redução da infecção experimental por Eimeria spp., porém apresentaram perfis distintos de atuação ao longo do tempo.
Enquanto o anticoccidiano promoveu supressão completa tardia da excreção, os fitoativos demonstraram controle progressivo e sustentado, com forte redução já aos 28 dias e manutenção do efeito até o final do ciclo.
Esses achados reforçam o potencial dos aditivos naturais como ferramentas estratégicas no manejo sanitário de frangos de corte, reforçando sistemas imunológico e com ação indireta no desempenho dos frangos.
Conclusão
Sob a perspectiva produtiva e econômica, a redução consistente da excreção de oocistos representa diminuição do desafio sanitário no lote, menor risco de reinfecções, potencial redução de infecções secundárias e maior estabilidade intestinal.
Em um cenário global de restrição ao uso de antimicrobianos e crescente demanda por sistemas de produção mais sustentáveis, os fitoativos se posicionam como ferramenta estratégica dentro de programas modernos de controle integrado da coccidiose.
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